Os EUA estão a um passo de acabar com a mudança da hora — e a Europa sabe bem como isso é difícil
A Câmara dos Representantes dos EUA aprovou por 308-117 o horário de verão permanente. Falta o Senado — e a Europa, que prometeu o mesmo em 2019, continua a mudar os relógios.
Os Estados Unidos deram esta semana o passo mais sério de sempre para acabar com o ritual de mudar os relógios duas vezes por ano. A Câmara dos Representantes aprovou por 308 votos contra 117 o Sunshine Protection Act, que torna permanente o horário de verão em todo o país — a hora que os americanos usam de março a novembro passaria a valer o ano inteiro.
A lei segue agora para o Senado, onde já encalhou em tentativas anteriores, mas desta vez com vento a favor: o presidente Trump apoia publicamente o fim da mudança da hora e deverá assinar o diploma se lhe chegar à secretária. Os estados que preferirem manter tudo como está podem excluir-se antes da entrada em vigor, e o texto integral está no portal do Congresso.
O que muda com o horário de verão permanente nos EUA?
Deixa de haver o salto de primavera e o recuo de outono: mais luz ao fim da tarde durante todo o ano, que os defensores associam a mais atividade económica e menos depressão sazonal. Os críticos respondem com o reverso — em pleno inverno, partes do país só veriam o sol nascer depois das 9 da manhã, com manhãs escuras para escolas e agricultores. No país que este domingo recebe a final do Mundial, até a hora do pontapé de saída anda a ser discutida no Congresso.
E a Europa, quando deixa de mudar a hora?
Boa pergunta — o Parlamento Europeu votou em 2019 pelo fim das mudanças sazonais, e a decisão está desde então a ganhar pó no Conselho, sem acordo entre os governos. Portugal continua, por isso, a atrasar os relógios na última madrugada de outubro. Se Washington for mesmo até ao fim, Bruxelas fica com menos uma desculpa — e nós com a mesma hora a mais de sono, pelo menos para já.
Por Marta Carneiro
Imagem: Architect of the Capitol / Wikimedia Commons (domínio público)