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Ecrã central de um automóvel elétrico com o menu do veículo aberto, mostrando opções de carregamento, ligações wi-fi e definições de condução
Tecnologia 22 de agosto de 2026

O Data Act chega aos produtos novos a 12 de setembro. O que o seu carro sabe sobre si passa a ser seu

A partir dessa data, qualquer produto ligado à internet colocado no mercado europeu tem de ser desenhado para que o utilizador aceda aos dados que gera. O direito já existia desde 2025 — o que muda é deixar de depender da boa vontade do fabricante.

Um carro moderno regista quanto trava, onde estaciona, com que frequência abre a porta do condutor e quando é que um sensor começou a portar-se mal. Uma máquina agrícola conta as horas de motor. Um relógio conta os passos. Durante anos, esses dados existiram num sítio ao qual o dono do aparelho não chegava — chegava o fabricante, e chegava quem o fabricante deixasse chegar.

Isso muda de estatuto a 12 de setembro.

Nessa data entra em aplicação a parte do Regulamento (UE) 2023/2854, o chamado Data Act, que obriga os produtos ligados e os serviços associados colocados no mercado europeu a partir daí a serem concebidos e fabricados de forma a que os dados que geram fiquem acessíveis ao utilizador de forma fácil, segura e, sempre que possível, direta.

O direito não é novo. A engenharia é

Vale a pena separar as duas coisas, porque quase toda a cobertura as mistura.

O direito de aceder aos dados do seu próprio aparelho já se aplica desde 12 de setembro de 2025. Se tem hoje um carro ligado, já pode pedir os dados que ele produz. O que acontece na prática é que pedir nem sempre resulta: o fabricante responde que a informação está num formato proprietário, que a extração é complexa, que a interface não existe. Formalmente cumpre-se o regulamento; materialmente, o utilizador desiste.

O que a data de setembro acrescenta é a obrigação de o acesso estar previsto desde a prancheta. Um produto lançado depois de 12 de setembro de 2026 tem de ser desenhado com essa porta lá dentro. Deixa de ser um favor de pós-venda para passar a ser um requisito de projeto — e um fabricante que não o cumpra não está a ser pouco colaborante, está em incumprimento.

Para que serve isto, na vida real

O exemplo mais concreto é a oficina. Se os dados de diagnóstico do seu carro forem acessíveis e puderem ser partilhados com um terceiro à sua escolha, uma oficina independente consegue fazer a reparação sem depender do que a rede da marca lhe queira ceder. O mesmo raciocínio vale para a manutenção de equipamento agrícola, para aparelhos médicos domiciliários e para eletrodomésticos ligados.

Há ainda uma segunda data a marcar, e essa interessa sobretudo a quem gere sistemas. As taxas que os fornecedores de serviços de computação em nuvem cobram a um cliente que queira mudar de fornecedor estão limitadas ao custo direto da migração e desaparecem por completo a 12 de janeiro de 2027. A ideia é a mesma da anterior: tornar a saída tecnicamente possível e economicamente indolor.

O que não muda

Não passa a haver um botão universal. O regulamento fixa o resultado, não o desenho da interface, e os primeiros meses vão ser desiguais consoante o setor e o fabricante. Também não substitui o RGPD — quando os dados do produto são dados pessoais, as duas peças aplicam-se ao mesmo tempo, e o Data Act não serve de atalho para ninguém aceder a informação sobre si.

Sendo um regulamento, aplica-se diretamente em Portugal sem necessidade de transposição, o que na prática significa que a data vale cá exatamente como vale na Alemanha ou na Irlanda. Bruxelas tem vindo a legislar sobre o digital a um ritmo que os Estados-membros nem sempre acompanham na fiscalização, como se viu quando a lei francesa sobre redes sociais para menores caiu por razões de método e não de conteúdo, e a execução continua a ser o teste difícil — o mesmo problema que atravessa dossiês nacionais como a renovação do espetro móvel em discussão na Anacom.

Para quem vai comprar carro no outono, porém, a leitura é simples: a partir de 12 de setembro, o que o veículo sabe sobre si nasce com uma porta de saída.

Por Oliver Grant

Imagem: Mariordo (Mario Roberto Durán Ortiz) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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Tecnologia 21 de agosto de 2026

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Tecnologia 20 de agosto de 2026

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Tecnologia 19 de agosto de 2026

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Chama-se S301, fecha uma órbita em 8,7 anos e chega a 25 mil quilómetros por segundo. Foi apanhada pelo interferómetro do ESO no Chile e é a primeira estrela que permite medir diretamente a rotação do Sagitário A*.

