O Gemini 4 Carbon é o modelo mais forte da Google. Para já, só o usa quem defende redes
A Google apresentou a 28 de outubro o Gemini 4 Carbon, com recordes em testes de cibersegurança como o ExploitGym (54,8%). O acesso começa por um grupo de especialistas em ciberdefesa e alarga-se aos poucos. Programadores e público ainda não têm data.
A Google tem um novo modelo de topo e quase ninguém o pode usar. O Gemini 4 Carbon, apresentado na quarta-feira por Koray Kavukcuoglu, da Google DeepMind, é descrito pela empresa como o seu modelo mais forte, sobretudo em cibersegurança e em tarefas longas. Chega apenas duas semanas depois do Gemini 4 Argon.
O motivo do acesso fechado está nos próprios números. Num teste que mede a capacidade de encontrar falhas de segurança em software, o SEC-bench Pro, o Carbon resolveu 88,2% dos casos. No ExploitGym, que mede se o modelo consegue explorar essas falhas, chegou aos 54,8%, um recorde. Num terceiro, o CWE-bench, corrigiu 71% das vulnerabilidades. Um modelo tão bom a encontrar e explorar falhas é útil a quem defende sistemas, e perigoso nas mãos erradas.
Quem tem acesso
Nesta primeira fase, só um grupo escolhido de profissionais de ciberdefesa. O acesso vai depois abrir aos poucos a outros parceiros de confiança, através de um programa a que a Google chama Fairwind. Programadores, empresas e consumidores ficam à espera, sem data, até a empresa juntar mais feedback e reforçar as salvaguardas. A Google diz também que entregou o modelo ao processo voluntário de testes prévios do Governo norte-americano.
Os resultados de cibersegurança foram medidos sem as proteções que o produto final vai ter. Com elas ligadas, a Google garante que, num teste de injeção de instruções maliciosas, a taxa de ataques bem-sucedidos foi de 0%, contra 0,7% no Argon.
Quanto vai custar
Quando abrir, o preço de lançamento é igual ao do Argon: 2 dólares por milhão de tokens de entrada e 10 dólares por milhão de saída. Depois do período de introdução sobe para 4 e 20 dólares. No índice da Artificial Analysis, que compara modelos de várias empresas, o Carbon aparece em primeiro lugar, com 59 pontos.
É a mesma lógica de lançamento por fases que tem vindo a ganhar terreno entre os laboratórios de IA, depois de os líderes de três deles terem concordado que a indústria devia abrandar o ritmo. Para a maioria dos utilizadores, o Gemini que está no telemóvel continua a ser o Argon.
Por Oliver Grant
Imagem: Google