EUA atacam o Irão pela quarta noite seguida — e a mira está em Ormuz
Os EUA lançaram uma segunda vaga de ataques contra alvos militares iranianos na ilha da Grande Tunb, a quarta noite consecutiva de bombardeamentos, para proteger a navegação no Estreito de Ormuz.
Quarta noite, mesma guerra. Os Estados Unidos voltaram a bombardear o Irão na noite de quarta-feira, numa segunda vaga de ataques que arrancou às 20:00 de Lisboa e que, desta vez, teve um alvo muito claro: a capacidade iraniana de ameaçar os navios que passam no Estreito de Ormuz.
O que atingiram os EUA no Irão esta noite?
Segundo o Comando Central norte-americano, foram usadas munições de precisão contra sistemas de defesa costeira, depósitos e plataformas de lançamento de mísseis de cruzeiro na ilha da Grande Tunb, no Golfo Pérsico. É uma ilha minúscula, mas fica mesmo à entrada do estreito por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — e é daí que Teerão consegue apontar às rotas comerciais. Os comunicados oficiais da operação estão no site do CENTCOM.
A lógica é a mesma que Washington tem repetido desde que Trump declarou o cessar-fogo acabado no início da semana: degradar, noite após noite, aquilo que o Irão pode usar contra a navegação. Na segunda-feira os alvos tinham sido bases e infraestruturas em Bushehr, Chah Bahar, Jask, Konarak, Abu Musa e Bandar Abbas.
Porque é que Ormuz importa tanto?
Porque é o gargalo energético do planeta — e porque o preço de tudo o resto começa ali. O Brent já anda acima dos 84 dólares e acumulou mais de 10% numa semana, com o bloqueio à navegação a fazer o resto. Para quem está em Portugal, a tradução chega na bomba de combustível e na fatura da energia, como aconteceu nas escaladas anteriores.
Do lado iraniano, a resposta até agora tem sido dispersa — depois de a maior retaliação ter atingido bases dos EUA no Qatar, EAU, Bahrein e Kuwait, Teerão reivindicou esta semana ataques no Kuwait e na Jordânia. Nada indica que a escalada abrande: sem canal diplomático à vista, cada noite tem trazido uma nova lista de alvos. E enquanto isso, meio mundo olha para o mapa do Golfo com o coração apertado.
Por Marta Carneiro
Imagem: U.S. Navy / Wikimedia Commons (domínio público)