EN
Prédios residenciais numa cidade
Imobiliário 29 de junho de 2026

Casas usadas disparam mais do que as novas: o fosso que está a crescer

No início de 2026, os preços das casas existentes subiram 19,7% e os das novas 12,6%. A diferença está a mudar as contas de quem compra.

Quando se fala em preços das casas, costuma usar-se um número só. Mas os dados do INE para o início de 2026 mostram duas realidades bem diferentes debaixo do mesmo teto: as habitações existentes subiram 19,7% em termos homólogos, enquanto as novas avançaram 12,6%.

À primeira vista parece um detalhe técnico. Não é. Significa que o usado, durante muito tempo a opção mais barata, está a encarecer mais depressa do que o construído de raiz — e o fosso entre o que era acessível e o que era topo de gama vai-se fechando.

Porque é que o usado dispara

Há várias razões a empurrar os preços do usado: falta de oferta nova suficiente, localização (as casas antigas estão muitas vezes nos centros mais procurados) e compradores que, afastados do novo por escassez ou preço, se atiram ao mercado existente. Resultado: mais procura a competir pelo mesmo stock envelhecido.

Para quem procura casa, a leitura prática é que a velha regra “o usado compensa sempre” deixou de ser automática. Em algumas zonas, comparar bem o preço por metro quadrado entre novo e usado pode dar surpresas — e, com a procura a arrefecer no conjunto do mercado, há margem para negociar que não havia há um ano.

Veja também: os estrangeiros compram cada vez menos casas. Os dados oficiais estão no portal do INE.

Imagem ilustrativa · Foto: Jeffrey Eisen / Pexels

Chaves de uma casa nova na mão de um comprador
Imobiliário 6 de julho de 2026

Crédito habitação jovem 2026: como comprar casa com financiamento a 100% (antes que acabe)

A garantia pública permite a jovens até 35 anos comprar a primeira casa sem entrada — mas os contratos têm de ser assinados até 31 de dezembro de 2026. O guia passo a passo.

Se tem até 35 anos e quer comprar a primeira casa sem ter poupado a entrada, o relógio está a contar: a garantia pública que permite financiamento a 100% no crédito habitação jovem está prevista apenas até 31 de dezembro de 2026 — e o contrato tem de estar assinado até lá. Eis como funciona o apoio, quem pode usá-lo e que passos dar já.

Como funciona o financiamento a 100% para jovens?

Num crédito habitação normal, o banco financia até 90% do valor da casa e o comprador entra com os outros 10% — facilmente 20 ou 30 mil euros que muitos jovens não têm. Com a garantia pública, o Estado assume o papel de fiador até 15% do valor do imóvel, o que permite ao banco emprestar os 100%. O Estado reforçou esta garantia em 350 milhões de euros, sinal de que a procura tem sido forte: os jovens ganharam peso na compra de casa e a idade média dos compradores desceu desde que a medida existe.

Quem pode pedir o crédito habitação jovem?

Os requisitos essenciais: ter entre 18 e 35 anos, comprar a primeira habitação própria e permanente, e não ser proprietário de outro imóvel habitacional. Ao balcão, cada banco avalia depois a taxa de esforço como em qualquer crédito — o aval do Estado não dispensa rendimentos compatíveis com a prestação. O ambiente ajuda: com o BCE a manter as taxas diretoras estáveis, os bancos esperam um ano forte no crédito à habitação.

Que impostos ficam isentos?

A mesma faixa etária beneficia da isenção de IMT e de Imposto do Selo na compra da primeira casa, com isenção total até 330.539 euros de preço — explicámos os limites ao detalhe no nosso guia do IMT Jovem. Somando a isenção fiscal ao financiamento a 100%, um jovem pode hoje comprar casa praticamente sem capital inicial — exatamente o desenho que levou o FMI a avisar que estes apoios, ao aquecer a procura sem criar oferta, podem estar a alimentar a própria subida dos preços.

