Há 500 mil euros para projetos com jovens até 3 de dezembro, mas só entra quem tiver alguém a receber salário
O programa MULTIPLICA da Fundação Jornada, nascida da JMJ Lisboa 2023, dá entre 10 mil e 30 mil euros a fundo perdido a projetos para jovens dos 15 aos 35 anos. Pelas nossas contas, dá para 16 a 50 projetos. Quem submeter até 12 de novembro recebe sugestões de melhoria. Projetos só com voluntários ficam de fora.
Candidatar / Saber maisA Fundação Jornada abriu a edição de 2026 do MULTIPLICA, o programa com que apoia projetos dirigidos a jovens. Tem 500 mil euros para distribuir, e cada projeto selecionado recebe entre 10 mil e 30 mil euros, a fundo perdido. O prazo fecha a 3 de dezembro.
A fundação nasceu em 2019 para preparar a Jornada Mundial da Juventude de Lisboa e redesenhou-se em 2024 para financiar projetos juvenis. É de inspiração católica, mas o regulamento é claro: projetos de outras matrizes religiosas, culturais ou sociais também podem concorrer.
Quantos projetos cabem
Fizemos a conta simples. Se todos pedirem o máximo de 30 mil euros, os 500 mil chegam para 16 projetos. Se todos pedirem o mínimo, para 50. A realidade fica algures no meio, o que quer dizer que vai haver mais candidatos do que vagas.
A fundação paga até 90% do orçamento do projeto. Os outros 10%, pelo menos, têm de vir do próprio promotor ou de parceiros.
A regra que corta mais candidaturas
O regulamento do MULTIPLICA exclui iniciativas que dependam só de voluntários. Mais do que isso: o responsável pelo projeto tem de ser remunerado e dedicar-lhe pelo menos tempo parcial, em horário laboral. Para muitas associações juvenis, que vivem precisamente do voluntariado, é aqui que a candidatura acaba.
Ficam também de fora:
- eventos pontuais, como uma iniciativa anual (o projeto tem de ter atividade regular);
- projetos que não ataquem um problema social concreto dos jovens;
- projetos em que mais de metade dos custos sejam obras ou reabilitação de espaços;
- partidos e movimentos políticos.
Quem pode concorrer
Qualquer entidade legalmente constituída com sede ou representação fiscal em Portugal: associações, cooperativas, IPSS, paróquias, escolas públicas e privadas. Grupos informais de jovens também podem avançar, mas se chegarem à fase final têm de indicar uma entidade legal que receba o dinheiro e responda pelo projeto.
O público-alvo são jovens dos 15 aos 35 anos a viver em Portugal, no continente ou nas ilhas. A fundação valoriza projetos com jovens na liderança e candidaturas em parceria.
As datas
- 12 de novembro: quem submeter até aqui recebe sugestões para melhorar a candidatura;
- 19 de novembro, 13h00: segunda sessão online de esclarecimento;
- 3 de dezembro: fim do prazo;
- a partir de 26 de abril de 2027: resultados;
- 1 de maio de 2027: arranque dos projetos, com duração entre 12 e 18 meses.
Pelo caminho há uma triagem, um vídeo-pitch (sem exigência de produção profissional) e entrevistas. A candidatura faz-se no formulário do MULTIPLICA.
Para quem procura apoio a título individual e não para uma associação, a oferta é diferente: as bolsas de criação literária da DGLAB estão abertas até 2 de dezembro.
Por Miguel Sarmento
Ilustração: Tugadaily