Estas bolsas pagam 15 mil euros para escrever um livro (e no teatro há nove vezes menos concorrência do que na ficção)
A DGLAB abriu a 2 de novembro 42 bolsas anuais de 15.000 euros: 24 para dramaturgia, ensaio, ficção e poesia e 18 para banda desenhada e literatura infantojuvenil. Candidaturas até às 23h59 de 2 de dezembro. Fizemos as contas à última edição: 155 candidatos por bolsa na ficção, cerca de 17 na dramaturgia.
Candidatar / Saber maisHá 42 escritores que, daqui a uns meses, vão poder dedicar um ano a um livro com 15 mil euros do Estado no bolso. As candidaturas às bolsas anuais de criação da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas abriram hoje, às 10h00, e fecham às 23h59 de 2 de dezembro.
Quem pode concorrer
Os avisos publicados em Diário da República são curtos e claros. Pode candidatar-se qualquer pessoa maior de 18 anos, com nacionalidade portuguesa ou residente em Portugal, que escreva em português. Ou seja, um brasileiro ou um angolano a viver cá entra nas mesmas condições.
São dois concursos. O de criação literária dá 24 bolsas, num total de 360 mil euros, repartidas por dramaturgia e escrita teatral, ensaio, ficção narrativa e poesia. O de banda desenhada e literatura infantil e juvenil dá 18, num total de 270 mil. Cada bolsa vale 15.000 euros.
A candidatura faz-se só online, no portal gov.pt. As regras detalhadas estão nas portarias 40/2025/1 e 121/2025/1, e as dúvidas seguem para bolsas@dglab.gov.pt.
Onde é mais fácil ganhar
Ninguém publicou este número, por isso fizemo-lo nós. Na última edição, a nota do Governo sobre as bolsas atribuídas indica quantas candidaturas entraram em cada área, e as 24 bolsas literárias foram divididas por igual pelas quatro, seis para cada.
- Ficção narrativa: 931 candidaturas, cerca de 155 por bolsa;
- Ensaio: 245, cerca de 41 por bolsa;
- Poesia: 235, cerca de 39 por bolsa;
- Dramaturgia: 100, cerca de 17 por bolsa;
- Literatura infantil e juvenil: 333 para 11 bolsas, cerca de 30 por bolsa;
- Banda desenhada: 114 para 7 bolsas, cerca de 16 por bolsa.
Feita a divisão, um dramaturgo teve nove vezes mais hipóteses do que um romancista, e a banda desenhada foi a modalidade menos disputada de todas. Não é um conselho para trocar o romance por uma peça de teatro, mas quem escreve nas duas coisas tem aqui uma pista honesta.
Quem decide
Os júris já estão nomeados. Na criação literária: Golgona Anghel, Isabel Lucas, Joana Meirim, João Dionísio, José Bragança de Miranda, José Luís Peixoto, José Riço Direitinho e Paula Magalhães. Na banda desenhada e literatura infantojuvenil: Andreia Brites, Dora Batalim SottoMayor e João Ramalho-Santos.
Se procura apoios de outro tipo para a carreira artística, vale a pena ver também as bolsas de mobilidade Laços Artísticos para artistas da CPLP.
Por Miguel Sarmento
Ilustração: Tugadaily