Se faz artes visuais, circo ou artes de rua, há 20 bolsas de mobilidade até 15 de setembro
A segunda edição do programa Laç(z)os Artísticos abriu candidaturas com 20 bolsas até 2.250 euros para artistas circularem entre a CPLP e a Ibero-América. Três estão reservadas a jovens dos PALOP e de Timor-Leste.
Candidatar / Saber maisA primeira edição do Laç(z)os Artísticos deu onze bolsas. A segunda dá vinte, e as candidaturas fecham a 15 de setembro.
O programa paga viagens a artistas que queiram desenvolver um projeto fora do seu país, dentro de um espaço que junta os Estados-membros da CPLP e os países ibero-americanos. Cada bolsa vale no máximo 2.250 euros e cobre os custos de deslocação, seguro de saúde e seguro de viagem incluídos. As áreas elegíveis são artes visuais, artes performativas, artes de rua e cruzamento disciplinar, e as regras completas e o formulário estão na página da DGARTES.
As três bolsas que não competem com as outras
Três das vinte são Bolsas Laç(z)os Artísticos CPLP e têm um perímetro próprio: destinam-se a jovens entre os 18 e os 30 anos residentes nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e em Timor-Leste que queiram desenvolver os seus projetos em Portugal.
É a diferença mais concreta em relação à primeira edição e vale a pena reparar nela. Um artista de Bissau, da Praia ou de Díli deixa de estar a disputar as mesmas dezassete vagas com toda a gente e passa a ter três reservadas. Em programas de mobilidade, esse tipo de reserva costuma ser o que separa uma candidatura possível de uma candidatura teórica.
O que a primeira edição deu
Vale como termómetro do que se pode esperar. Foram atribuídas onze bolsas em seis áreas artísticas — dança, artes de rua, circo, fotografia, música e cruzamento disciplinar — e os países de acolhimento foram o Brasil, Cabo Verde, o Chile, o Peru, Portugal e São Tomé e Príncipe. Os beneficiários vieram da Argentina, do Brasil, da Colômbia, de Cuba, de Moçambique e de Portugal.
Ou seja: nem tudo passa por Lisboa, e a circulação sul-sul tem lugar no desenho do programa.
Quem está por trás
O protocolo foi assinado em julho e junta a DGARTES e o Camões, I.P. do lado português, a OEI enquanto organismo multilateral ibero-americano e o El Corte Inglés como parceiro privado. É uma estrutura pouco habitual num apoio à mobilidade, e ajuda a explicar por que razão o montante por bolsa é modesto mas o alcance geográfico não é.
Para quem tem um projeto maior e precisa de mais do que dinheiro de viagem, a Gulbenkian mantém em paralelo o apoio à internacionalização com um tecto de 5.000 euros, com prazo mais tardio. Candidatar-se aos dois não é incompatível, desde que o projeto seja o mesmo e a despesa não seja contada duas vezes.
Por Miguel Sarmento
Imagem: DGARTES / Camões, I.P. / OEI