Fim do controlo de rendas nos novos contratos: o que muda para inquilinos e senhorios
A reforma do arrendamento aprovada em Conselho de Ministros antecipa o fim do limite às rendas nos novos contratos, acelera despejos para dois meses de incumprimento e define a transição das rendas antigas. Eis o que muda.
O fim do controlo de rendas nos novos contratos de arrendamento vai ser antecipado em três anos: é a mudança mais sonante da reforma aprovada em Conselho de Ministros a 9 de julho, que mexe ao mesmo tempo nos contratos novos, nas rendas antigas e nos despejos. Em resumo: nos novos contratos, senhorio e inquilino passam a acordar livremente o valor da renda.
Quando acaba o limite às rendas nos novos contratos?
O travão que limitava as rendas iniciais de novos contratos tinha calendário para desaparecer; o Governo decidiu antecipá-lo em três anos, deixando o preço ao acordo entre as partes. O executivo defende que o controlo estava a assustar proprietários e a encolher a oferta; associações de inquilinos temem uma subida imediata nos valores pedidos. O pacote segue agora para o processo legislativo — os detalhes oficiais estão no portal do Governo.
O que acontece às rendas antigas, anteriores a 1990?
A transição para o Novo Regime do Arrendamento Urbano passa a depender da idade e do rendimento do inquilino. Quem tem 65 anos ou mais mantém a proteção. Abaixo dessa idade, com rendimento anual até 64.400 euros, a renda mantém-se por cinco anos; acima desse rendimento, o senhorio pode atualizá-la até 1/15 do Valor Patrimonial Tributário do imóvel. É a descongelação, com amortecedores, de um dossiê que se arrastava há décadas.
E os despejos, mudam mesmo?
Sim: o incumprimento passa a justificar a resolução do contrato ao fim de dois meses de rendas em atraso, em vez dos atuais três, e o processo é simplificado com a eliminação de atos administrativos considerados redundantes. Do outro lado da balança, é criado um fundo de emergência habitacional, gerido pelo IHRU com a Segurança Social, para apoiar quem fique sem casa por despejo ou violência doméstica.
Esta é a componente prática do pacote político que já tinha trazido despejos mais céleres e um subsídio social de renda. Para senhorios, é a promessa de um mercado com menos medo; para inquilinos, a prova de fogo será o preço do próximo contrato que assinarem.
Imagem: Dale Cruse - 10M views from San Francisco, CA, USA / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)