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Bandeira da Ucrânia
Política 27 de junho de 2026

Guerra na Ucrânia não dá tréguas: mais uma noite de ataques cruzados

Enquanto a diplomacia avança noutras frentes, a guerra entre a Ucrânia e a Rússia continua sem cessar-fogo à vista. O ponto da situação.

Há conflitos que saem das primeiras páginas sem terem terminado, e a guerra na Ucrânia é hoje um deles. Enquanto o mundo acompanha os acordos no Médio Oriente, o leste da Europa continua a viver noites de ataques cruzados, sem qualquer cessar-fogo à vista.

Na noite mais recente, a Ucrânia lançou uma ofensiva contra vários pontos do território russo e da Crimeia, e a Rússia respondeu com ataques a diferentes regiões ucranianas. É o padrão que se repete há demasiado tempo: cada lado a tentar desgastar o outro, sem que se vislumbre um ponto de viragem.

Porque é que ainda nos diz respeito

Pode parecer distante, mas esta guerra continua a tocar o nosso dia a dia. Foi ela que ajudou a empurrar os preços da energia e dos cereais nos últimos anos, e qualquer agravamento volta a sentir-se nos mercados europeus — dos quais Portugal faz parte. Há também a dimensão humana, com milhões de pessoas deslocadas e comunidades inteiras a viver ao som dos alarmes.

A diplomacia não desistiu. As Nações Unidas e vários países mantêm canais abertos, mas, por agora, as conversas não travaram os ataques. Enquanto isso, a fatura humana continua a somar.

O ponto de situação oficial das agências da ONU pode ser acompanhado em news.un.org.

Veja também: Israel e Líbano anunciam um acordo-quadro.

Imagem: Wikimedia Commons

Sala de operadores de emergência a atender chamadas
Política 29 de junho de 2026

Operadores de emergência em greve: o 112 não pára, mas o aviso é claro

Os operadores de telecomunicações da Proteção Civil arrancaram uma semana de greve a exigir uma carreira própria. O socorro mantém-se garantido.

Quando ligamos para o 112, raramente pensamos em quem está do outro lado da linha. Pois esta semana convém pensar. Os operadores de telecomunicações de emergência da Proteção Civil começaram esta segunda-feira uma greve de uma semana — e o motivo é simples de perceber: querem uma carreira profissional própria, reconhecida, que reflita o que de facto fazem.

Antes que alguém entre em pânico: o socorro está garantido. Os próprios trabalhadores fazem questão de o dizer, e há serviços mínimos a assegurar que uma chamada de emergência continua a ser atendida. A greve é uma forma de pressão sobre o Governo, não um corte de serviço.

O que está em causa

A reivindicação central é o estatuto. Estes profissionais atendem as chamadas, triam a urgência e despacham meios — bombeiros, ambulâncias, autoridades — muitas vezes em segundos e em situações de vida ou morte. O que pedem é que essa responsabilidade seja traduzida numa carreira definida, com progressão e condições à altura, em vez de ficarem num limbo contratual.

É daquelas histórias que passam despercebidas até falharem. E é por isso que vale a pena olhar para elas com atenção: a espinha dorsal da resposta de emergência são pessoas, não só telefones. Pode acompanhar a estrutura e missão da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil no portal oficial.

Veja também: a lei laboral chumbada e o que faz o Governo a seguir.

Imagem ilustrativa · Foto: 112 Uttar Pradesh / Pexels

Hemiciclo da Assembleia da República durante um debate
Política 29 de junho de 2026

Lei laboral chumbada: e agora, o que faz o Governo a seguir?

Depois de o Parlamento travar a revisão do Código do Trabalho, Montenegro promete voltar à carga. Mas as contas no hemiciclo não mudaram.

A proposta do Governo para mexer no Código do Trabalho levou um não do Parlamento, e foi um não com companhia larga: votaram contra o Chega, o PS, o Livre, o PCP, o BE, o PAN e o JPP. A favor ficaram só o PSD, o CDS e a Iniciativa Liberal. Em política, quando a esquerda e o partido de André Ventura votam do mesmo lado, é sinal de que o tema vai dar pano para mangas.

