Ao sexto dia, o conflito entre EUA e Irão alastrou à Síria — e o Estreito de Ormuz voltou a fechar
Novos ataques dos EUA atingiram pontes em Bandar Khamir e uma linha férrea junto a Bandar Abbas, e o Irão respondeu com mísseis contra o Qatar e o primeiro ataque direto em solo sírio. O tráfego em Ormuz voltou a parar.
O conflito entre os Estados Unidos e o Irão entrou no sexto dia consecutivo a alargar-se no mapa. Durante a noite, novos ataques americanos atingiram duas pontes em Bandar Khamir — onde a media estatal iraniana fala em pelo menos sete mortos — e um entroncamento ferroviário perto de Bandar Abbas, a grande cidade portuária do sul do Irão. Teerão respondeu a dobrar: lançou novos mísseis contra países aliados de Washington no Golfo, incluindo o Qatar, e atacou pela primeira vez diretamente em território sírio.
O que significa o fecho do Estreito de Ormuz?
Que a fatura desta guerra chega a todo o mundo, Portugal incluído. A escalada voltou a travar quase por completo o tráfego marítimo no estreito, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no planeta — a importância do corredor está medida ao detalhe nos dados oficiais da agência americana de energia. Foi precisamente esta torneira meio fechada que ajudou a explicar a segunda semana seguida de subida dos combustíveis em Portugal.
Como se chegou a este sexto dia?
A espiral que começou há menos de uma semana já tinha somado quatro noites seguidas de ataques e um estreito sob pressão; o que mudou agora foi a geografia. Com o Qatar — que acolhe a maior base aérea americana da região — na linha de fogo e a Síria arrastada para o tabuleiro, o conflito deixou de ser um duelo a dois e passou a testar os nervos de toda a região.
Nenhum dos lados dá sinais de recuo, e cada noite acrescenta um novo ponto ao mapa. Para já, a única certeza é a que se vê nos petroleiros parados ao largo: quando Ormuz fecha, o mundo inteiro sente.
Por Marta Carneiro
Imagem: Fahambnd / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)