Montenegro leva ao debate do Estado da Nação uma promessa de guerra à burocracia, e a oposição leva os exames
O debate do Estado da Nação é quinta-feira, 16 de julho, e é o último antes das férias. Montenegro promete manter as reformas na educação e na saúde; a oposição quer falar da falha dos exames.
O último debate político antes das férias é já esta quinta-feira, 16 de julho, e tem tudo para não ser calmo. O debate do Estado da Nação começa às 15h30, abre com uma intervenção de Luís Montenegro até 30 minutos e arrasta-se por cerca de quatro horas, com pedidos de esclarecimento de todas as bancadas e o Governo a fechar a discussão.
Montenegro chega com o guião escolhido. Na véspera prometeu manter as reformas na educação e na saúde e declarou aquilo a que chamou uma guerra à burocracia — a ideia de que o Estado demora demasiado a dizer sim ou não a seja o que for. É um tema confortável para quem governa: toda a gente concorda que há papelada a mais, e quase ninguém tem números para atirar à cara de quem o diz.
Sobre o que é mesmo o debate do Estado da Nação?
No papel, é o balanço do país ao fim de um ano parlamentar. Na prática, esta edição vai ser sobre exames. A falha na plataforma que atrasou as notas do secundário domina tudo e a oposição já disse ao que vem: a Conferência de Líderes marcou um debate de urgência sobre os exames para sexta-feira, logo a seguir a este — e o PCP diz que o presidente da Assembleia e a AD foram contra a marcação.
Quem quer falar do assunto insiste que só faz sentido com o ministro da Educação, Fernando Alexandre, na sala. Até à tarde de quarta-feira não era certo que lá estivesse, o que por si só já é meio debate.
O que é que cada lado vai dizer?
A oposição afinou o discurso na véspera. O PS argumenta que, mais de um ano depois do início da legislatura, os portugueses vivem pior, e centra tudo no custo de vida. O Chega diz que o executivo não tem competência e que deixou o país num caos — sem fechar a porta a continuar a falar com o Governo, o que resume bem a posição em que se colocou. A IL já tinha tentado empurrar o debate uma semana e levado um não do presidente da Assembleia, sem que o Chega ou o PS alinhassem.
Do outro lado, o Governo vai preferir o retrovisor económico. O ministro das Finanças esteve esta quarta-feira no Parlamento a garantir que o segundo trimestre correu francamente bem, com consumo, investimento e exportações a acelerar. É o tipo de número que dá jeito ter na mão quando alguém do outro lado da sala diz que o país está em falência.
Já se sabe também o que não vem: os exames não ficam resolvidos este ano. O Governo meteu mais 500 mil euros na plataforma e o sistema novo só está de pé em 2027, o que garante que este tema sobrevive às férias e volta em setembro com a mesma cara. O debate é transmitido no Canal Parlamento, e a agenda completa está no site da Assembleia da República.
Imagem: Floris de Bijl / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)