Passo a passo: o que fazer até dezembro

Primeiro, confirme a elegibilidade (idade, primeira habitação própria permanente). Segundo, peça simulações em vários bancos e diga logo que quer usar a garantia pública — nem todos a propõem por iniciativa própria. Terceiro, trate da documentação com folga: pré-aprovação, avaliação do imóvel e escritura demoram semanas, e no fim do ano os bancos estarão cheios de processos de quem deixou para a última hora. O contrato tem de estar formalizado até 31 de dezembro de 2026; salvo prorrogação que o Governo ainda não anunciou, quem escriturar em janeiro fica de fora.

Perguntas frequentes

Quanto posso pedir com a garantia pública? O financiamento pode chegar aos 100% do valor de compra ou de avaliação do imóvel (o mais baixo dos dois), dentro dos limites de preço da medida e da sua capacidade de endividamento.

A garantia pública tem custos? O aval do Estado não é um subsídio — se deixar de pagar, o Estado responde perante o banco e depois cobra-lhe a dívida. É uma porta de entrada, não um desconto.

E se a casa custar mais de 330.539 euros? A isenção de IMT deixa de ser total acima desse valor e desaparece nos escalões mais altos; a garantia pública também tem teto de preço. Casas de luxo ficam fora do desenho da medida.

Veja também: o plano do Governo para destravar a habitação. Informação oficial sobre os apoios em portugal.gov.pt.

Imagem ilustrativa · Foto: Kindel Media / Pexels

Vista de Málaga, no sul de Espanha, zona muito procurada por compradores estrangeiros
Imobiliário 5 de julho de 2026

Espanha e o imposto de 100% para estrangeiros: afinal, o que aconteceu?

Não, Espanha não está a cobrar 100% de imposto a compradores estrangeiros. A proposta de Pedro Sánchez encalhou no Congresso e nunca entrou em vigor. Explicamos o que se passa.

Não, Espanha não está a cobrar um imposto de 100% a quem compra casa vindo de fora. A ideia gerou manchetes por todo o lado, mas a verdade em 2026 é bem mais simples: a proposta encalhou e nunca chegou a ser lei.

Espanha vai cobrar 100% de imposto a estrangeiros?

Neste momento, não. Em janeiro de 2025, o primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou a intenção de aplicar um imposto “até 100%” na compra de imóveis por parte de compradores não residentes e de fora da União Europeia — ou seja, gente de países como o Reino Unido, os Estados Unidos ou o Canadá. Na prática, seria duplicar o custo do negócio. Mas até abril de 2026 nenhum diploma foi aprovado, a medida nunca foi sequer debatida no Congresso e o próprio pacote da habitação do governo, em janeiro de 2026, deixou-a cair.

Porque é que o imposto de 100% encalhou?

Por duas razões. A primeira é política: o governo espanhol não reuniu apoio parlamentar suficiente para levar a medida a votação. A segunda é jurídica: há sérias dúvidas de que um imposto assim seja compatível com o direito europeu, sobretudo com a livre circulação de capitais, e o Tribunal de Justiça da UE já condenou Espanha no passado por medidas fiscais discriminatórias. Vale a pena sublinhar que a proposta visava apenas não residentes de fora da UE — residentes de qualquer nacionalidade ficariam de fora.

O que muda para quem quer comprar casa em Espanha (ou em Portugal)?

Para já, nada de novo em Espanha: aplicam-se as regras e os impostos habituais. Mas o episódio mostra uma tendência que atravessa o sul da Europa — a pressão política para travar a compra especulativa por não residentes, num momento em que os preços apertam a vida a quem cá vive. É a mesma conversa que se ouve deste lado da fronteira.

Veja também: o custo real de comprar casa em Portugal sendo estrangeiro. Fonte oficial no portal do governo espanhol.

Imagem: Wikimedia Commons

Quarto de residência de estudantes
Imobiliário 5 de julho de 2026

Quarto para estudar: o que muda no alojamento universitário em 2026/27

Reforma da ação social, apoio de 160 euros por mês e várias fases de candidatura a residências. O guia para quem entra ou regressa ao ensino superior.

Encontrar um quarto perto da faculdade é, para muitas famílias, tão stressante como as próprias notas de acesso. Para o ano letivo 2026/27 há novidades que convém conhecer a tempo — porque os prazos não esperam por ninguém.

