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Closeup of three Bitcoin coins on a shimmering gold glitter background, symbolizing digital wealth.
Negócios 22 de junho de 2026

O ouro tropeça e a Fed muda de tom: o que vigiar esta semana

Terceira semana seguida de quedas no ouro, petróleo acima dos 92 dólares e uma Reserva Federal que já fala em subir juros. O dólar agradece.

Quem anda habituado a ver o ouro só a subir levou um banho de água fria: o metal fechou a semana perto dos 4.150 dólares por onça, a terceira queda semanal seguida.

A culpa é de uma combinação que mudou de humor. Um dólar mais forte — no máximo de um ano — torna o ouro mais caro para quem compra noutras moedas, e tira-lhe brilho. Por trás disso está a grande surpresa do momento: a Reserva Federal dos EUA travou os cortes de juros e mudou de tom. Nove dos 19 responsáveis já contam com pelo menos uma subida de juros até ao fim do ano, quando em março ainda se falava em cortes. Os mercados põem agora em cerca de 70% a hipótese de uma subida até setembro.

E o petróleo?

Continua caro e nervoso. O Brent mantém-se acima dos 92 dólares e o WTI ronda os 90 — níveis altos que alimentam a inflação e, lá está, justificam a postura mais dura da Fed.

O que olhar

Esta semana saem os PMI de junho, o PIB do primeiro trimestre nos EUA e dados de expectativas de inflação. Para Portugal, a leitura indireta é o que conta: dólar forte e energia cara mexem com tudo, desde o que pagamos na bomba até ao que o Banco de Portugal escreve nos seus boletins. Não é preciso negociar ouro para sentir o efeito.

Imagem ilustrativa · Foto: Alesia Kozik / Pexels

Sede do Banco Central Europeu em Frankfurt
Negócios 29 de junho de 2026

BCE prepara nova subida de juros e a Euribor volta a doer

Os mercados apontam para duas a três subidas de taxas até ao fim do ano. A Euribor já está em máximos de 18 meses — e isso mexe com créditos e poupanças.

Depois de um longo período a descer, os juros voltaram a inverter a marcha — e desta vez para cima. Os mercados já contam com duas, possivelmente três, subidas de taxas do Banco Central Europeu até ao fim de 2026, com a taxa de depósito a poder chegar perto dos 2,75% em dezembro.

A tradução prática chega pela Euribor. No início de junho, a taxa a seis meses, a mais usada no crédito à habitação em Portugal, rondava os 2,59%, e a de doze meses os 2,85% — máximos de cerca de 18 meses. Quem tem crédito de taxa variável vai sentir a diferença na próxima revisão da prestação.

Dois lados da mesma moeda

Para quem deve, é má notícia: prestações mais altas e menos margem no orçamento familiar. Para quem poupa, há finalmente um lado bom — os depósitos a prazo e os certificados voltam a pagar juros que valem a pena olhar, depois de anos a render quase zero.

A lógica do BCE é a do costume: travar a inflação sem estrangular a economia. O equilíbrio é delicado, porque subir juros a mais arrisca arrefecer o crescimento numa altura em que a Europa ainda não está propriamente a abanar de saúde.

Para Portugal, muito endividado em taxa variável, cada décima conta. Vale a pena rever o prazo da Euribor do seu contrato e comparar com o que os bancos pagam pela poupança.

Veja também: a primeira subida de juros do BCE desde 2023 e como a Euribor mexe no crédito à habitação. As decisões e comunicados estão no site do BCE.

Imagem: Wikimedia Commons

Sam Altman, presidente executivo da OpenAI
Negócios 29 de junho de 2026

A megaronda da OpenAI reacende o medo de uma bolha na IA

Com a dona do ChatGPT avaliada em 852 mil milhões, cresce a pergunta: estarão as bolsas mundiais demasiado apoiadas numa só aposta?

Que a OpenAI fechou a maior ronda de sempre já se sabia. A pergunta que ficou a pairar nos mercados é outra, e mais incómoda: estará a inteligência artificial a inflar uma bolha do tamanho de um continente?

A conta dá vertigens. A empresa foi avaliada em cerca de 852 mil milhões de dólares, com cheques gigantes de Amazon, Nvidia e SoftBank. O problema é que boa parte da subida das bolsas mundiais nos últimos meses assenta num punhado de empresas ligadas à IA. Quando tanta esperança se concentra em tão poucos nomes, qualquer tropeção é sentido por todos.

