Há Novas 7 Maravilhas de Portugal. Todas ficam de Leiria para sul
Castelo de Leiria, Sé de Lisboa, ruínas de São Cucufate, Aqueduto da Usseira, Mercados de Olhão, Tiago Cabaço Winery e Jardim do Paço Episcopal de Castelo Branco venceram as sete categorias na gala de sábado, em Sintra. O Norte e as ilhas não colocaram nenhum na lista.
As Novas 7 Maravilhas de Portugal já têm nome. E a geografia da lista conta quase tanta história como os vencedores.
A votação fechou na noite de sábado, no Palácio Nacional de Sintra. O Castelo de Leiria ganhou a categoria Castelos e a Sé de Lisboa a de Religião. As ruínas romanas de São Cucufate, em Vila de Frades, no concelho da Vidigueira, levaram a categoria História, e o Aqueduto da Usseira, em Óbidos, venceu em Grandes Obras. Os Mercados de Olhão representam o Século XX. A Tiago Cabaço Winery, uma adega em Estremoz, ficou com o Século XXI. E o Jardim do Paço Episcopal de Castelo Branco fechou a lista pelo Turismo.
Chegaram à final 21 candidatos, três por cada uma das sete categorias, depois de um percurso que arrancou com mais de seiscentas inscrições e passou por finais regionais em Amarante, Anadia, Santarém e na ilha do Faial, entre outras. Quem decidiu foi o público: cada voto custou um euro mais IVA, por chamada telefónica ou pela aplicação da estação que transmitiu o concurso, com auditoria externa em todas as fases.
Um mapa que cai todo para sul
Leiria. Óbidos. Vidigueira. Lisboa. Olhão. Estremoz. Castelo Branco. Ponha os sete num mapa e não há um único a norte de Leiria.
A conta por regiões fica assim: três no Centro, dois no Alentejo, um em Lisboa e um no Algarve. O Norte disputou a sua final regional em Amarante e não colocou nada na lista final. Os Açores e a Madeira também tiveram meias-finais próprias e ficaram igualmente de fora.
Não é um veredicto sobre o valor do património do Minho, do Douro ou de Trás-os-Montes, e convém dizê-lo. Num concurso decidido por voto pago, o resultado mede mobilização tanto quanto pedra e cal: quantas pessoas uma câmara, uma paróquia ou uma associação conseguiu pôr a marcar o número durante a emissão. Leiria fez campanha durante semanas. Olhão, com os seus dois mercados gémeos de 1916 à beira da ria, também.
Vale a pena reparar no que a lista premiou. Duas das sete são construções vivas e recentes — uma adega em funcionamento e um par de mercados municipais onde ainda se vende peixe. As outras cinco são património clássico, do romano ao gótico. A organização ainda não publicou uma página oficial de vencedores — à hora a que escrevemos, o site do concurso continua a mostrar apenas os candidatos —, mas a lista completa dos 147 patrimónios que estiveram a concurso está lá, e dá boas ideias de viagem para quem quiser discordar do resultado por conta própria.
A primeira edição do concurso foi a 7 de julho de 2007. Dezanove anos depois, o país voltou a votar — e escolheu um mapa bastante mais curto do que o território.
Por Lucy Bennett
Imagem: Joseolgon / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)