Quais os prazos das candidaturas ao alojamento estudantil?

Para quem já está inscrito, a candidatura ao alojamento nas residências decorreu entre 25 de maio e 30 de junho. Para quem entra pela primeira vez, há três fases mais tarde: 24 a 27 de agosto, 14 a 16 de setembro e 30 de setembro a 2 de outubro. Vale a pena marcar estas datas no calendário, porque as vagas nas residências são limitadas e a prioridade vai para os estudantes bolseiros da ação social.

A reforma que pode mudar as contas

Há também uma mudança de fundo. Em maio, o Governo aprovou uma reforma do sistema de ação social no ensino superior, prevista para entrar em vigor já em 2026/27, com a promessa de que nenhum aluno fica de fora por razões económicas. A ideia é calcular a bolsa a partir da diferença entre o custo real de estudar naquele concelho — propina, alimentação, transporte e alojamento — e o rendimento do agregado.

Para os deslocados alojados em residência há um apoio mensal que pode chegar aos 160 euros, além de um complemento de alojamento ligado ao valor pago na residência. Não resolve tudo, mas alivia a fatura de quem tem de sair de casa para estudar.

Quem não consegue lugar numa residência cai no mercado privado, onde a pressão é conhecida — veja como estão as rendas em 2026. Toda a informação oficial sobre bolsas e alojamento está na DGES.

Imagem ilustrativa · Foto: Sulaiman Afrij / Pexels

Prédios de apartamentos nos arredores de Lisboa
Imobiliário 4 de julho de 2026

Preços das casas em Portugal: o acompanhamento

Acompanhamento contínuo do mercado da habitação em Portugal — índice de preços do INE, avaliação bancária, rendas e acessibilidade. Atualizado a cada novo dado.

Reunimos aqui, num só sítio, a evolução do mercado da habitação em Portugal. Em vez de um artigo por cada dado novo, atualizamos esta página com o essencial: o índice de preços do INE, a avaliação bancária, as rendas e a acessibilidade para quem compra ou arrenda. Os dados oficiais estão no INE.

Atualizações

4 de julho de 2026

As rendas descem há cinco meses consecutivos a nível nacional, mas Lisboa continua a ser das capitais menos acessíveis da Europa. Portugal está no top 3 europeu na subida de preços de compra.

1 de julho de 2026

Os preços da habitação bateram novo recorde em maio: subida de 10,2% em cadeia homóloga, com o preço mediano a chegar aos 3.142 euros por metro quadrado, embora o ritmo comece a dar sinais de abrandamento.

30 de junho de 2026

A avaliação bancária das casas atingiu novo máximo (2.208 euros/m²) e o índice de preços do INE confirmou a subida no arranque do ano.

Imagem: Wikimedia Commons

Cais da Ribeira, no Porto, com os prédios coloridos à beira-rio
Imobiliário 4 de julho de 2026

As rendas estão a descer há cinco meses (mas Lisboa continua a doer)

Os valores de arrendamento caíram 2,4% em junho, o quinto mês seguido em queda. Mesmo assim, arrendar na capital custa 21,8 euros por metro quadrado.

Depois de anos a subir sem travão, o mercado de arrendamento está finalmente a mostrar sinais de fôlego para os inquilinos. As rendas em Portugal caíram 2,4% em junho face ao mesmo mês do ano anterior — o quinto mês seguido em queda. Não é uma revolução, mas é uma mudança de direção que há pouco tempo parecia impensável.

O detalhe que estraga a festa

Antes de abrir o champanhe, convém olhar para os números absolutos. Lisboa continua a ser a cidade mais cara para arrendar, com uma mediana de 21,8 euros por metro quadrado, seguida do Funchal, com 16,8, e do Porto, com 16,4. Ou seja: os valores podem estar a aliviar, mas partiram de tão alto que a conta ao fim do mês continua a apertar quem procura casa nos grandes centros.

E há uma segunda camada. No primeiro trimestre, a renda mediana no país rondava os 9,46 euros por metro quadrado, mais 9,1% do que um ano antes — sinal de que a travagem é recente e ainda não desfez a subida acumulada.

