Incêndio no Gerês: fogo em Xertelo nasceu em três pontos e queimou cerca de 200 hectares
Incêndio no Parque Nacional da Peneda-Gerês, em Xertelo, Montalegre, começou em três focos distintos e ardeu cerca de 200 hectares de reserva da biosfera.
O incêndio que atingiu o Parque Nacional da Peneda-Gerês, em Xertelo, no concelho de Montalegre, consumiu cerca de 200 hectares e entrou em resolução ao final de terça-feira. O detalhe que preocupa as autoridades não é só a área ardida — é a forma como o fogo nasceu.
Como começou o incêndio no Gerês?
As chamas deflagraram por volta das 21h de segunda-feira em três locais distintos, praticamente em simultâneo — um padrão que levanta suspeitas sobre a origem e que está a ser analisado pelas autoridades. O fogo lavrou sobretudo em zona de mato, mas dentro do único parque nacional do país, em área classificada como reserva da biosfera pela UNESCO, no distrito de Vila Real.
No pico do combate estiveram no terreno mais de uma centena de operacionais, apoiados por nove meios aéreos. Ao início da noite de terça-feira a Proteção Civil dava o incêndio em resolução, mantendo-se no local dezenas de bombeiros e viaturas em vigilância ativa — nesta época, um rescaldo mal vigiado é meio caminho para uma reacendida. O ponto de situação das ocorrências pode ser acompanhado no site da Proteção Civil.
Porque é que esta área é tão sensível?
A Peneda-Gerês guarda habitats e espécies que não existem em mais lado nenhum em Portugal, e cada hectare de reserva da biosfera que arde demora décadas a recuperar. O episódio chega poucas semanas depois de o país ter entrado oficialmente na época de incêndios, em estado de alerta — e serve de lembrete de que, no verão, o Gerês é património a proteger, não paisagem garantida.
Por Marta Carneiro
Imagem: manjerix / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)