As caravelas-portuguesas fecharam as praias de San Sebastián (e picam mesmo já na areia)
Foram cerca de 120 assistências num só dia nas praias da cidade basca, com bandeira vermelha na Concha, em Ondarreta e na Zurriola. O município reavalia a situação, no máximo, de duas em duas horas.
Chamam-se caravelas-portuguesas e nem sequer são alforrecas. São colónias flutuantes, com um tentáculo que pode arrastar-se por metros, e este mês encheram a costa de Guipúscoa ao ponto de os nadadores-salvadores hastearem bandeira vermelha em plena época balnear.
O pico foi a 4 de agosto. Nas praias de San Sebastián registaram-se cerca de 120 assistências por picadas num único dia, a esmagadora maioria delas ligeiras, segundo o município. Nos dias anteriores houve casos mais sérios: um banhista hospitalizado em Getaria depois de várias picadas, uma mulher assistida por ambulância em Zarautz. As equipas de emergência também prestaram socorro em Zurriola, Mutriku e Zumaia, quase sempre no local.
O banho chegou a estar proibido na Concha, em Ondarreta e na Zurriola — as três praias que qualquer visitante de San Sebastián conhece de nome.
Porque é que apareceram agora
A explicação dos especialistas junta duas coisas: ventos persistentes de nordeste, que empurram as colónias para a costa, e uma temperatura da água invulgarmente alta para a região, à volta dos 24,8 graus. Não é um verão qualquer no mar Cantábrico, e o julho mais seco e mais quente do século em Portugal faz parte do mesmo quadro ibérico.
O alerta subiu nos últimos dias porque começaram a chegar exemplares maiores, com tentáculos mais longos e, portanto, mais capacidade de libertar toxinas.
O que fazer se der de caras com uma
A primeira regra é a menos intuitiva: uma caravela encalhada e aparentemente morta continua a ter veneno ativo. Não se toca, nem com o pé, nem para a devolver ao mar.
Se houver picada, as autoridades de saúde recomendam lavar a zona apenas com água do mar — nunca com água doce — e procurar de imediato o posto de socorro da praia.
O protocolo municipal, atualizado no ano passado, ajusta a resposta ao risco real: bandeira amarela acompanhada da bandeira de medusas permite banho com precaução, e a vermelha fica reservada para situações de maior perigo. A situação é reavaliada, no máximo, de duas em duas horas, e o protocolo está publicado no site da câmara de Donostia. Foi por isso que, na manhã seguinte ao pico, as praias já tinham reaberto.
Por Marta Carneiro
Imagem: Santamarcanda / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)