Comprar ou arrendar

Do lado da compra, o cenário é o oposto: os preços das casas continuam a subir, ainda que a abrandar, e o custo do crédito voltou a mexer com a subida dos juros. Para muitas famílias, a decisão entre arrendar e comprar deixou de ser óbvia e passou a depender de quanto tempo se pretende ficar e de quanta poupança há à cabeça.

A leitura honesta é esta: menos mau para quem arrenda, longe de barato nas cidades.

Veja também: como as vendas de casas abrandaram no arranque do ano. Os relatórios de preços atualizados estão disponíveis no idealista/data.

Imagem: Wikimedia Commons

Chaves de uma casa nova em cima de uma mesa
Imobiliário 3 de julho de 2026

Portugal no pódio europeu da subida dos preços das casas

As previsões colocam Portugal entre os países onde as casas mais encarecem na Europa nos próximos anos. Boas notícias para quem tem, dor de cabeça para quem procura.

Se há um tema que não sai da conversa em Portugal, é o preço das casas. E as previsões não trazem grande alívio: vários estudos colocam o país entre os que mais vão ver as casas encarecer na Europa nos próximos anos, com subidas acima da média europeia. Para quem já tem casa, é património a valorizar; para quem procura a primeira, é mais um ano a correr atrás do mercado.

O que dizem as projeções

As estimativas apontam para uma subida que abranda, mas não trava. Depois de anos de recordes, o ritmo deverá moderar-se, ainda assim mantendo Portugal bem acima da média da União Europeia. Por outras palavras: as casas continuam a ficar mais caras, só que um pouco mais devagar do que na loucura dos últimos tempos.

Porque é que Portugal está tão em alta

As razões são conhecidas: procura estrangeira forte, turismo, falta de construção nova suficiente e uma economia que, apesar de tudo, tem crescido acima da média europeia. Junte-se a isto o apetite por viver em cidades como Lisboa e Porto e tem-se a receita para preços persistentemente altos.

Para o comprador, a mensagem realista é esta: esperar pela grande queda pode sair caro. Melhor é fazer contas ao que se pode pagar com folga.

Veja também: quanto custa hoje construir de raiz. Relatórios de mercado no idealista.

Imagem ilustrativa · Foto: Pexels

Obra de construção de uma casa
Imobiliário 2 de julho de 2026

Quanto custa construir casa em Portugal em 2026

Com os preços das casas prontas nas alturas, muitos pensam em construir de raiz. Mas quanto custa mesmo o metro quadrado hoje — e vale a pena?

Com o preço das casas prontas a bater recordes, cada vez mais gente faz a mesma pergunta: e se construísse de raiz? A ideia é tentadora — escolher tudo, evitar a especulação do mercado — mas a conta da construção também subiu nos últimos anos, empurrada pelo custo dos materiais e pela falta de mão de obra.

O número que interessa

Em 2026, construir uma casa em Portugal custa, de forma geral, algumas centenas de euros por metro quadrado só de construção, valor que sobe bastante consoante os acabamentos, a zona e a complexidade do projeto. A esse número há que somar o terreno, os projetos de arquitetura e engenharia, as licenças e as ligações às redes — extras que muita gente esquece na primeira estimativa e que fazem toda a diferença no orçamento final.

Construir ou comprar

Construir pode compensar em zonas onde o terreno ainda é acessível e onde as casas prontas estão caras. Mas exige tempo, paciência e uma almofada financeira para imprevistos, que numa obra são quase garantidos. Comprar dá previsibilidade; construir dá controlo. A escolha certa depende do bolso, da pressa e da tolerância ao stress de uma obra.

O essencial é pedir orçamentos detalhados e desconfiar de valores redondos demais.

Veja também: porque é que as rendas começaram a descer. Estatísticas de construção e habitação no INE.

Imagem ilustrativa · Foto: Pexels

Chave a entrar na fechadura de uma porta de casa
Imobiliário 1 de julho de 2026

Arrendar em 2026: a corrida por uma casa que não abranda

Com os preços de compra em máximos, cada vez mais gente procura arrendar — e as rendas sentem a pressão. O retrato do mercado neste verão.

