Ouro encadeia quarto mês de quedas: o fim da febre?
Depois de máximos históricos no início do ano, o ouro segue em queda. O que está por trás e o que dizem os bancos para o resto de 2026.
Quem comprou ouro no auge da euforia anda com a barriga às voltas. O metal que parecia imparável fechou junho a caminho do quarto mês consecutivo de quedas, a rondar os 4.000 dólares por onça, bem longe do máximo histórico de cerca de 5.589 dólares atingido em janeiro.
A correção é de respeito: mais de 25% abaixo do pico. Depois de meses em que o ouro só sabia subir, o mercado lembrou-se de que nada sobe em linha reta.
O que mudou
Vários fatores empurraram no mesmo sentido. As expectativas em torno dos juros mudaram, com investidores a anteciparem que os bancos centrais podem manter o dinheiro mais caro por mais tempo para travar a inflação. E quando os juros sobem, o ouro, que não paga rendimento, perde brilho face a aplicações que rendem.
Ao mesmo tempo, qualquer sinal de desanuviamento geopolítico tira procura de refúgio. O ouro vive de medo, e nos últimos tempos o medo oscilou ao sabor das conversas entre potências.
Curiosamente, os grandes bancos continuam otimistas para o final do ano, com projeções que vão dos 4.900 aos 6.300 dólares por onça. Ou seja, ninguém deu o ciclo por encerrado, apenas por arrefecido.
A lição para o investidor de fim de semana é a do costume: o ouro é seguro de carteira, não bilhete de lotaria. Diversificar continua a ser o conselho mais aborrecido e mais sensato.
Veja também: O que está a mexer com os juros e a Euribor e como os depósitos a prazo voltaram a render. Dados em Trading Economics.
Imagem: Wikimedia Commons