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Gráfico de barras com as notas de segurança de nove empresas de IA, de Anthropic (2,66) a Mistral (0,33)
Tecnologia 15 de julho de 2026

Ninguém passou no exame de segurança da IA, e a europeia Mistral ficou em último de nove

O Índice de Segurança da IA do Future of Life Institute deu C+ à melhor empresa e chumbou três. A Mistral, maior esperança europeia, ficou em nono e último lugar.

Nenhuma empresa de inteligência artificial teve nota positiva. Essa é a conclusão curta do Índice de Segurança da IA do Future of Life Institute, publicado este mês, que pôs um painel de sete especialistas independentes a avaliar nove empresas em 37 indicadores. A melhor nota de todas foi um C+.

Essa melhor nota foi para a Anthropic, com 2,66 numa escala de 0 a 4. Seguem-se a OpenAI com 2,28 e a Google DeepMind com 2,01, ambas com C. A Meta ficou-se por um D+, com 1,32. E depois há o fundo da tabela: xAI (0,65), DeepSeek (0,47) e Mistral (0,33), todas com F — chumbo liso.

Porque é que a Mistral ficar em último importa à Europa?

Porque é a dissonância europeia em estado puro, e porque a Mistral era precisamente a empresa em quem a Europa depositou a aposta da IA soberana. A União Europeia é a jurisdição que mais legislou sobre segurança da IA no mundo — e a maior empresa europeia de IA foi a que pior pontuou de todas as nove. Escrever as regras e não ter uma campeã que as encarne é um problema político, não técnico, e é daqueles que se paga em credibilidade nas negociações seguintes.

Os avaliadores recomendam à Mistral três coisas nada exóticas: publicar um quadro de segurança completo e uma estrutura de governação, envolver-se a sério com o risco existencial em vez de o desvalorizar, e melhorar o desempenho fraco nos testes de segurança. Não é um caso de tecnologia difícil. É trabalho de casa por fazer.

E o que é que os especialistas acharam mais grave?

Menos as notas, mais o sentido da marcha. O painel diz que até os líderes estão a recuar em compromissos anteriores: Anthropic, OpenAI, Google DeepMind e Meta enfraqueceram ou anularam promessas de travar unilateralmente ao aproximarem-se de linhas vermelhas, algumas condicionando-as ao que a concorrência fizer. Os avaliadores chamam-lhe baliza a andar, e dizem que minou os quadros de segurança de todos.

O domínio mais fraco da indústria inteira é a segurança existencial: nenhuma empresa passa de C-, e a maioria fica em D ou abaixo. Existem tentativas construtivas, mas o painel considera-as inadequadas — e questiona o próprio paradigma dominante com uma frase que fica: detetar não é prevenir.

Há ainda um ponto que mexe com a Europa por outro lado. Os avaliadores assinalaram a viragem da indústria para o uso militar como um risco emergente: entre 2024 e 2026, empresas que proibiam aplicações militares foram invertendo a posição e hoje procuram parcerias de defesa. É a mesma corrida que já levou a europeia Helsing a levantar 1.800 milhões para drones com IA.

Convém ler as notas com a régua certa: o índice recolheu provas até 3 de junho de 2026 e as notas são atribuídas por um painel, com juízo humano pelo meio. O relatório completo e o quadro de notas estão no site do Future of Life Institute.

Por Oliver Grant

Infografia: Tugadaily · dados Future of Life Institute

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