Ouro perde o brilho: longe do recorde de janeiro à boleia da paz com o Irão
Depois de bater máximos históricos no início do ano, o ouro recuou bem. O que mudou — e o que dizem os investidores.
Quem comprou ouro no início do ano a pensar que ia subir para sempre teve uma lição rápida sobre os mercados: nada sobe em linha reta. O metal que parecia imparável em janeiro perdeu boa parte do fulgor e anda agora bem mais discreto.
A 28 de janeiro, o ouro tocou um recorde histórico, perto dos 5.600 dólares por onça, empurrado por uma tempestade perfeita: incerteza geopolítica, inflação alta e bancos centrais a comprar como nunca. Cinco meses depois, a história é outra. Esta semana o ouro negoceia à volta dos 4.090 dólares, o que representa uma queda de quase 20% face ao pico e cerca de 5% no acumulado do ano.
O que esfriou o entusiasmo
A explicação curta cabe numa palavra: paz. Os sinais de desanuviamento entre os Estados Unidos e o Irão tiraram parte do medo que tinha levado tanta gente a refugiar-se no ouro. Quando o mundo respira mais aliviado, o chamado ativo-refúgio perde apelo, porque os investidores voltam a arriscar noutros sítios à procura de mais retorno.
Isto não quer dizer que o ouro tenha deixado de ser interessante. Para muitas carteiras, continua a ser um seguro contra surpresas — e bastam umas semanas de nervosismo para o brilho voltar. A lição, mais uma vez, é a de sempre: o ouro protege, mas não é bilhete de lotaria.
Os preços de referência podem ser acompanhados no World Gold Council, o organismo oficial do setor.
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