O que isto muda para quem investe cá

Para o investidor português, a lição não é correr a comprar ações da OpenAI — que nem sequer está em bolsa. É perceber que, mesmo um fundo de índice global aparentemente diversificado, hoje está fortemente exposto a esta aposta. Se a IA não cumprir as promessas de lucro à velocidade esperada, a correção pode ser ampla.

Isto não quer dizer que seja uma bolha condenada a rebentar amanhã. Quer dizer que vale a pena olhar para a carteira e perguntar quanto dela depende, direta ou indiretamente, de uma única narrativa. Diversificar deixou de ser um conselho de manual para passar a ser higiene financeira.

Veja também: os números da ronda recorde da OpenAI. As novidades oficiais da empresa estão em openai.com.

Imagem: Wikimedia Commons

Avenida da Liberdade, Lisboa
Negócios 29 de junho de 2026

PSI perto de máximos de 16 anos: a bolsa de Lisboa está em bom momento

O índice de Lisboa soma quase 7% em quatro semanas e mais de 34% no último ano. O que está a puxar pela bolsa portuguesa?

Boa notícia para quem tem dinheiro investido na praça lisboeta: o PSI anda em forma. O índice de referência da bolsa portuguesa está a rondar os 8.900 pontos, perto de máximos que não se viam há cerca de 16 anos. E não é flor de um dia — em quatro semanas valorizou perto de 7% e, no último ano, mais de 34%. Para um índice que durante muito tempo foi a Cinderela da Europa, é um regresso ao baile e tanto.

Quem está a puxar pelo índice

O fôlego tem vindo sobretudo da banca, das utilities e das telecomunicações — os pesos-pesados que dominam a capitalização do PSI. Quando os bancos sobem com as margens ainda saudáveis e as utilities pagam bons dividendos, o índice agradece. A época de dividendos, aliás, ajuda: junho costuma trazer várias datas de pagamento que mantêm o interesse dos investidores.

Há aqui também uma maré europeia. As bolsas do velho continente têm estado animadas, e Lisboa, sendo pequena, sente bem esses ventos quando sopram a favor.

Convém manter os pés assentes

Máximos sabem sempre bem, mas valem o aviso do costume: um índice concentrado em poucos setores sobe depressa e pode corrigir com a mesma rapidez se a banca ou a energia tropeçarem. Quem investe a pensar no longo prazo faz bem em olhar para os fundamentos e não só para o gráfico. Os dados oficiais e a composição do índice podem ser consultados na Euronext Lisbon.

Veja também: o Brent nos mínimos do ano e o recorde no preço das casas.

Imagem: Wikimedia Commons

Refinaria de petróleo ao fim do dia
Negócios 29 de junho de 2026

Brent nos mínimos do ano: vem aí alívio na bomba?

Com Ormuz reaberto, o preço do petróleo desabou para perto dos 72 dólares. Boas notícias para quem enche o depósito — com a habitual letra pequena.

Quem andou a torcer o nariz ao preço dos combustíveis nas últimas semanas pode respirar um pouco. O Brent, a referência que mais conta para o que pagamos, caiu para perto dos 72 dólares por barril — o valor mais baixo desde o final de fevereiro.

O motivo é geopolítico: com o Estreito de Ormuz outra vez aberto e os petroleiros a circular, o medo de uma rutura de fornecimento esvaziou-se. Quando o mercado deixa de ter pânico, o barril desce. E quando o barril desce, mais cedo ou mais tarde isso chega à bomba.

Cuidado com a letra pequena

Antes de festejar, dois travões. Primeiro, o preço do petróleo não chega instantaneamente ao posto: há sempre um desfasamento de dias até semanas, e impostos que não mexem com o barril. Em Portugal, a fatia de impostos no litro é enorme, por isso uma queda de 5% no crude nunca se traduz numa queda de 5% no que pagamos.

Segundo, a calma é frágil. O cessar-fogo entre os EUA e o Irão continua por um fio, e basta uma faísca para o barril voltar a saltar. Quem faz contas ao orçamento familiar faria bem em não assumir que os preços baixos vieram para ficar.

Ainda assim, a direção é boa. Depois de semanas a ver os números subir, é a primeira vez em muito tempo que o vento sopra a favor de quem conduz.

Veja também: Estreito de Ormuz volta a respirar. Os preços de referência podem ser consultados na DGEG.

