Portugal nas bocas do FMI e da OCDE — e a conta bate certo
Crescimento acima da média europeia, terceiro excedente seguido, dívida abaixo de 90%. Os relatórios de junho dão boas notas, mas há um 'mas'.
Há uns anos, “Portugal” e “relatório do FMI” na mesma frase davam arrepios. Em junho de 2026, a história é outra. Tanto a OCDE como o Fundo Monetário Internacional fecharam as suas avaliações anuais com um tom que, traduzido do economês, dá mais ou menos isto: bom trabalho, continuem.
E os números explicam porquê. No primeiro trimestre, a economia cresceu 2,3% face ao ano anterior — acima da média da zona euro, outra vez. As contas públicas fecharam com o terceiro excedente seguido, e a dívida pública caiu para baixo dos 90% do PIB. Quem se lembra dos 134% de 2020 percebe o tamanho da viragem.
Onde está o “mas”
A inflação, que andava controlada, deu um salto para 2,7% em março, empurrada pela conta da energia lá fora. O desemprego está baixo (à volta dos 6%) e deve descer mais um bocadinho. O verdadeiro calcanhar de Aquiles continua a ser a habitação: os preços a subir mais depressa do que os salários tiram o sono a muita gente — e isso nenhum relatório bonito resolve sozinho.
O que fica
Portugal está num bom momento, com investimento a puxar pelo crescimento e confiança a aumentar. O teste a seguir é manter o passo quando o dinheiro europeu do PRR deixar de empurrar. Boa notícia: por agora, a economia está a andar pelo seu próprio pé.
Imagem ilustrativa · Foto: Mizuno K / Pexels