Tem uma empresa com menos de três anos no Alentejo? Há 2 milhões a fundo perdido até 26 de fevereiro
O aviso ALT2030-2026-57 paga 75% do investimento de micro e pequenas empresas em arranque com base em I&D ou conhecimento. O teto é de 1 milhão por projeto, e duplica para empresas inovadoras. Ou seja, uma só candidatura pode esgotar a dotação inteira.
Candidatar / Saber maisO programa Alentejo 2030 abriu um concurso de 2 milhões de euros para empresas novas que nasçam de investigação ou de conhecimento a sério. Paga 75% do investimento, a fundo perdido, e aceita candidaturas até 26 de fevereiro de 2027.
O pormenor que salta à vista está no próprio aviso ALT2030-2026-57. Cada projeto pode receber até 1 milhão de euros de incentivo, e esse teto duplica para as empresas consideradas inovadoras. Dois milhões é exatamente a dotação total do concurso.
A conta que fizemos
Com uma taxa de 75%, chegar ao teto de 2 milhões exige um investimento elegível de cerca de 2,67 milhões. Uma única empresa inovadora com um projeto desse tamanho leva o aviso inteiro. Do lado das empresas não inovadoras, o teto de 1 milhão corresponde a cerca de 1,33 milhões de investimento, e dois projetos assim chegam para esgotar a verba.
Isto não quer dizer que vá acontecer. A maioria das startups da região investe muito menos. Mas quer dizer que o número de projetos apoiados pode ser bem curto, e que o mérito relativo vai pesar. As candidaturas são ordenadas pela pontuação e financiadas de cima para baixo até acabar o dinheiro. Em caso de empate, conta a hora exata de submissão.
Quem pode concorrer
Micro e pequenas empresas com, no máximo, três anos de atividade, com o investimento localizado no Alentejo. O negócio tem de resultar de projetos de I&D ou ter uma componente forte de conhecimento, incluindo áreas intensivas em tecnologia e criatividade, e encaixar nos domínios prioritários da estratégia regional de especialização inteligente.
Há mais condições que convém ler com atenção:
- manter pelo menos um posto de trabalho qualificado e pago (nível VI, ou seja, licenciatura), com residência fiscal no Alentejo;
- ter pelo menos uma pessoa nos quadros, comprovada pela declaração à Segurança Social;
- autonomia financeira de pelo menos 0,15, ou capitais próprios iguais a 20% da despesa elegível, no caso de empresas acabadas de criar;
- uma só candidatura por empresa, com projetos de até 24 meses.
Para ser considerada inovadora, a empresa precisa de uma avaliação de um perito externo que confirme o risco tecnológico do produto, ou de despesas de I&D de pelo menos 10% dos custos de funcionamento.
O que paga
Máquinas e equipamento informático, software, patentes e licenças, e ainda serviços de engenharia, estudos, auditorias, planos de marketing e projetos de arquitetura. O apoio é uma subvenção, pago contra despesa real, com um adiantamento inicial até 10%.
Como e até quando
A candidatura faz-se no Balcão dos Fundos, entre 30 de outubro de 2026 e 26 de fevereiro de 2027. A decisão chega até 60 dias úteis depois do fecho. Se a sua empresa é de outra região e o projeto é de I&D, há também 13 milhões para PME do Centro ao Algarve, com regras diferentes.
Perguntas rápidas
Uma empresa criada este ano pode concorrer? Pode, desde que tenha alguém nos quadros e cumpra o rácio de capitais próprios.
É um empréstimo? Não. É subvenção a fundo perdido, de 75% da despesa elegível.
Posso fazer a obra antes de submeter? O aviso só considera elegíveis as despesas feitas depois da candidatura.
Por Miguel Sarmento
Ilustração: Tugadaily