Portugal foi "economia do ano" — mas há um penhasco marcado para 30 de junho
Crescimento acima da média europeia, emprego e bolsa em alta. A parte menos falada: o dinheiro do PRR acaba de repente no fim do mês, e isso pode pesar.
Vamos começar pelas boas notícias, que há muitas. Portugal fechou 2025 com fama de aluno exemplar: crescimento acima da média europeia, emprego a aumentar, preços mais comportados e uma bolsa a valorizar. Houve até quem o apontasse como uma das economias do ano. Para um país habituado a ouvir más notícias da Europa, soube bem.
Mas convém não embalar de mais. Há um detalhe no calendário que merece atenção: o PRR — aquela bicha enorme de fundos europeus que andou a financiar obras e investimento — tem data de validade. Acelera neste primeiro semestre e depois pára, de forma abrupta, a 30 de junho.
O risco é simples de perceber. Quando uma torneira dessas fecha de repente, o investimento público pode encolher e algum emprego ligado a esses projetos pode ressentir-se na segunda metade do ano. Junte-se a isso a fraqueza de parceiros como a Alemanha e a França, que nos compram muito, e percebe-se a cautela.
O que retemos
Portugal está num bom momento, mas com um teste pela frente: provar que a economia anda sozinha quando o apoio europeu deixar de empurrar. Não é altura para alarme — é altura para olhar bem para onde se gasta e onde se investe.
Imagem ilustrativa · Foto: Leeloo The First / Pexels