Portugal aprova nova estratégia para o clima até 2030 — e os críticos já apontam o dedo
O Governo aprovou a Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas 2030. Ambiciosa no papel, mas há quem note o que falta.
Num verão que já trouxe calor a apertar e fogos a ameaçar o interior, o tema da adaptação ao clima não podia estar mais em cima da mesa. E foi precisamente isso que o Conselho de Ministros decidiu enfrentar: aprovou a nova Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas 2030, que abre o terceiro ciclo da política nacional nesta matéria.
A ideia, em poucas palavras, é preparar o país para o que aí vem — ondas de calor, secas, incêndios e cheias — com uma abordagem mais preventiva e assente em conhecimento científico recente. A estratégia cruza política da água, gestão florestal e ordenamento do território, e a sua execução fica ligada ao programa de recuperação e resiliência. O documento segue agora para a Assembleia da República, enquanto a estratégia anterior, de 2020, foi prolongada até ao final de 2026 para garantir continuidade.
O que dizem os críticos
Nem tudo foram aplausos. Organizações ambientais, como a ZERO, vieram lembrar que uma estratégia vale tanto quanto a sua execução — e apontam a ausência de financiamento concreto e de um calendário definido. Por outras palavras: boas intenções no papel, mas a parte difícil é fazer acontecer.
O Governo defende-se com os mapas de risco, que colocam Portugal entre os países europeus mais expostos aos efeitos das alterações climáticas. Difícil discordar de quem viu os últimos verões.
Pode consultar o enquadramento oficial da estratégia na Agência Portuguesa do Ambiente.
Veja também: Calor a apertar e fogo em risco máximo.
Imagem: Wikimedia Commons