Fundo soberano de Montenegro pode entrar na REN e na EDP
O Governo cria um fundo soberano gerido pelo IGCP para entrar em setores estratégicos — energia, banca, comunicações e aeroportos.
O Estado quer voltar a ter peso onde decide o que é estratégico. Luís Montenegro anunciou a criação de um fundo soberano, a ser gerido pelo IGCP, a agência que já trata da dívida pública, com a missão de entrar no capital de empresas em setores como a energia, a banca, as comunicações e a área aeroportuária.
A leitura política é direta. O fundo serve de veículo para gerir participações minoritárias do Estado e, eventualmente, reforçar a presença pública em empresas onde hoje pesam acionistas estrangeiros.
Os nomes em cima da mesa
A REN aparece como prioridade. A maior acionista é a State Grid da China, e o Governo não escondeu o desconforto com a forma como foi gerido o apagão. Também a EDP entra na conversa, com a China Three Gorges a deter mais de 21% do capital.
Montenegro tem repetido que Portugal não pode ficar à espera de fundos europeus para se desenvolver, e que deve passar em breve a dar mais à UE do que recebe. Um fundo soberano encaixa nessa narrativa de autonomia. Falta saber com que dinheiro, em que prazos e com que regras de governação, para não repetir velhos erros de gestão pública.
Veja também: a agenda do XXV Governo. Os detalhes da gestão da dívida e tesouraria estão no IGCP e as decisões do Executivo em portugal.gov.pt.
Imagem: Wikimedia Commons