O ouro tropeça e a Fed muda de tom: o que vigiar esta semana
Terceira semana seguida de quedas no ouro, petróleo acima dos 92 dólares e uma Reserva Federal que já fala em subir juros. O dólar agradece.
Quem anda habituado a ver o ouro só a subir levou um banho de água fria: o metal fechou a semana perto dos 4.150 dólares por onça, a terceira queda semanal seguida.
A culpa é de uma combinação que mudou de humor. Um dólar mais forte — no máximo de um ano — torna o ouro mais caro para quem compra noutras moedas, e tira-lhe brilho. Por trás disso está a grande surpresa do momento: a Reserva Federal dos EUA travou os cortes de juros e mudou de tom. Nove dos 19 responsáveis já contam com pelo menos uma subida de juros até ao fim do ano, quando em março ainda se falava em cortes. Os mercados põem agora em cerca de 70% a hipótese de uma subida até setembro.
E o petróleo?
Continua caro e nervoso. O Brent mantém-se acima dos 92 dólares e o WTI ronda os 90 — níveis altos que alimentam a inflação e, lá está, justificam a postura mais dura da Fed.
O que olhar
Esta semana saem os PMI de junho, o PIB do primeiro trimestre nos EUA e dados de expectativas de inflação. Para Portugal, a leitura indireta é o que conta: dólar forte e energia cara mexem com tudo, desde o que pagamos na bomba até ao que o Banco de Portugal escreve nos seus boletins. Não é preciso negociar ouro para sentir o efeito.
Imagem ilustrativa · Foto: Alesia Kozik / Pexels