Imagem: Wikimedia Commons

Notas e moedas de euro
Negócios 28 de junho de 2026

Banco de Portugal: economia segura, mas inflação ainda a incomodar

O Boletim Económico de junho aponta para um mercado de trabalho favorável e mais investimento com fundos europeus, com a inflação puxada pela energia.

O Banco de Portugal abriu as cartas do meio do ano e o retrato não é mau. No Boletim Económico de junho, o supervisor descreve uma economia que se aguenta: mercado de trabalho favorável, mais investimento empurrado pela entrada de fundos europeus e uma política orçamental ainda do lado expansionista.

Traduzindo para português de cozinha: há emprego, há dinheiro a entrar para obras e projetos, e o Estado não está a apertar o cinto. Tudo somado, são ingredientes que ajudam a economia a crescer.

O senão chama-se inflação

Nem tudo são rosas. A subida dos preços em 2026 reflete, em boa parte, o encarecimento do petróleo associado à instabilidade no Médio Oriente, que afetou uma fatia importante do abastecimento mundial de energia. Quando a energia sobe, arrasta quase tudo atrás de si, da fatura da luz ao preço do que pomos no prato.

É por isto que a calmaria recente no preço do barril é tão bem-vinda. Se o petróleo se mantiver comportado, a inflação tende a abrandar, e isso sente-se diretamente no orçamento das famílias.

Para já, fica a fotografia de uma economia que vai resistindo, com um olho no emprego e nos fundos, e outro, atento, no termómetro dos preços.

Veja também: A inflação nos 3,3% e o peso da energia. Leia o Boletim Económico no Banco de Portugal.

Imagem ilustrativa · Foto: Pixabay / Pexels

Amostra de petróleo bruto
Negócios 28 de junho de 2026

Petróleo regressa a valores pré-crise e dá folga aos combustíveis

O Brent recuou para perto dos 72 dólares, de volta aos níveis anteriores ao conflito no Médio Oriente. Cá, gasolina e gasóleo devem manter-se estáveis.

Depois de semanas a saltar ao sabor das notícias do Médio Oriente, o petróleo deu finalmente um suspiro. O barril de Brent recuou para perto dos 72 a 73 dólares, regressando aos valores que tinha antes de a tensão na região disparar.

A explicação é quase mecânica: quando o mercado teme que o conflito corte o abastecimento, o preço sobe; quando o medo alivia, desce outra vez. Foi o que aconteceu nos últimos dias, com o Brent a recuar mais de cinco por cento numa sessão.

E na bomba?

A boa notícia chega com a habitual letra pequena. A descida do barril costuma demorar a chegar ao depósito, mas as estimativas apontam para estabilidade já na próxima semana: a gasolina simples 95 deve rondar os 1,877 euros por litro e o gasóleo simples os 1,769 euros. Ou seja, sem grandes sustos para já.

Vale a pena lembrar porque é que isto interessa a quem nunca olha para os mercados. O preço do petróleo entra em quase tudo: no que pagamos para encher o carro, no custo de transportar a fruta até ao supermercado e, lá mais à frente, na inflação. Quando o barril acalma, todos respiramos um bocadinho melhor.

Resta saber se a calmaria dura. Com a situação no Golfo ainda ao rubro, basta um novo abanão para o barril voltar a subir.

Veja também: Bolsas europeias e o ouro perto de máximos. Consulte a cotação do Brent na Trading Economics.

Imagem: Wikimedia Commons

Barras de ouro empilhadas
Negócios 28 de junho de 2026

Bolsas europeias caem com receio da fatura da IA; ouro perto de máximos

O Euro Stoxx 50 recua com a venda nas tecnológicas e o ouro negoceia perto dos 4.090 dólares, depois de semanas em queda.

As bolsas europeias fecharam a semana em baixa e a culpa tem nome: inteligência artificial. Não a tecnologia em si, mas a conta que ela está a gerar. Os investidores começaram a olhar com desconfiança para os milhares de milhões que as grandes tecnológicas despejam em centros de dados e chips, e perguntam quando chega o retorno.

Resultado: o Euro Stoxx 50 recuou para a zona dos 6.200 pontos, com perdas na semana, e o índice alargado Stoxx 600 seguiu o mesmo caminho. Quando as tecnológicas espirram, o resto do mercado constipa-se.

O ouro a fazer de almofada

Do outro lado da gangorra está o ouro, que negociou perto dos 4.090 dólares por onça. Ainda assim, o metal teve a quarta semana seguida de quedas, travado por um dólar forte e por um tom mais duro da Reserva Federal americana. Mesmo a recuar, continua num patamar histórico.

