Cerca de 200 pessoas retiradas de casas e hotéis num incêndio acima do Lago de Garda
As chamas subiram a encosta em Tignale, na margem oeste do lago, empurradas pelo vento e por semanas sem chuva. Dois Canadair foram mobilizados para o combate.
Cerca de 200 pessoas foram retiradas de casas e alojamentos turísticos na noite de sexta-feira, depois de um incêndio ter deflagrado por volta das 21h15 na encosta de Olzano, acima de Tignale, na margem oeste do Lago de Garda, no norte de Itália.
Muitos dos retirados eram turistas. Estamos em agosto e aquela faixa do lago vive praticamente só disso: são aldeias penduradas na encosta, com estrada estreita, casas de férias e pequenos hotéis entre o pinhal e a água.
Vento e semanas sem chuva
As autoridades italianas apontam a combinação habitual e conhecida: vento forte a empurrar as chamas encosta acima e vegetação extremamente seca ao fim de semanas de seca. Dois aviões Canadair e dois helicópteros foram mobilizados para o combate, o recurso a que Itália recorre quando o fogo se instala em terreno demasiado inclinado para os meios terrestres. Estiveram no terreno mais de 80 operacionais, entre bombeiros, equipas de proteção civil e carabineiros florestais.
Ao fim de cerca de 13 horas de trabalho, o fogo foi dado como dominado e as casas ficaram fora de perigo. Os retirados já regressaram e, este domingo, prosseguiam as operações de rescaldo no pinhal de Olzano. As estimativas provisórias apontam para cerca de 45 hectares de floresta ardida.
O incêndio surge numa altura em que boa parte do país está sob alerta vermelho por calor. É a mesma equação que se repete de um lado ao outro do Mediterrâneo neste verão, e que já obrigou Portugal a ativar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil para pedir meios aéreos emprestados.
Porque é que isto nos diz respeito
Não é só solidariedade à distância. O Lago de Garda é um dos destinos europeus de verão mais procurados por portugueses, e uma retirada em época alta tem consequências práticas para quem tem viagem marcada: estradas cortadas, alojamentos evacuados, alterações de última hora.
E há a leitura mais incómoda. Portugal leva um ano de incêndios muito acima da média da última década, com o interior norte e centro a concentrar a maior parte da área ardida. Ver o mesmo padrão a repetir-se nos Alpes italianos, num sítio que a maioria das pessoas associa a lagos e não a fogo, é um lembrete de que a geografia do risco está a mudar mais depressa do que os mapas.
A Proteção Civil italiana mantém informação atualizada sobre alertas e operações em curso no seu portal oficial.
Por Marta Carneiro
Imagem: Syrio / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)