Casas usadas disparam mais do que as novas: o fosso que está a crescer
No início de 2026, os preços das casas existentes subiram 19,7% e os das novas 12,6%. A diferença está a mudar as contas de quem compra.
Quando se fala em preços das casas, costuma usar-se um número só. Mas os dados do INE para o início de 2026 mostram duas realidades bem diferentes debaixo do mesmo teto: as habitações existentes subiram 19,7% em termos homólogos, enquanto as novas avançaram 12,6%.
À primeira vista parece um detalhe técnico. Não é. Significa que o usado, durante muito tempo a opção mais barata, está a encarecer mais depressa do que o construído de raiz — e o fosso entre o que era acessível e o que era topo de gama vai-se fechando.
Porque é que o usado dispara
Há várias razões a empurrar os preços do usado: falta de oferta nova suficiente, localização (as casas antigas estão muitas vezes nos centros mais procurados) e compradores que, afastados do novo por escassez ou preço, se atiram ao mercado existente. Resultado: mais procura a competir pelo mesmo stock envelhecido.
Para quem procura casa, a leitura prática é que a velha regra “o usado compensa sempre” deixou de ser automática. Em algumas zonas, comparar bem o preço por metro quadrado entre novo e usado pode dar surpresas — e, com a procura a arrefecer no conjunto do mercado, há margem para negociar que não havia há um ano.
Veja também: os estrangeiros compram cada vez menos casas. Os dados oficiais estão no portal do INE.
Imagem ilustrativa · Foto: Jeffrey Eisen / Pexels