Este é o distrito onde uma casa para arrendar dura menos de um dia
No segundo trimestre, 43% dos anúncios de arrendamento em Évora saíram do mercado em menos de 24 horas. Em Lisboa foram 5% e no Porto 7%. No país, o número caiu de 11% para 7% face ao trimestre anterior.
Se anda à procura de casa para arrendar em Évora, a conversa é outra. Quase metade dos anúncios da cidade desaparece antes de a maioria das pessoas conseguir sequer marcar uma visita.
Os números são do idealista/data e dizem respeito ao segundo trimestre deste ano. No distrito de Évora, 43 por cento das casas anunciadas para arrendar saíram do mercado em menos de 24 horas. Olhando só para a cidade, a proporção sobe para metade.
O mapa não é o que se imagina
A intuição diz Lisboa. A intuição está errada.
Na capital, apenas 5 por cento dos anúncios saíram do mercado no mesmo dia, e na cidade de Lisboa a fatia desce para 4 por cento. No Porto foram 7 por cento no distrito e 6 na cidade. Os mercados mais quentes do país, medidos por preço, são precisamente os mais lentos a fechar negócio.
Depois de Évora vêm Leiria com 17 por cento, Santarém com 16, e Castelo Branco e Faro empatados nos 13. Braga e Setúbal ficam nos 11. Ao nível das cidades, a seguir a Évora aparece Faro com 25 por cento, Santarém com 20 e Vila Real com 17.
E há cinco distritos onde não houve um único arrendamento relâmpago no trimestre: Beja, Bragança, Guarda, Portalegre e a ilha de São Miguel.
Porque é que os distritos pequenos são os mais rápidos
A explicação provável tem menos a ver com procura desenfreada e mais com escassez de oferta. Onde há duas ou três casas anunciadas de cada vez, qualquer casa aceitável é apanhada de imediato, porque não existe alternativa nenhuma. Em Lisboa há muito mais anúncios, portanto quem procura pode comparar e demorar. O tempo no mercado mede tanto a pressão da procura como a espessura da oferta.
Isto também significa que a rapidez não é sinónimo de bom mercado. Num distrito onde tudo sai em 24 horas, quem chega de fora e não pode decidir no próprio dia fica simplesmente sem hipótese.
No país, o ritmo abrandou
A média nacional foi de 7 por cento, ou seja, uma em cada catorze casas anunciadas. É uma descida relevante face aos 11 por cento do trimestre anterior, ainda que a pressão do lado da procura continue elevada: cada anúncio recebeu em média 24 contactos no trimestre, mais 36 por cento do que há um ano.
O pano de fundo é conhecido. A oferta de casas para arrendar continua a encolher e o Governo tem em mãos uma reforma do arrendamento urbano que quer dar mais confiança aos senhorios para colocarem casas no mercado, mas que ainda tem de passar pelo Parlamento. Entretanto, os preços vão fazendo o seu caminho, com Faro a ultrapassar Lisboa como o distrito mais caro para arrendar em julho.
Infografia: Tugadaily · dados idealista/data