Hamas dissolve o governo de Gaza: o fim de quase 20 anos de poder no território
O Hamas dissolveu o seu órgão de governo na Faixa de Gaza e abre caminho a um comité de tecnocratas, o NCAG. O desarmamento continua a ser o grande bloqueio.
Quase duas décadas depois de ter tomado o controlo da Faixa de Gaza, o Hamas anunciou a dissolução do seu órgão de governo no território. A saída de cena foi formalizada com a renúncia de Mohammed al-Farr, o responsável pelo comité de emergência que geria Gaza, e abre caminho a uma administração de tecnocratas.
Quem vai governar Gaza depois do Hamas?
O poder deve passar para o Comité Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), uma estrutura de tecnocratas criada pelo Conselho de Paz estabelecido durante as negociações que levaram ao cessar-fogo entre o Hamas e Israel, em outubro de 2025, com apadrinhamento norte-americano. Segundo o gabinete de imprensa do movimento, al-Farr dissolveu o próprio comité precisamente para facilitar essa transição.
O porta-voz do Hamas enquadrou o gesto como uma forma de retirar argumentos ao adversário: ao abdicar da administração do território, o movimento diz querer privar Israel de “qualquer pretexto” para prosseguir a guerra. É uma leitura interessada, claro — mas confirma que a pressão para consolidar o cessar-fogo está a produzir mudanças concretas na estrutura de poder do enclave, onde a situação humanitária continua a ser acompanhada de perto pelas Nações Unidas.
O que falta resolver para a paz durar?
O desarmamento. A entrega das armas do Hamas continua a ser o principal ponto de bloqueio das negociações — dissolver um comité governamental é uma coisa; abdicar do arsenal é outra bem diferente, e nenhum analista da região espera que a segunda aconteça sem muito mais braço de ferro. O processo tem paralelos com outras negociações internacionais em curso, num ano em que a diplomacia mundial tem estado tudo menos parada.
Para já, Gaza prepara-se para ser governada, pela primeira vez desde 2007, por quem não é do Hamas. O resto — e é muito resto — decide-se nos próximos meses.
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