O metro foi o único transporte que perdeu passageiros entre abril e junho
Viajaram 73 milhões de pessoas no metropolitano no segundo trimestre, menos 1% do que há um ano e o segundo trimestre seguido em queda. O comboio subiu 6,2%, os aeroportos 1,5% e o transporte fluvial 0,4%. A distância entre o metro e o comboio está a fechar-se depressa.
Entre abril e junho quase toda a gente andou mais. O comboio levou 62,9 milhões de passageiros, uma subida homóloga de 6,2%. Os aeroportos nacionais movimentaram 20,8 milhões, mais 1,5%. Até o transporte fluvial, que tinha caído 3,2% no início do ano, voltou aos 6,2 milhões de passageiros e a uma variação positiva de 0,4%.
O metropolitano foi a exceção. Viajaram nele 73,0 milhões de pessoas no segundo trimestre, uma descida de 1,0% face ao mesmo período de 2025, segundo o destaque das estatísticas dos transportes que o Instituto Nacional de Estatística publicou na terça-feira. No primeiro trimestre já tinha caído 2,2%. São dois trimestres seguidos a perder gente, num ano em que todos os outros modos ganharam.
O que acontece se aplicarmos as contas ao ano passado
O INE publica o total do trimestre e a variação homóloga, mas não o trimestre anterior. Aplicámos uma à outra para o reconstruir, e o resultado ajuda a perceber a escala.
Com 73,0 milhões e uma queda de 1,0%, o metro terá transportado cerca de 73,7 milhões de passageiros no segundo trimestre de 2025. Com 62,9 milhões e um crescimento de 6,2%, o comboio terá andado pelos 59,2 milhões. Ou seja: há um ano o metro levava mais 14,5 milhões de passageiros do que o comboio, e agora leva mais 10,1 milhões. A distância encolheu cerca de quatro milhões e meio em doze meses.
São números aproximados, porque partem de totais já arredondados pelo INE. Mas a direção é inequívoca, e mantém-se se arredondarmos para o outro lado.
Mercadorias andam ao contrário
Do lado da carga o padrão inverte-se. O transporte rodoviário de mercadorias caiu 3,6% e o ferroviário 2,2%, enquanto o marítimo subiu 5,0% e o aéreo 1,0%, ambos depois de terem recuado no primeiro trimestre. O gás em gasoduto foi o que mais cresceu, com 14,3% à entrada e 15,0% à saída.
Nas pessoas, porém, a leitura é uma só. O comboio está em fase de investimento pesado, com o Estado a decidir concessões como o troço de alta velocidade entre Oiã e Soure, que atraiu duas propostas depois de ter ficado deserto em 2024, e o avião continua a acompanhar um turismo que, mesmo com a Grande Lisboa a travar, rendeu 923,7 milhões de euros em julho. O metro é o único que anda para trás enquanto tudo o resto anda para a frente.
Por Marta Carneiro
Imagem: Draceane / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)