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Gráfico de barras com os anos que faltam até caducarem os direitos de utilização de cada faixa: 16 anos nos 900 MHz, 15 nos 800 MHz e 7 nos 2600 MHz
Tecnologia 18 de agosto de 2026

A Anacom propõe renovar o espetro da Meo, Nos e Vodafone. Uma das faixas fica-se por 2033

O regulador quer prolongar os direitos de utilização entre 2033 e 2042, consoante a frequência. As operadoras esperavam 40 anos e falam numa decisão errada. A consulta pública fecha a 27 de agosto.

As licenças com que a Meo, a Nos e a Vodafone montaram as redes móveis em Portugal caducam no final de 2027, e a Anacom já disse, em sentido provável de decisão, o que tenciona fazer com elas. Vai renovar. Mas não pelo prazo que as operadoras queriam, e não todas ao mesmo tempo: a proposta do regulador estica umas faixas até 2041 e 2042 e trava outras em abril de 2033. A divisão segue a lógica de para que serve cada frequência. Os 800 MHz, que são os que…

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Sala dos deliberados do Conselho Constitucional francês, com a mesa de vidro, as cadeiras dos nove membros e a bandeira de França
Tecnologia 17 de agosto de 2026

França chumbou a proibição das redes sociais a menores de 15 anos. O problema não era a idade

O Conselho Constitucional francês travou a lei a 14 de agosto. Aceitou que se limite o acesso dos menores, mas chumbou a proibição geral e a verificação de idade sem regras — os dois pontos onde a lei portuguesa é diferente.

A lei devia entrar em vigor no regresso às aulas. Não entra. A 14 de agosto, o Conselho Constitucional francês chumbou o artigo 1.º da lei que proibia o acesso às redes sociais a menores de 15 anos, e a leitura rápida que correu o mundo — "a França não pode proibir" — é quase o contrário do que o tribunal escreveu. O que os nove membros disseram, logo no início, é que a proteção do superior interesse da criança e a prevenção de perturbações da ordem…

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Gráfico Tugadaily: avaliação da Tekever em milhões de euros, ronda de 2025 face ao valor visado em 2026
Tecnologia 16 de agosto de 2026

A empresa portuguesa de drones que valia 1,2 mil milhões quer agora valer 5,5 mil milhões

A Tekever está em negociações para levantar cerca de 500 milhões de euros junto de investidores novos e atuais, numa ronda que avaliaria a empresa em 5,5 mil milhões — quase cinco vezes o valor de 2025.

A Tekever está a negociar uma ronda de financiamento de cerca de 500 milhões de euros que avaliaria a fabricante portuguesa de drones em 5,5 mil milhões. Se fechar nesses termos, é quase cinco vezes o valor a que a empresa chegou em maio de 2025, quando entrou no clube dos unicórnios nacionais com uma avaliação acima de mil milhões de libras, perto de 1,18 mil milhões de euros. O dinheiro é para aquisições e expansão, e vem de investidores já presentes no…

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Gráfico de barras da Tugadaily: 110 países abrangidos pela vaga de avisos de spyware da Apple de agosto de 2026 e 150 no total desde 2021
Tecnologia 15 de agosto de 2026

Recebeu um aviso da Apple a dizer que foi alvo de spyware? Não é phishing

A Apple voltou a enviar notificações de ameaça, desta vez a utilizadores em 110 países. O aviso é raro, é dirigido a pessoas concretas e chega sempre pelos mesmos três canais — o que também é a melhor forma de distinguir o verdadeiro do falso.

A Apple enviou esta semana mais uma vaga de notificações de ameaça, e desta vez chegaram a utilizadores em 110 países. Não é um alerta genérico de segurança, do género que pede para atualizar o sistema. É uma mensagem que diz a uma pessoa em concreto que os sistemas da Apple detetaram atividade compatível com um ataque de spyware mercenário dirigido àquela conta. A distinção interessa porque muda a reação certa. Um alerta de segurança normal aplica-se a…

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Imagem oficial de lançamento do Google Pixel 11 Pro, na cor rosa Canyon, com a barra de câmaras traseira
Tecnologia 14 de agosto de 2026

O Pixel 11 chega às lojas portuguesas a 20 de agosto (e a versão base parte dos 1.019 euros)

A Google apresentou a gama a 12 de agosto e já há preços e data para Portugal. O que as tabelas não dizem é quais das funções de Gemini que vendem o telefone chegam mesmo em português — as notas de rodapé do anúncio oficial limitam-nas a países e línguas selecionados.

A Google apresentou o Pixel 11 a 12 de agosto, em Nova Iorque, e Portugal está na primeira leva de países. Os três modelos, Pixel 11, Pixel 11 Pro e Pixel 11 Pro XL, ficam nas lojas a 20 de agosto, na próxima quinta-feira. Tínhamos escrito sobre o evento em julho, quando só havia data marcada, e agora há números. O Pixel 11 começa nos 1.019 euros, já com 256 GB, porque a Google deixou cair a configuração de 128 GB. A versão de 512 GB fica em 1.149 euros.…

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Mão a segurar um smartphone com a aplicação do YouTube aberta no ecrã de arranque
Tecnologia 12 de agosto de 2026

Tem um canal no YouTube? A monetização muda a 1 de fevereiro de 2027

Canais novos passam a precisar de 8.000 horas ou 20 milhões de views de Shorts. Quem já está no programa não sobe de fasquia, mas ganha um mínimo de 10 milhões de views para receber dos Shorts — e o Premium Lite chega a todos os países com Premium.