Comprar casa em Portugal está mais caro do que nunca — e isso empurra cada vez mais gente para o arrendamento. O problema é que o mercado de arrendamento também não dá tréguas.

Muita procura, pouca oferta

A conta é simples e cruel: há muita gente à procura e poucas casas disponíveis para arrendar, sobretudo nas grandes cidades e nas zonas turísticas. Resultado? As rendas continuam a subir, e quem procura um T1 em Lisboa ou no Porto sabe bem o suor frio que é abrir os anúncios.

Boa parte da pressão vem do sucesso do próprio país: mais turismo, mais nómadas digitais, mais gente a mudar-se para cá. Tudo isto é bom para a economia, mas aperta o cinto a quem precisa de um teto a preço razoável.

O que procurar (e onde)

A boa notícia é que há sempre alternativas para quem está disposto a alargar o mapa. Cidades de média dimensão — Braga, Coimbra, Aveiro, Setúbal — oferecem qualidade de vida e rendas mais suportáveis do que os centros de Lisboa e Porto. O teletrabalho veio abrir essa porta a muita gente.

Vale também a pena conhecer os apoios públicos ao arrendamento e os programas de habitação a custos controlados, que têm ganho peso na resposta à crise. Já tínhamos falado dos preços de compra em máximos; do lado do arrendamento, a informação oficial está no Portal da Habitação.

Imagem ilustrativa · Foto: Adrian Frentescu / Pexels

Obra de construção de habitação
Imobiliário 30 de junho de 2026

Menos burocracia e garantia do Estado: o plano para destravar casas

Licenciamentos mais rápidos e aval público até 100% do crédito. O que muda para quem quer construir ou comprar a primeira casa.

O problema da habitação em Portugal não é só preço, é também tempo. Há projetos parados anos à espera de licenças, e cada mês de atraso é mais custo que acaba no valor final da casa. O Governo prometeu atacar essa frente, com prazos mais curtos e menos papelada no licenciamento, na esperança de pôr obras paradas a andar.

A garantia do Estado para a primeira casa

A medida mais concreta para quem quer comprar é o aval público. Ao abrigo de um esquema de garantia, o Estado pode cobrir uma parte do crédito, permitindo financiar até 100% de uma casa avaliada até 450 mil euros. Na prática, é uma forma de contornar o obstáculo da entrada inicial, que trava muitos jovens mesmo quando conseguiriam pagar a prestação.

Promessas e realidade

A intenção é boa, mas o histórico aconselha cautela. Já houve promessas de desburocratização que esbarraram na máquina administrativa, e organismos internacionais têm avisado que o problema de fundo, a falta de oferta, só se resolve construindo mais e mais depressa. Acelerar licenças ajuda; resolver tudo, dificilmente.

Para quem está a pensar comprar, vale a pena perceber se reúne as condições da garantia pública antes de fechar contas com o banco.

Veja também: o IVA da habitação a 6% e as rendas a dar sinais de travagem.

Detalhes oficiais das medidas em portugal.gov.pt.

Imagem ilustrativa · Foto: D Goug / Pexels

Casas junto à costa em Cascais
Imobiliário 30 de junho de 2026

IVA da habitação a 6%: o que muda para quem constrói ou recupera casa

O pacote da habitação traz IVA reduzido em obras e incentivos ao arrendamento. Explicamos quem ganha e onde estão as letras pequenas.

Construir ou recuperar uma casa em Portugal sempre teve uma fatura pesada — e o IVA era uma boa parte dela. Agora há uma mexida que pode aliviar essa conta.

O pacote da habitação aprovado este ano baixa o IVA para 6% em obras elegíveis de construção e reabilitação, desde que a casa seja para habitação própria ou para arrendamento com rendas até cerca de 2.300 euros por mês. Em obras que facilmente chegam às dezenas de milhares de euros, descer a taxa dos 23% habituais para 6% não é troco.

Não é para tudo

Aqui entram as letras pequenas. O IVA reduzido aplica-se a obras que cumpram os critérios definidos — não é um desconto automático em qualquer empreitada. O objetivo declarado é claro: empurrar mais oferta para o mercado e premiar quem coloca casas para arrendar a preços controlados, em vez de as deixar fechadas.