Porque caiu

O Governo garante que negociou a sério, sobretudo com o Chega, e que na maioria das matérias até havia entendimento. O nó apertou-se num ponto: o Chega exigia mexer na sustentabilidade da Segurança Social e abrir a porta a alterar a idade da reforma. O Governo recusou, e sem esses votos a proposta ficou sem rede.

O que se segue

Luís Montenegro já disse que não desiste e que o Parlamento “terá o seu momento” nesta matéria. Pelo meio, promete novas medidas para as famílias, talvez como forma de mostrar movimento enquanto a reforma laboral fica em banho-maria. O problema é aritmético: a composição do hemiciclo não mudou, e qualquer nova versão precisa de encontrar uma maioria que, para já, não existe.

Para quem trabalha, a tradução é que as regras do dia a dia — horários, despedimentos, contratos — ficam como estão por agora. Nada muda amanhã. Mas o braço de ferro vai continuar, e promete ser um dos fios condutores deste segundo mandato.

Veja também: PS trava a reforma laboral e a agenda do Governo sobre imigração e trabalho. Pode acompanhar os debates no site do Parlamento.

Imagem: Wikimedia Commons

Mapa do Irão e da região do Golfo
Política 28 de junho de 2026

EUA e Irão: o cessar-fogo que ninguém consegue garantir

Com ataques de parte a parte, a diplomacia tenta segurar um cessar-fogo frágil. Egito e Qatar insistem nas negociações; os países do Golfo condenam a escalada.

Há cessar-fogos que existem mais no papel do que no terreno, e o entendimento entre os Estados Unidos e o Irão parece ser desses. Depois de uma noite de ataques cruzados no Golfo, a grande pergunta política é simples: ainda há acordo para salvar?

Existe um memorando, com catorze pontos, que devia pôr fim às hostilidades. Mas Washington acusa Teerão de o violar repetidamente, e a Guarda Revolucionária iraniana devolve a acusação, dizendo que foram os americanos a quebrar o combinado. Quando os dois lados dizem que o outro começou, o entendimento fica por um fio.

Os vizinhos no meio

A escalada deixa nervosos os países do Golfo, que não pediram para entrar nesta. Os Emirados Árabes Unidos condenaram com firmeza os ataques iranianos a Bahrain e ao Kuwait, vendo-os como uma ameaça à segurança de toda a região. Egito e Qatar, por seu lado, preferem a via do diálogo e voltaram a apelar para que as negociações entre Washington e Teerão não morram.

Para a Europa, e para Portugal, o tema é seguido de perto por uma razão muito concreta: a estabilidade do Golfo mexe com a energia e com os preços. Uma crise prolongada ali sente-se nas bombas de combustível cá.

Por agora, fica a diplomacia a jogar contra o relógio, com a região a torcer para que a razão fale mais alto do que os mísseis.

Veja também: Irão dispara contra bases dos EUA no Golfo. Acompanhe pela ONU Notícias.

Imagem: Wikimedia Commons

José Luís Carneiro, líder do Partido Socialista
Política 28 de junho de 2026

PS diz ter travado a reforma laboral e desafia Montenegro a reagir

José Luís Carneiro reclama uma vitória do PS por ter bloqueado a contrarreforma laboral e a Prestação Social Única, e pede ao primeiro-ministro que 'tire a cabeça da areia'.

O Partido Socialista veio este domingo bater no peito. Reunida em Lisboa, a Comissão Nacional do PS ouviu o líder, José Luís Carneiro, reclamar como vitória do partido o facto de ter conseguido travar duas propostas do Governo: aquilo a que chama a contrarreforma laboral e a nova Prestação Social Única.

Carneiro não poupou nas palavras. Disse que, desde que a AD ganhou as eleições, foram dois anos perdidos, e atirou diretamente ao primeiro-ministro: senhor primeiro-ministro Luís Montenegro, tire a cabeça da areia, o seu Governo não está a funcionar.

Bom senso ou bloqueio?

Como em quase tudo na política, a leitura depende de onde se está sentado. Para o PS, foi um travão a medidas que considera injustas para os trabalhadores e para quem recebe apoios sociais. Para o Governo e os seus apoiantes, é mais um exemplo de uma oposição a dificultar reformas que dizem ser necessárias para modernizar o país.

