Wall Street hesita: a Fed agora fala em subir juros
Mistura de sinais nos mercados esta segunda-feira. A Nasdaq caiu com a Alphabet, o petróleo aliviou com o Irão e todos os olhos estão na inflação de quarta.
A semana arrancou com os mercados americanos a andar de lado, cada índice a puxar para o seu canto. O Dow subiu uns 0,4%, o S&P 500 recuou 0,3% e a Nasdaq, mais carregada de tecnológicas, deslizou 1,1% — em grande parte porque a Alphabet, a dona da Google, caiu uns 5% num só dia.
Por trás da hesitação está a Reserva Federal. Depois da última reunião, o tom mudou: nove dos dezoito membros já contam com pelo menos uma subida de juros até ao fim do ano, e há quem antecipe esse movimento para outubro. É uma viragem e tanto — durante meses falou-se em cortar, agora fala-se em apertar, porque a inflação teima em ficar acima dos 2%.
O que vem a seguir
Há dois eventos a vigiar. Quarta-feira sai o índice PCE de maio, o termómetro de inflação preferido da Fed — se vier quente, reforça a tese da subida. E o petróleo aliviou depois de Irão e EUA acordarem um roteiro de paz, o que tira pressão dos preços.
Para Portugal, nada disto é abstrato. Juros americanos mais altos puxam o dólar para cima e mexem com tudo, do crédito às tarifas de importação. Quando a maior economia do mundo aperta o cinto, o eco chega cá.
Imagem ilustrativa · Foto: William Doll II / Pexels