Para quem tem poupanças ou um PPR, a mensagem não é entrar em pânico. É perceber o ambiente: mercados nervosos, juros ainda altos e muita atenção a cada número de inflação. Semanas assim costumam ser de montanha-russa, não de linha reta.

A leitura para Portugal é indireta mas real: boa parte das nossas poupanças e fundos segue estes índices. Quando a Europa cai, sente-se também por cá.

Veja também: BCE sobe juros para 2,25% e a Euribor segue atrás.

Imagem: Wikimedia Commons

Christine Lagarde, presidente do BCE
Negócios 28 de junho de 2026

BCE sobe juros para 2,25% e a Euribor segue atrás

O Banco Central Europeu subiu a taxa para 2,25% em junho. A Euribor a 3 meses ruma aos 2,4% este ano — más notícias para quem tem crédito.

Quem tem a prestação da casa indexada à Euribor já percebeu para onde sopra o vento. O Banco Central Europeu subiu a taxa diretora de 2,00% para 2,25% em junho, e a Euribor, que segue de perto as decisões de Frankfurt, acompanha o movimento.

A previsão é de uma subida gradual: a Euribor a 3 meses deve passar dos 2,2% de 2025 para cerca de 2,4% este ano, 2,8% em 2027 e estabilizar nos 2,7% em 2028. Nada de saltos dramáticos, mas o suficiente para mexer no orçamento mensal de quem tem crédito.

O que fazer com isto

Para quem está a pagar casa, vale a pena fazer as contas: simular a prestação com a Euribor um pouco acima e, se fizer sentido, falar com o banco sobre prazos ou condições. Para quem está a poupar, os depósitos podem voltar a ganhar algum brilho.

O contexto também ajuda a explicar a decisão: com a energia a pressionar os preços, o BCE prefere manter a guarda alta.

Veja também: a inflação nos 3,3% e o mercado da habitação. As decisões saem do Banco Central Europeu.

Imagem: Wikimedia Commons

Sede do Banco de Portugal
Negócios 28 de junho de 2026

Inflação fica nos 3,3% e a energia continua a mandar

A inflação em Portugal manteve-se nos 3,3% em maio, com a energia a disparar 13,1%. O Banco de Portugal alerta para rendimento real mais fraco.

A inflação não está a fugir, mas também não larga. Em maio, os preços subiram 3,3% face ao ano anterior, o mesmo ritmo do mês anterior e o valor mais alto desde setembro de 2023. O grande culpado tem nome: energia, a disparar 13,1%, empurrada pela guerra no Médio Oriente e pelas tensões no Estreito de Ormuz.

Há, ainda assim, uma nota mais calma. A inflação subjacente, que tira a energia e os alimentos não transformados da conta, manteve-se nos 2,2% pelo segundo mês seguido. Já os serviços aceleraram ligeiramente, dos 3,2% para os 3,4%.

O aviso do Banco de Portugal

No Boletim Económico de junho, o Banco de Portugal sublinha o óbvio mas incómodo: esta subida temporária dos preços come parte do crescimento do rendimento real este ano. Por outras palavras, mesmo com salários a subir, o poder de compra sente o aperto.

Para as famílias, o recado prático é gerir com margem: a energia continua a ser a variável mais imprevisível, e enquanto Ormuz estiver tenso, é por aí que vêm os sustos.

Veja também: o navio atingido em Ormuz e a subida de juros do BCE. Dados oficiais no Banco de Portugal e no INE.

Imagem: Wikimedia Commons

Sede do Banco de Portugal, em Lisboa
Negócios 27 de junho de 2026

Banco de Portugal: economia a crescer 1,8%, mas com a inflação a incomodar

O Boletim Económico de junho mantém o crescimento em 1,8% para 2026 e revê a inflação em alta, para 3,1%. O conflito internacional pesa nas contas.

O Banco de Portugal abriu as cartas no seu Boletim Económico de junho, e a leitura é a de uma economia que continua a crescer, mas com um senão cada vez mais ruidoso: a inflação não dá tréguas como se esperava.

Comecemos pelo lado bom. A previsão de crescimento do PIB mantém-se nos 1,8% para 2026, com 1,6% em 2027 e 1,8% em 2028 a fechar o horizonte. Não é um número espetacular, mas é crescimento sólido e acima da média da Zona Euro, que o BCE entretanto reviu em baixa para uns modestos 0,8% este ano. O motor continua a ser o investimento, dinamizado pela maior chegada de fundos europeus, e um mercado de trabalho que se mantém favorável.