A nós interessa-nos o que isto significa na prática: por agora, as alterações às regras do trabalho e a fusão de apoios sociais numa prestação única ficam em suspenso. Para quem trabalha ou depende destes apoios, é o tipo de braço de ferro que pode mexer no orçamento lá de casa.

O debate está longe de fechado, e o próximo capítulo joga-se no Parlamento. Vamos seguir sem tomar partido, como sempre.

Veja também: A agenda de imigração e trabalho do Governo de Montenegro. Acompanhe a atividade oficial em portugal.gov.pt.

Imagem: Wikimedia Commons

André Ventura, líder do Chega
Política 28 de junho de 2026

Imigração e trabalho dominam a agenda do Governo de Montenegro

Lei da imigração mais apertada com apoio do Chega, reforma laboral contestada e SNS sob pressão marcam o segundo Governo da AD.

Um ano depois de tomar posse, o segundo Governo de Luís Montenegro tem uma agenda bem definida, e quase toda ela divide águas. A Aliança Democrática voltou a ser a força mais votada em 2025, mas governa sem maioria absoluta, o que obriga a negociar quase tudo.

O tema que mais barulho faz é a imigração. As novas regras, mais restritivas, passaram com o apoio do Chega, o partido de André Ventura. É uma viragem clara face à política mais aberta dos últimos anos, e mostra como o centro-direita e a direita se aproximaram neste capítulo.

Frentes abertas

A reforma laboral é outra batalha. As propostas para tornar o mercado de trabalho mais flexível levaram os sindicatos para a rua e prometem mais contestação. Pelo meio, o Serviço Nacional de Saúde continua a apanhar críticas por urgências sob pressão, e a habitação mantém-se como a ferida que ninguém consegue sarar depressa.

Nada disto é exclusivo de Portugal. Por toda a Europa, governos de centro-direita andam a responder às mesmas perguntas sobre fronteiras, custo de vida e Estado social. A diferença está nos pormenores e nas alianças que cada um faz para aprovar leis.

Para o leitor, a leitura é simples: este é um Governo que vai depender de acordos caso a caso. Cada lei grande será uma negociação, e o desenho final raramente é o do programa inicial.

Veja também: Fundo soberano de Montenegro pode entrar na REN e na EDP.

Imagem: Wikimedia Commons

Luís Montenegro
Política 28 de junho de 2026

Fundo soberano de Montenegro pode entrar na REN e na EDP

O Governo cria um fundo soberano gerido pelo IGCP para entrar em setores estratégicos — energia, banca, comunicações e aeroportos.

O Estado quer voltar a ter peso onde decide o que é estratégico. Luís Montenegro anunciou a criação de um fundo soberano, a ser gerido pelo IGCP, a agência que já trata da dívida pública, com a missão de entrar no capital de empresas em setores como a energia, a banca, as comunicações e a área aeroportuária.

A leitura política é direta. O fundo serve de veículo para gerir participações minoritárias do Estado e, eventualmente, reforçar a presença pública em empresas onde hoje pesam acionistas estrangeiros.

Os nomes em cima da mesa

A REN aparece como prioridade. A maior acionista é a State Grid da China, e o Governo não escondeu o desconforto com a forma como foi gerido o apagão. Também a EDP entra na conversa, com a China Three Gorges a deter mais de 21% do capital.

Montenegro tem repetido que Portugal não pode ficar à espera de fundos europeus para se desenvolver, e que deve passar em breve a dar mais à UE do que recebe. Um fundo soberano encaixa nessa narrativa de autonomia. Falta saber com que dinheiro, em que prazos e com que regras de governação, para não repetir velhos erros de gestão pública.

Veja também: a agenda do XXV Governo. Os detalhes da gestão da dívida e tesouraria estão no IGCP e as decisões do Executivo em portugal.gov.pt.

Imagem: Wikimedia Commons

Mapa da Ucrânia
Política 28 de junho de 2026

Ucrânia e Rússia trocam ataques noturnos em larga escala

A Ucrânia atingiu uma dúzia de regiões russas e a Crimeia ocupada; a Rússia respondeu com ataques em várias zonas ucranianas.

A guerra não dá tréguas, e a noite voltou a ser o palco. A Ucrânia lançou um ataque noturno de grande escala contra cerca de uma dúzia de regiões russas, a Crimeia ocupada e as águas em redor. A Rússia respondeu na mesma moeda, atingindo várias zonas do território ucraniano.

