Oracle corta 21 mil empregos e aponta o dedo à IA
A gigante do software despediu milhares e disse-o sem rodeios: foi por causa da inteligência artificial. O debate sobre os empregos da era da IA acaba de ficar mais concreto.
Até aqui, a conversa sobre a inteligência artificial a “roubar empregos” andava sobretudo no campo da teoria. A Oracle acaba de a trazer para o mundo real: a empresa de software cortou cerca de 21 mil postos de trabalho e, no seu relatório anual, escreveu preto no branco que os despedimentos estão ligados à adoção e implementação de IA nas suas operações.
Ao mesmo tempo — e não é coincidência —, a empresa disparou o investimento em infraestrutura de IA. As despesas de capital subiram 162%, para 55,7 mil milhões de dólares. Ou seja: menos pessoas a fazer certas tarefas, muito mais máquinas e centros de dados a fazê-las.
Porque é que isto importa
É um dos primeiros casos em que uma grande empresa admite, sem rodeios, que está a substituir trabalho humano por IA. Não quer dizer que vá ser assim em todo o lado, nem ao mesmo ritmo — mas marca o tom de uma década que vai obrigar muita gente a reaprender a sua profissão. Em Portugal, onde os serviços e a tecnologia pesam cada vez mais, vale a pena olhar para isto não com pânico, mas com atenção.
Imagem: Wikimedia Commons