O problema está nos preços. O banco central reviu a inflação em alta, para 3,1% em 2026 — mais três décimas do que projetava em março —, antes de prever um regresso a valores mais perto dos 2% nos anos seguintes (2,4% em 2027 e 2,0% em 2028). Por trás desta revisão está, sobretudo, a energia: o conflito internacional fez disparar a incerteza e empurrou para cima os pressupostos do preço do petróleo.

Por outras palavras, é o velho dilema. A economia segue em frente, cria emprego e atrai investimento, mas o custo de vida continua a corroer parte desses ganhos no bolso das famílias. Quem faz contas ao fim do mês sente bem essa diferença entre os números agregados e o preço do cabaz no supermercado.

Há ainda uma nota mais animadora nas contas públicas: o Banco de Portugal mostrou-se mais otimista quanto ao défice, sinal de que o esforço orçamental dos últimos anos não se perdeu pelo caminho. Mas o recado de fundo é de prudência. Num ano marcado por tensões geopolíticas e energia volátil, as projeções valem o que valem — e podem mudar à próxima revisão. Por agora, fica o retrato de uma economia resiliente, mas a olhar de soslaio para a inflação.

Imagem: Wikimedia Commons

Ecrã com análise de mercados e tendências de preços
Negócios 27 de junho de 2026

FMI corta a previsão de crescimento de Portugal para 1,7% — mas vê as contas certinhas

O Fundo Monetário Internacional reviu em baixa o crescimento da economia portuguesa este ano, ao mesmo tempo que prevê um saldo orçamental nulo.

Há aqui duas notícias e elas puxam para lados diferentes, por isso vale a pena ler com calma.

A primeira: o Fundo Monetário Internacional voltou a cortar a previsão de crescimento da economia portuguesa para este ano, de 1,9% para 1,7%. Não é um descalabro — é um arrefecimento, sinal de que a engrenagem não acelera ao ritmo que muitos esperavam.

A segunda, mais animadora: o mesmo FMI prevê que Portugal feche o ano com um saldo orçamental nulo, melhor do que o pequeno défice de 0,1% do PIB que apontava em abril. Por outras palavras, o país gasta sensivelmente o que arrecada — uma raridade histórica que há uns anos parecia ficção.

Dois retratos do mesmo país

Como é que cabem na mesma frase um corte no crescimento e contas equilibradas? Porque medem coisas diferentes. O crescimento diz-nos quão depressa a economia engorda; o saldo orçamental diz-nos se o Estado vive dentro das suas posses. Dá para ter o segundo arrumado e, ainda assim, andar a meio-gás no primeiro.

Convém também não esquecer que cada instituição tem o seu termómetro. O Banco de Portugal está mais otimista no curto prazo, apoiado na chegada de fundos europeus e num mercado de trabalho que se mantém robusto. O FMI, mais cauteloso, olha para os riscos lá fora — o Médio Oriente à cabeça.

O que fica

Para quem está em casa, a tradução é simples: nada de drama, mas também nada de festa. A economia continua a crescer, só que mais devagar; e o Estado, pelo menos no papel, está a equilibrar o livro de contas. Numa Europa cheia de défices, não é mau bilhete de visita.

Imagem ilustrativa · Foto: Alesia Kozik / Pexels

Notas de euro empilhadas
Negócios 27 de junho de 2026

Inflação teima nos 3,3% — e a culpa é (outra vez) da energia

Os preços em Portugal continuam a subir 3,3% ao ano, puxados por uma escalada de 13% na energia ligada à tensão no Médio Oriente.

Se sente que o dinheiro rende menos do que há um ano, não é impressão. A inflação em Portugal manteve-se em 3,3% em maio, um dos valores mais altos desde 2023 — e o grande responsável volta a ser a energia.

Os custos energéticos dispararam cerca de 13% no espaço de um ano, empurrados pela tensão no Médio Oriente e pelos sustos à volta do Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo do mundo. Quando o barril sobe lá fora, a fatura chega cá dentro — primeiro aos combustíveis, depois a quase tudo o resto, porque transportar bens também custa mais.

O que esperar

A boa notícia é que as previsões apontam para um arrefecimento: os economistas esperam a inflação anual perto dos 3% em 2026 e a descer para os 2,3% em 2027. Ou seja, os preços ainda sobem, mas devem subir mais devagar.