O pacote inclui ainda incentivos fiscais ao investimento em arrendamento e mudanças nas regras de licenciamento urbano, para tentar destravar processos que hoje arrastam projetos durante anos.

Porque é que isto importa

A OCDE voltou a sublinhar, no seu retrato recente da economia portuguesa, que a acessibilidade da habitação é um dos maiores problemas do país. Falta oferta, e construir sai caro. Medidas pelo lado dos custos — como o IVA mais baixo — atacam precisamente esse nó.

A pergunta de um milhão é se o efeito chega rápido ao bolso de quem procura casa. Reabilitar prédios e licenciar construção leva tempo, e o alívio nas rendas e nos preços tende a aparecer com atraso. Ainda assim, é um sinal na direção certa: tornar mais barato pôr casas no mercado.

Veja também: as rendas começam a arrefecer e os preços das casas no arranque de 2026. Detalhes oficiais no Portal do Governo.

Imagem: Wikimedia Commons

Prédios residenciais numa cidade
Imobiliário 30 de junho de 2026

Rendas dão sinais de travagem: o que está mesmo a acontecer

Depois de anos a subir, as rendas pedidas em Portugal começam a arrefecer — e a procura no Porto dispara. O retrato sem alarmismos.

Há uma novidade que muita gente nem se atreveu a sonhar: as rendas pedidas em Portugal estão a abrandar. Não é uma descida em queda livre, e ninguém deve esperar milagres no fim do mês, mas a tendência mudou de sentido.

Os números contam a história. Em dezembro de 2025, o crescimento das rendas anunciadas já tinha desacelerado para uns modestos 0,9% face ao ano anterior. Em maio de 2026 chegou mesmo a terreno negativo, com uma variação na casa dos -2,9%. Para quem andou anos a ver o preço dos anúncios só a subir, é uma reviravolta e tanto.

Atenção: arrefecer não é baratear

Há um senão importante. O abrandamento é nas rendas pedidas nos anúncios — o que os senhorios escrevem quando põem a casa no mercado. Os contratos novos que se assinam continuam mais caros do que há um ano, com subidas perto dos 8%. Por outras palavras, a febre está a passar, mas a conta ainda dói.

E a procura não dá tréguas. Cada casa para arrendar recebeu, no início de 2026, uma média de 24 contactos, com a procura a crescer cerca de 20% num ano. O caso mais gritante é o Porto, onde o número de contactos por anúncio disparou 57% — sinal de que, por muito que os preços travem, há muito mais gente do que casas.

O que esperar para 2026

Para os contratos já em vigor, a atualização máxima de renda permitida este ano ficou fixada nos 2,24%, um travão legal que dá alguma previsibilidade a quem já tem casa. O Governo aprovou ainda um pacote para a habitação, com IVA reduzido a 6% em obras elegíveis, na esperança de pôr mais oferta no mercado.

A leitura honesta é esta: o pior da escalada pode estar a ficar para trás, mas a falta de casas, sobretudo no Porto e em Lisboa, ainda manda no jogo.

Veja também: Avaliação bancária bate recorde e os preços das casas no arranque de 2026. Mais dados oficiais no idealista e na OCDE.

Imagem ilustrativa · Foto: Vera Emilie / Pexels

Vista sobre os telhados de Lisboa
Imobiliário 30 de junho de 2026

Avaliação bancária das casas bate novo recorde: 2.208 euros por metro

A mediana das avaliações bancárias de habitação atingiu um máximo histórico em maio. O que diz sobre o mercado e sobre o seu crédito.

Mais um mês, mais um recorde. A mediana do valor de avaliação bancária da habitação em Portugal chegou a 2.208 euros por metro quadrado em maio, o valor mais alto de sempre nesta estatística. Traduzindo: o que os bancos consideram que uma casa vale, para efeitos de crédito, nunca esteve tão alto.

Esta avaliação não é um detalhe técnico. É ela que define quanto o banco está disposto a emprestar. Quanto mais alta a avaliação, maior o financiamento possível, mas também maior o preço de partida para quem quer comprar.

