Balanço da semana: o ouro recupera fôlego, mas a Fed ainda manda no clima
O ouro voltou acima dos 3.900 dólares depois de um susto, enquanto os mercados continuam a apostar numa subida de juros até dezembro.
Semana de montanha-russa para quem segue o ouro. Depois de tocar mínimos de sete meses a meio da semana, o metal recuperou e voltou a negociar acima dos 3.900 dólares por onça — a rondar os 3.994 — ajudado por um dólar mais fraco e por um relatório de inflação (o PCE americano) sem grandes sobressaltos.
Mesmo assim, convém manter os pés assentes: o ouro continua a perder cerca de 5% no acumulado do ano e está perto de 20% abaixo do recorde de janeiro.
O fantasma chama-se Fed
O que está mesmo a mexer com tudo é a expectativa de juros. Os mercados atribuem agora cerca de 80% de probabilidade a uma subida da Fed em dezembro, depois da pausa “dura” da semana passada, em que o presidente Kevin Warsh deixou claro que quer a inflação debaixo de olho. Para setembro, a probabilidade ronda os 63%.
E para nós?
Juros mais altos lá fora tendem a fortalecer o dólar e a pressionar tudo o resto — das matérias-primas às bolsas europeias. Para quem em Portugal tem crédito à habitação indexado à Euribor, o sinal é o de sempre: as taxas teimam em não descer depressa. Paciência e contas bem feitas.
Imagem ilustrativa · Foto: Leeloo The First / Pexels