O YouTube mexeu no programa de parcerias pela primeira vez desde 2018 e a manchete que correu o mundo foi a mais fácil de escrever: quem quiser entrar vai precisar do dobro. É verdade. É também a parte que menos gente vai sentir. Lido com atenção, o anúncio do YouTube de 10 de agosto traz três mudanças, e só uma é sobre entrar. A partir de 1 de fevereiro de 2027, um canal novo que se candidate ao programa precisa de 8.000 horas de visualização…

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Esquema de uma placa gráfica com a memória HBM ao lado da GPU sobre um interposer de silício
Tecnologia 11 de agosto de 2026

Esta ideia de empilhar a memória em cima da GPU promete quatro vezes a velocidade e um quarto do consumo

A Samsung apresentou o zHBM na conferência FMS 2026. No mesmo palco, a SK hynix e a Sandisk publicaram a primeira especificação aberta de High-Bandwidth Flash, com até 512 GB por módulo.

O travão do momento na inteligência artificial não é o processador. É a distância que os dados percorrem entre o processador e a memória, e essa distância existe porque, no desenho atual, a memória fica ao lado do chip e não em cima dele. Foi contra isso que a Samsung apresentou o zHBM, a 4 de agosto, na conferência Future of Memory and Storage, em Santa Clara. A ideia é empilhar a memória de alta largura de banda diretamente sobre o acelerador de IA. A…

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A fábrica Fab 18 da TSMC em Taiwan vista de longe, com campos agrícolas em primeiro plano
Tecnologia 11 de agosto de 2026

A empresa que fabrica quase todos os chips de IA do mundo teve o melhor julho de sempre

A TSMC faturou 467,58 mil milhões de dólares taiwaneses em julho, cerca de 14,5 mil milhões de dólares americanos: mais 44,7% do que há um ano e mais 5,6% do que em junho. No acumulado do ano vai em mais 37,0%.

Se quiser entender de onde vem a fatura de tudo o que hoje chamamos inteligência artificial, o melhor sítio para olhar não é a Nvidia nem a OpenAI. É uma empresa taiwanesa que fabrica os chips de quase todos os outros. A TSMC anunciou receitas de 467,58 mil milhões de dólares taiwaneses em julho, cerca de 14,5 mil milhões de dólares americanos. É um recorde mensal: mais 44,7% do que no mesmo mês de 2025 e mais 5,6% do que em junho. Nos primeiros sete…

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Interior de uma livraria com estantes de livros a toda a altura sob uma galeria em arco
Tecnologia 10 de agosto de 2026

Os livros que circulam em grupos de Telegram e WhatsApp custam mais de 75 milhões às editoras

Romances, manuais escolares e audiolivros são partilhados em ficheiro dentro de grupos fechados de mensagens. O setor livreiro português vai lançar até ao final do ano um estudo para medir o tamanho real do buraco.

A pirataria de livros deixou de passar por sites obscuros e mudou-se para onde toda a gente já está. Em Portugal, romances, manuais escolares e audiolivros circulam hoje em ficheiro dentro de grupos de Telegram e de WhatsApp, e a conta que o setor faz vai além dos 75 milhões de euros perdidos pelas editoras. A mecânica é simples e é isso que a torna difícil de travar. Alguém compra ou digitaliza um título, atira o PDF ou o EPUB para um grupo com centenas…

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Cartão do blogue da Suno com o título How We're Building the Future of Music Responsibly, assinado por Mikey Shulman a 6 de agosto de 2026
Tecnologia 8 de agosto de 2026

A Suno vai carimbar cada música que a sua IA gerar (e apertar quem faz downloads em massa)

A marca de água é inaudível, fica gravada na própria onda sonora e serve para as plataformas reconhecerem uma faixa feita na Suno. O anúncio chega com as editoras a processar a empresa e com as regras europeias de transparência já em vigor.

A Suno anunciou a 6 de agosto que vai começar a marcar as faixas que a sua inteligência artificial produz. A marca de água fica gravada no áudio, não se ouve, e a ideia é que qualquer plataforma parceira consiga olhar para uma música e perceber que saiu dali. O anúncio foi feito num texto assinado pelo cofundador e CEO, Mikey Shulman, e a empresa descreve a marca como duradoura e resistente a manipulação, sem afetar a experiência de audição. Há uma frase…

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