Boas e más notícias no mesmo número

Para quem já tem casa, a subida é, no papel, uma valorização do património. Para quem procura comprar, é mais um sinal de que o esforço continua a aumentar, com preços a correr à frente dos salários.

O paradoxo é conhecido: os preços sobem mesmo com a Euribor a pressionar as prestações. Procura forte, oferta curta e construção que não acompanha mantêm o mercado tenso, sobretudo nas grandes cidades e no litoral.

A pergunta que muita gente faz é se isto trava. Os sinais são mistos. Há quem note algum abrandamento no número de transações, sem que isso se traduza ainda numa descida de preços. Por outras palavras, o mercado pode estar a perder fôlego sem perder altitude.

Veja também: As vendas de casas começam a abrandar e o efeito da Euribor nas prestações. Estatísticas oficiais no INE.

Imagem: Wikimedia Commons

Casas coloridas na zona da Ribeira, no Porto
Imobiliário 30 de junho de 2026

Preços das casas continuam a subir no arranque de 2026

O índice de preços da habitação voltou a subir no primeiro trimestre. Olhamos para os números e para o que isso significa de norte a sul.

Se andava à espera de uma trégua nos preços das casas, o primeiro trimestre de 2026 não a trouxe. O índice de preços da habitação voltou a subir, prolongando uma escalada que já dura anos e que poucos sinais dá de querer parar.

Os números contam uma história simples: a procura continua a superar a oferta. Construímos pouco, reabilitamos devagar, e a população, sobretudo nas cidades, continua a precisar de teto. Junte-se o turismo e o investimento estrangeiro e percebe-se por que os preços teimam em subir.

Não é igual em todo o lado

A média esconde realidades muito diferentes. Lisboa, Porto e o litoral algarvio puxam os valores para cima, enquanto muitas zonas do interior continuam a oferecer preços bem mais acessíveis, com o problema oposto: falta de gente e de serviços.

Para as famílias, o efeito prático é o de sempre. Comprar exige cada vez mais poupança à cabeça, e arrendar tornou-se uma corrida de obstáculos nas grandes cidades. Os mais jovens são os que mais sentem o aperto, muitas vezes empurrados para mais longe ou para casa dos pais durante mais tempo.

O mercado pode estar a perder alguma velocidade no número de negócios, mas em preço a inércia é forte. Quem decide comprar deve fazer as contas com folga, pensando na prestação de amanhã e não só na de hoje.

Veja também: A avaliação bancária bate recorde e as vendas que começam a abrandar. Indicadores em Trading Economics.

Imagem: Wikimedia Commons

Casas no bairro de Alfama, em Lisboa
Imobiliário 29 de junho de 2026

Preços nas alturas, mas a vender menos: o mercado da casa a arrefecer

No primeiro trimestre venderam-se cerca de 37.750 casas no continente, menos 9,4% que no trimestre anterior. O que isto diz sobre o mercado.

O mercado da habitação tem andado num paradoxo curioso: os preços continuam a bater recordes, mas vende-se cada vez menos. No primeiro trimestre de 2026 transacionaram-se à volta de 37.750 casas no continente — uma queda de 9,4% face ao trimestre anterior, confirmando o abrandamento que já se sentia desde a segunda metade de 2025.

Porque está a abrandar

A explicação não é nenhum mistério. Com a Euribor em máximos, o crédito ficou mais caro e muitos compradores ou desistem ou esperam. Ao mesmo tempo, a oferta continua escassa, sobretudo no usado, o que mantém os preços teimosamente em alta mesmo com menos negócios a fechar. É o pior dos dois mundos para quem procura casa: caro e difícil.

O que esperar

Menos transações não significa preços a cair — significa um mercado mais lento, em que quem vende pode ter de esperar mais e quem compra ganha algum poder de negociação que não tinha há um ano. Para investidores, é altura de olhar com lupa para a rentabilidade, agora que o dinheiro custa mais.

Quem está à procura faria bem em comparar, regatear e não ter pressa de mais. O mercado já não premeia quem decide num minuto.

Veja também: a habitação atinge novo preço médio máximo e as prestações sobem com a Euribor. Os dados oficiais da habitação estão no INE.

Imagem: Wikimedia Commons