É o padrão que se repete há meses: ofensivas cruzadas, infraestruturas no alvo e populações civis a viver ao ritmo dos alarmes. Cada lado mede forças à distância, sem que se veja, para já, uma janela séria de negociação.

O que está em jogo

Para a Europa, e para Portugal, o impacto sente-se sobretudo em duas frentes: energia e defesa. Enquanto o conflito arrasta, os preços continuam expostos a sobressaltos e a pressão para reforçar gastos militares mantém-se em cima da mesa em Bruxelas e nas capitais.

Continuaremos a acompanhar com a regra de sempre: factos verificados, sem alarmismo.

Veja também: o ponto anterior sobre a guerra. O acompanhamento da resposta aliada está na NATO.

Imagem: Wikimedia Commons

Emblema das Nações Unidas
Política 27 de junho de 2026

Portugal eleito para o Conselho de Segurança da ONU: o que significa

Pela quarta vez, Portugal vai sentar-se à mesa principal das Nações Unidas. Foi o país mais votado, à frente da Alemanha e da Áustria, para o biénio 2027-2028.

Houve uma vitória diplomática portuguesa que, no meio de tanta notícia, merece ser sublinhada: Portugal foi eleito membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para o biénio 2027-2028. E não foi por pouco — foi o país mais votado da sua corrida.

Recapitulando para quem não acompanhou. O Conselho de Segurança é o órgão mais poderoso da ONU, aquele que decide sobre paz, sanções e operações de manutenção da paz pelo mundo fora. Tem cinco membros permanentes com direito de veto (Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França) e dez lugares rotativos, eleitos por mandatos de dois anos. É para um desses dez lugares que Portugal foi escolhido.

A eleição decorreu a 3 de junho, em Nova Iorque, na 80.ª Assembleia-Geral. Portugal disputava duas vagas do grupo da Europa Ocidental com a Alemanha e a Áustria, e saiu por cima: arrecadou 134 votos, contra 131 de Viena e apenas 104 de Berlim. Ser o mais votado de um trio que incluía a Alemanha não é coisa pouca, e diz alguma coisa sobre a forma como o país é visto na cena internacional.

Não é estreia absoluta. Portugal já tinha ocupado um destes lugares em 1979-1980, 1997-1998 e 2011-2012, pelo que esta é a quarta vez. A candidatura assentou no lema “Prevenção, Parceria, Proteção”, uma forma de assinalar o tipo de papel que o país diz querer ter: o de construtor de pontes e defensor do diálogo, mais do que o de ator de força.

Na prática, o mandato só arranca em 1 de janeiro de 2027 e dura dois anos. O que muda? Durante esse período, Portugal terá voz e voto nas grandes decisões de segurança internacional, numa altura em que o mundo não anda propriamente sossegado. É uma responsabilidade acrescida, mas também uma vitrina: uma oportunidade para um país pequeno se fazer ouvir onde se decidem coisas grandes. E isso, num momento global tão tenso, é um lugar que vale a pena ocupar com mãos firmes.

Imagem: Wikimedia Commons

Palácio de São Bento, em Lisboa, sede da Assembleia da República
Política 27 de junho de 2026

Portugal aprova nova estratégia para o clima até 2030 — e os críticos já apontam o dedo

O Governo aprovou a Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas 2030. Ambiciosa no papel, mas há quem note o que falta.

Num verão que já trouxe calor a apertar e fogos a ameaçar o interior, o tema da adaptação ao clima não podia estar mais em cima da mesa. E foi precisamente isso que o Conselho de Ministros decidiu enfrentar: aprovou a nova Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas 2030, que abre o terceiro ciclo da política nacional nesta matéria.

A ideia, em poucas palavras, é preparar o país para o que aí vem — ondas de calor, secas, incêndios e cheias — com uma abordagem mais preventiva e assente em conhecimento científico recente. A estratégia cruza política da água, gestão florestal e ordenamento do território, e a sua execução fica ligada ao programa de recuperação e resiliência. O documento segue agora para a Assembleia da República, enquanto a estratégia anterior, de 2020, foi prolongada até ao final de 2026 para garantir continuidade.

