Moncorvo, Arouca e Santo Tirso continuam por dominar ao fim do dia
Ao início da tarde de terça-feira havia 968 operacionais só nestes três fogos, com o de Cabeça Boa, em Torre de Moncorvo, a puxar 413 homens, 135 veículos e cinco meios aéreos. O IPMA manteve nove distritos em aviso laranja até às 18h00.
Três fogos concentraram quase mil operacionais esta terça-feira, e nenhum deles estava dominado ao fim da tarde. O maior lavrava em Cabeça Boa, no concelho de Torre de Moncorvo, distrito de Bragança: às 13h10 tinha 413 operacionais, 135 veículos e cinco meios aéreos, mais meios do que qualquer outra ocorrência no país.
Em Arouca, distrito de Aveiro, o incêndio que começou na noite de segunda-feira nas freguesias de Cabreiros e Albergaria da Serra ocupava 342 elementos das forças de socorro e segurança, com 103 veículos e sete meios aéreos. O terceiro, em Rebordões, no concelho de Santo Tirso, tinha 213 operacionais e 67 viaturas. Somados, dão 968 pessoas no terreno em três frentes que ficam a menos de duas horas de carro umas das outras.
Porque é que estes dias são os piores
O calor voltou a apertar no Norte e no interior. O IPMA manteve nove distritos de Portugal continental sob aviso laranja até às 18h00 de terça-feira, e é essa combinação — temperatura alta, humidade baixa, vento a mudar de direção ao início da tarde — que transforma uma ocorrência controlada numa reativação em poucos minutos.
O contexto não ajuda. Julho foi o mês mais seco deste século e a seca chegou a todo o continente, o que deixou o combustível vegetal pronto a arder muito antes de agosto. E o problema não é só português: metade do território da UE esteve em seca em julho, e já ardeu mais este ano no espaço europeu do que em todo o ano passado.
O que fazer se mora perto de uma das frentes
Se está numa das freguesias afetadas, mantenha as janelas e as portas fechadas para o fumo não entrar, tenha o carro virado para a saída e não espere pela ordem de evacuação para preparar o essencial. Não circule em estradas florestais para ir ver o fogo: cada carro parado numa via estreita é um veículo de combate que não passa. Ligue 112 apenas para emergências e deixe as linhas livres.
O balanço da noite depende do vento. É a essa hora, quando a temperatura desce e a humidade sobe, que as corporações tentam fechar os perímetros — e é também quando os meios aéreos deixam de poder voar.
Por Marta Carneiro
Infografia: Tugadaily · dados ANEPC