Economia portuguesa: a crescer acima da média, mas com solavancos pelo caminho
A OCDE e o Banco de Portugal traçam um 2026 ainda robusto para Portugal, apesar de um arranque de ano travado por tempestades e energia mais cara.
Há uma frase que se repete nos relatórios sobre Portugal este ano: a economia continua a crescer mais depressa do que a média da zona euro. É verdade, mas convém ler as letras pequenas, porque 2026 começou com o pé trocado.
Depois de anos a desviar-se para cima da média europeia, com o desemprego a cair e a dívida pública a aliviar, o país apanhou uma série de choques logo no arranque do ano. Tempestades fortes em janeiro e fevereiro, seguidas de uma subida acentuada dos preços da energia em março e abril, praticamente pararam o crescimento no primeiro trimestre.
Os números
Mesmo assim, o PIB cresceu 2,3% em termos homólogos no primeiro trimestre, uma melhoria face ao ritmo de 2025. As projeções apontam para um crescimento real na ordem de 1,8% este ano e 1,7% em 2027 — nada de espetacular, mas acima do que se espera para a zona euro no mesmo período.
Há mais boas notícias no lado das contas. A dívida pública caiu para lá dos 90% do PIB em 2025 e deve continuar em trajetória descendente, ainda que o excedente orçamental dê lugar a um pequeno défice em 2026, com o Estado a gastar mais para amortecer a travagem.
O que vigiar
O ponto sensível é a inflação, que voltou a subir com os combustíveis, e um comércio externo mais fraco a pressionar a balança. As exportações de bens, essas, ainda assim cresceram mais de 10% no ano até março, o que segura o barco.
Em resumo: um crescimento sólido, sem euforias, com a energia e o contexto externo como principais nuvens no horizonte.
Veja também: como está o custo de vida em Portugal. O relatório completo está disponível na OCDE.
Imagem: Wikimedia Commons