O que dizem os críticos

Nem tudo foram aplausos. Organizações ambientais, como a ZERO, vieram lembrar que uma estratégia vale tanto quanto a sua execução — e apontam a ausência de financiamento concreto e de um calendário definido. Por outras palavras: boas intenções no papel, mas a parte difícil é fazer acontecer.

O Governo defende-se com os mapas de risco, que colocam Portugal entre os países europeus mais expostos aos efeitos das alterações climáticas. Difícil discordar de quem viu os últimos verões.

Pode consultar o enquadramento oficial da estratégia na Agência Portuguesa do Ambiente.

Veja também: Calor a apertar e fogo em risco máximo.

Imagem: Wikimedia Commons

Bandeira de Israel
Política 27 de junho de 2026

Israel e Líbano: anunciado um acordo-quadro, mas o difícil vem agora

Os Estados Unidos anunciaram um entendimento de princípio entre Israel e o Líbano. É um passo, não uma paz — e há quem queira fazê-lo descarrilar.

A diplomacia no Médio Oriente deu esta semana um daqueles passos que parecem grandes no anúncio e frágeis na prática: Washington apresentou um acordo-quadro entre Israel e o Líbano. Por outras palavras, um esboço de entendimento — as linhas gerais sobre as quais os dois lados dizem estar dispostos a negociar a sério.

Convém ler com calma o que é um “acordo-quadro”. Não é um tratado de paz nem um cessar-fogo definitivo. É mais como combinar a forma da mesa antes de sentar toda a gente a discutir o que está em cima dela. Já houve muitos esboços no Médio Oriente que nunca chegaram a virar acordo.

Porque é que isto interessa cá

Pode parecer longe, mas a estabilidade nesta região mexe com toda a Europa — e com a carteira dos portugueses. Tensões por ali fazem disparar o preço da energia, e já vimos este ano como isso se sente na fatura da luz e nos combustíveis. Um caminho diplomático, mesmo que incerto, é melhor notícia do que mais uma escalada.

Há, no entanto, vozes a avisar que não vai ser fácil: vários analistas apontam que há atores na região com todo o interesse em sabotar o entendimento. O próximo teste será ver se as palavras do anúncio se transformam em compromissos concretos — datas, garantias, fiscalização.

Por agora, fica o registo factual: existe um quadro, existe vontade declarada, e existe um longo caminho pela frente. Vamos acompanhar sem alarmismos nem otimismos fáceis.

Imagem: Wikimedia Commons

View of the Congreso de los Diputados, a neoclassical landmark in Madrid, Spain.
Política 26 de junho de 2026

EUA aliviam sanções à Venezuela para deixar passar a ajuda

Washington abriu uma exceção nas sanções e prometeu meios de resgate. Um gesto de emergência que muitos vão olhar com lupa, dado o histórico recente.

Há momentos em que a política dá um passo atrás para a urgência poder passar à frente. Foi mais ou menos o que aconteceu esta semana: depois dos sismos que devastaram o oeste da Venezuela, os Estados Unidos aliviaram parte das sanções que pesam sobre o país para permitir a entrada de ajuda humanitária que, de outra forma, ficaria bloqueada.

Washington disse ainda que vai enviar equipas de resgate e meios militares — navios e aviões — para apoiar as operações no terreno. Numa catástrofe com quase 600 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos, cada par de mãos e cada hora contam.

Porque é que isto é delicado

A relação entre os dois países está longe de ser simples, e o contexto recente torna o gesto particularmente carregado. Aliviar sanções, mesmo por razões humanitárias, levanta sempre perguntas: até onde vai a exceção, quem controla a distribuição da ajuda, e o que acontece quando a emergência passar.

Defensores da decisão dizem o óbvio — perante uma tragédia desta escala, deixar a ajuda chegar é o mínimo que se exige, e separar o socorro da política é exatamente o que se espera de uma potência. Quem desconfia lembra que ajuda e influência costumam viajar juntas, e vai querer ver se a abertura se mantém estritamente humanitária ou se ganha outras franjas.

Por agora, o que está em cima da mesa é concreto e limitado: deixar entrar mantimentos, equipas e equipamento. O debate maior — sobre o que isto significa para a relação entre os dois países — fica para quando os escombros assentarem.

