O Uganda deu alta ao último doente com Ébola e começou a contar 42 dias
O Uganda teve alta do último doente com Ébola a 16 de julho e arrancou a contagem decrescente de 42 dias para declarar o surto terminado. Foram 20 casos confirmados e duas mortes desde maio.
O Uganda deu alta ao último doente internado com Ébola na quinta-feira e, com ele fora do hospital, arrancou o relógio que interessa: 42 dias sem um novo caso confirmado e o surto pode ser declarado terminado.
Porquê 42 dias?
Porque correspondem a dois períodos máximos de incubação do vírus. É a regra da Organização Mundial da Saúde para ter a certeza de que a cadeia de transmissão está mesmo quebrada, e não apenas em pausa. Se aparecer um novo caso confirmado durante esse período, a contagem volta ao dia zero — foi isso que aconteceu noutros surtos e é por isso que ninguém abre champanhe já.
Qual foi a dimensão do surto?
Mais pequena do que se temeu. Declarado a 15 de maio, o surto fechou com 20 casos confirmados e duas mortes até 16 de julho. Quinze desses casos foram importados da República Democrática do Congo e cinco foram contágios locais. O ministro da Saúde ugandês, Chris Baryomunsi, fez o anúncio ao lado do representante da OMS no país. A estirpe em causa é a Bundibugyo, não a do Sudão.
O contraste com o vizinho é o que preocupa. Enquanto o Uganda conta os dias, o surto continua a alastrar no leste da RD Congo, que é precisamente de onde vieram três quartos dos casos ugandeses — o que explica porque é que a vigilância na fronteira não pode afrouxar agora. Os boletins são atualizados pela OMS-África.
Por Marta Carneiro
Imagem: Wikimedia Commons (domínio público)