Macron em Damasco: duas explosões ferem 18 durante visita histórica à Síria
Duas bombas artesanais explodiram perto do hotel de Emmanuel Macron em Damasco, ferindo 18 pessoas, durante a primeira visita de um líder ocidental à Síria pós-Assad.
Emmanuel Macron escapou ileso, mas o dia que devia selar o regresso da Síria ao mapa diplomático ficou marcado por duas explosões em Damasco. Dezoito pessoas ficaram feridas, entre elas quatro polícias, quando dois engenhos artesanais rebentaram perto do hotel onde o Presidente francês tinha passado a noite.
O que aconteceu perto do hotel de Macron?
Segundo o Ministério do Interior sírio, o primeiro engenho estava dentro de um carro estacionado na rua e o segundo num contentor de lixo, ambos nas imediações do Four Seasons de Damasco. Macron já não estava no local: encontrava-se no Palácio Presidencial para a reunião com o homólogo sírio, Ahmed al-Sharaa, e nem terá ouvido as explosões. Ninguém reivindicou o ataque, entretanto condenado pelos chefes da diplomacia da Arábia Saudita, do Qatar, do Kuwait e da Jordânia.
Porque é esta visita histórica?
Macron é o primeiro líder ocidental a fazer uma visita oficial à Síria desde a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024. Al-Sharaa recebeu-o com pompa no Palácio Presidencial e falou de uma “nova Síria” aberta a quem quiser reconstruir com ela, acenando com oportunidades estratégicas e comerciais. Para Paris, é uma aposta arriscada num Médio Oriente em plena reconfiguração — na mesma semana em que o Hamas dissolveu o governo de Gaza, fechando outro capítulo de duas décadas.
As explosões, porém, lembram a fragilidade do terreno em que a nova Síria assenta. A presidência francesa manteve a agenda e os comunicados oficiais podem ser acompanhados no site do Eliseu.
Um dia histórico, sim — mas com o eco de duas bombas por cima.
Imagem: Nebojša Tejić / Wikimedia Commons (domínio público)