Para o dia a dia, a tradução é simples. Vale a pena comparar tarifários de luz e gás, porque é aí que está a maior pressão. E quem tem poupanças sente a mordidela: com a inflação acima dos 3%, o dinheiro parado no banco perde valor real todos os meses.

Não é cenário de pânico — a economia continua a crescer e o desemprego está baixo —, mas é um lembrete de que a energia, lá longe, continua a mandar no orçamento cá de casa.

Imagem ilustrativa · Foto: Pixabay / Pexels

Barras e moedas de ouro empilhadas
Negócios 27 de junho de 2026

Ouro perde o brilho: longe do recorde de janeiro à boleia da paz com o Irão

Depois de bater máximos históricos no início do ano, o ouro recuou bem. O que mudou — e o que dizem os investidores.

Quem comprou ouro no início do ano a pensar que ia subir para sempre teve uma lição rápida sobre os mercados: nada sobe em linha reta. O metal que parecia imparável em janeiro perdeu boa parte do fulgor e anda agora bem mais discreto.

A 28 de janeiro, o ouro tocou um recorde histórico, perto dos 5.600 dólares por onça, empurrado por uma tempestade perfeita: incerteza geopolítica, inflação alta e bancos centrais a comprar como nunca. Cinco meses depois, a história é outra. Esta semana o ouro negoceia à volta dos 4.090 dólares, o que representa uma queda de quase 20% face ao pico e cerca de 5% no acumulado do ano.

O que esfriou o entusiasmo

A explicação curta cabe numa palavra: paz. Os sinais de desanuviamento entre os Estados Unidos e o Irão tiraram parte do medo que tinha levado tanta gente a refugiar-se no ouro. Quando o mundo respira mais aliviado, o chamado ativo-refúgio perde apelo, porque os investidores voltam a arriscar noutros sítios à procura de mais retorno.

Isto não quer dizer que o ouro tenha deixado de ser interessante. Para muitas carteiras, continua a ser um seguro contra surpresas — e bastam umas semanas de nervosismo para o brilho voltar. A lição, mais uma vez, é a de sempre: o ouro protege, mas não é bilhete de lotaria.

Os preços de referência podem ser acompanhados no World Gold Council, o organismo oficial do setor.

Veja também: Petróleo abranda e dá um respiro à carteira e a inflação que teima nos 3,3%.

Imagem ilustrativa · Foto: Zlaťáky.cz / Pexels

Vista de uma grande refinaria de petróleo com tubagens
Negócios 27 de junho de 2026

Petróleo abranda e dá um respiro à carteira: o medo de Ormuz arrefeceu

O Brent recuou para perto dos 72 dólares com o alívio das tensões no Estreito de Ormuz. O que isso significa para os combustíveis em Portugal.

Lembra-se das semanas em que cada notícia do Golfo fazia o preço do gasóleo dar um salto? Pois é, o filme está a mudar — e desta vez para melhor.

O barril de Brent recuou para perto dos 72 dólares, e o WTI americano para a casa dos 69, depois de o mercado perceber que o petróleo continua, afinal, a passar pelo Estreito de Ormuz. A Saudi Aramco retomou os carregamentos no terminal de Ras Tanura após quase quatro meses parado, e a sensação de que o crude vai mesmo continuar a circular tirou pressão dos preços.

Porque é que isto nos toca

Portugal não tem poços de petróleo, mas tem depósitos para encher e contas de luz para pagar. Quando o barril dispara por causa de uma crise geopolítica, sentimo-lo na bomba poucos dias depois. Quando arrefece, o alívio também chega — embora, convenhamos, sempre mais devagar do que gostaríamos.

A leitura dos analistas é quase irónica: depois de meses a falar em rutura de abastecimento, o que está agora em cima da mesa é o oposto — um possível excesso de oferta, com a China ainda sem recuperar totalmente o apetite por importações. Demasiado petróleo à procura de comprador costuma significar preços em baixa.

O senão

Nada disto é garantido. O Médio Oriente continua a ser a grande variável imprevisível, e o próprio Banco de Portugal já avisou que os principais riscos para a inflação cá dentro vêm precisamente daquele tabuleiro. Um novo sobressalto em Ormuz e o filme rebobina depressa.

Por agora, fica a boa notícia rara: um fator que andou meses a empurrar os preços para cima está, finalmente, a empurrar para o outro lado.

Imagem ilustrativa · Foto: Jakub Pabis / Pexels