Este ano arderam menos 185 mil hectares do que em 2025. Deflagraram mais 748 incêndios
Os dados do SGIFR até 18 de agosto contam 6.572 fogos e 60.572 hectares ardidos. A área é um quarto da do ano passado, o número de ocorrências é o mais alto dos últimos quatro anos, e mais de metade aconteceu em dias de risco baixo ou moderado.
Entre 1 de janeiro e a passada terça-feira arderam 60.572 hectares de mato e floresta em Portugal, num total de 6.572 incêndios rurais. Os números são do portal do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais, gerido pela AGIF, e contam duas histórias ao mesmo tempo.
A primeira é boa. No mesmo período de 2025 tinham ardido 245.760 hectares — quer dizer que este ano arderam menos 185 mil hectares, e que a área queimada é pouco mais de um quarto da do verão passado.
A segunda é menos. Os fogos em si aumentaram: eram 5.824 no ano passado à mesma altura, são 6.572 agora. São mais 748 ocorrências, uma subida de 13%, e o valor mais alto dos últimos quatro anos. A tendência vinha a descer desde 2022 e este ano inverteu-se.
O Norte concentra quase seis em cada dez hectares
A geografia do fogo em 2026 é bastante desigual. O Norte leva 34.929 hectares, o Centro 20.452 e o Alentejo 3.335 — as três regiões juntas explicam 97% de tudo o que ardeu. Só o Norte vale 58% do total nacional, e é também onde deflagraram mais fogos, 3.422. Segue-se o Centro com 1.177 e Lisboa e Vale do Tejo com 1.006.
Vale a pena reter a diferença entre as duas listas. Lisboa e Vale do Tejo aparece no top três das ocorrências e em lado nenhum na área ardida, o que quer dizer que ali se pega fogo com frequência e se apaga cedo. No Norte não.
A parte que incomoda: os dias calmos
O SGIFR nota que mais de metade dos incêndios, e mais de metade da área ardida, aconteceram em dias classificados como de risco baixo ou moderado. Não em dias de perigo máximo com a serra a estalar — em dias normais.
Isso muda a leitura habitual. É fácil olhar para um verão de recordes de calor e concluir que o problema é o tempo; estes dados sugerem que uma boa fatia do problema continua a ser o comportamento em dias em que ninguém está particularmente alerta. Entre os fogos investigados, as principais causas apuradas são o uso do fogo, o acidente e o incendiarismo.
Em termos históricos, 2026 é o quinto pior ano da década em área ardida, atrás de 2017, 2025, 2016 e 2022. Não é um ano mau; é um ano médio num período em que a média já subiu.
Nos últimos dias o dispositivo esteve concentrado no Norte e no Centro, com três fogos em Moncorvo, Arouca e Santo Tirso a mobilizarem quase mil operacionais, e a semana anterior tinha ficado marcada pelo incêndio de Vinhais que feriu cinco bombeiros.
Por Marta Carneiro
Infografia: Tugadaily · dados SGIFR/AGIF