Imagem ilustrativa · Foto: Toni.063371 - Antonio Sáez / Pexels

Black and white photo of a traditional legislative assembly chamber, featuring empty seats and desks.
Política 26 de junho de 2026

Venezuela: o debate que divide o mundo sobre soberania e poder

Seis meses depois da captura de Maduro, a comunidade internacional continua dividida entre 'responsabilização' e 'precedente perigoso'.

A situação na Venezuela continua a dar que falar — e não só pela crise humanitária. Há aqui uma discussão de fundo, mais quieta mas talvez mais importante a longo prazo: até onde pode ir um Estado para agir dentro das fronteiras de outro?

O pano de fundo é conhecido. Em janeiro, forças norte-americanas capturaram Nicolás Maduro num raide em Caracas; desde então, a antiga vice-presidente Delcy Rodríguez governa como presidente interina, e Maduro responde em tribunal nos Estados Unidos.

Dois argumentos, sem meio-termo

No Conselho de Segurança da ONU, as posições não se encontram. De um lado, há quem veja a ação como uma forma de responsabilização — um líder acusado de crimes graves levado a tribunal. Do outro, vozes como as de Moscovo e Pequim alertam para o risco de normalizar o uso unilateral da força e de corroer a imunidade dos chefes de Estado, um princípio antigo do direito internacional.

Não vamos tomar partido — e há gente séria de ambos os lados. Mas vale a pena perceber porque é que isto importa para lá das manchetes: as regras que se definem (ou se quebram) num caso destes acabam por moldar o que é aceitável no próximo. E o próximo pode envolver qualquer um.

Imagem ilustrativa · Foto: Héctor Berganza / Pexels

Zohran Mamdani
Política 25 de junho de 2026

Nova Iorque: a ala progressista de Mamdani arrasa nas primárias

Candidatos apoiados pelo presidente da câmara derrubaram congressistas veteranos. Um abanão dentro do Partido Democrata.

Houve terramoto nas primárias de Nova Iorque. Três candidatos progressistas apoiados pelo presidente da câmara, Zohran Mamdani, venceram as suas corridas — e algumas vitórias foram contra peso-pesados do próprio partido.

O antigo controlador municipal Brad Lander bateu o congressista Dan Goldman. E Darializa Avila Chevalier, organizadora afro-latina de 32 anos, derrubou Adriano Espaillat, congressista há cinco mandatos e líder do grupo hispânico no Congresso. Não é todos os dias que caras novas derrubam nomes tão estabelecidos.

O que isto diz

Sem tomar partido, o recado é claro: dentro do Partido Democrata, a ala mais à esquerda ganhou fôlego e mostrou músculo eleitoral numa das maiores cidades do país. Primárias não são eleições gerais, e Nova Iorque não é os Estados Unidos inteiros — mas tendências costumam começar assim, num sítio, e depois espalhar-se. Fica o olho posto.

Imagem: Wikimedia Commons

Capitólio dos Estados Unidos, em Washington
Política 25 de junho de 2026

Senado dos EUA trava a guerra com o Irão — e é a primeira vez na história

Pela primeira vez desde 1973, as duas câmaras aprovam uma resolução a mandar o Presidente acabar um conflito. Um momento institucional raro.

Aconteceu uma coisa rara em Washington: o Senado aprovou uma resolução de poderes de guerra a ordenar ao Presidente Trump que ponha fim ao conflito com o Irão. E o detalhe histórico é este — pela primeira vez desde a lei de poderes de guerra de 1973, as duas câmaras do Congresso aprovaram uma resolução concorrente a mandar um presidente terminar uma ação militar.

Em paralelo, no plano diplomático, o diretor da agência atómica da ONU disse que os locais de enriquecimento nuclear do Irão vão ser inspecionados ao abrigo de um acordo provisório. Ou seja, há pressão política interna e há canais a abrir-se lá fora ao mesmo tempo.

Porque importa

Sem entrar em quem tem razão, o que aqui se vê é o Congresso a reafirmar um poder que muitas vezes deixa adormecido: decidir sobre a guerra. Resoluções destas costumam esbarrar no veto presidencial, por isso o efeito prático pode ser limitado — mas o sinal institucional é grande. Vale seguir o próximo passo.

Imagem: Wikimedia Commons