Choque entre um AVE e um comboio da Iryo perto de Toledo faz pelo menos 30 mortos
Um AVE da Renfe embateu às 8h54 (7h54 em Lisboa) na traseira de um comboio da Iryo parado na linha Madrid–Andaluzia, junto a Urda. Havia mais de 540 passageiros a bordo, mais de 80 feridos e o Governo espanhol aponta para erro humano durante uma falha da sinalização.
Pelo menos 30 pessoas morreram esta quarta-feira na colisão entre dois comboios de alta velocidade junto a Urda, na província de Toledo, no centro de Espanha. O balanço foi dado ao início da tarde pelo presidente de Castela-La Mancha, Emiliano García-Page: 24 mortos no AVE da Renfe e seis no comboio da Iryo. Page diz contar com mais vítimas mortais, porque há feridos no nível de gravidade mais alto.
Há mais de 80 feridos, 50 deles classificados como graves. Alguns balanços que circulam já falam em cerca de 50 mortos, mas ao início da tarde nenhum tinha sido confirmado pelo Governo regional.
O que aconteceu
O choque deu-se às 8h54 de Espanha (7h54 em Lisboa), ao quilómetro 118 da linha Madrid–Andaluzia, entre Mora e Urda, segundo o gestor da rede, a Adif. Um AVE da Renfe embateu por trás num comboio da Iryo que estava parado na via. Duas carruagens traseiras da Iryo descarrilaram e caíram por um talude.
Seguiam nos dois comboios mais de 540 pessoas: 397 no AVE e 147 no da Iryo, entre elas um bebé, segundo a porta-voz do Governo de Castela-La Mancha, Esther Padilla.
A causa ainda está por apurar
Fontes do Governo espanhol apontam para um erro humano no centro de controlo de Atocha, cometido durante uma falha do sistema principal de sinalização da linha. É, por agora, uma hipótese preliminar. O caso está entregue ao tribunal de Orgaz, e o ministro dos Transportes, Óscar Puente, marcou declarações para as 14h00 de Espanha.
A circulação em alta velocidade entre Madrid e a Andaluzia está suspensa até nova ordem. A Adif e as operadoras pedem a quem tem bilhete para hoje que não vá às estações, e a Renfe abriu uma linha de apoio às famílias, o 900 10 10 20. Castela-La Mancha ativou o plano regional de emergência, pediu a Unidade Militar de Emergências e lançou um apelo urgente à doação de sangue nos hospitais de Toledo e Ciudad Real.
Portugal acompanha
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, transmitiu as condolências do Governo ao homólogo espanhol, José Manuel Albares. As autoridades espanholas ainda não divulgaram a nacionalidade das vítimas, e os serviços consulares portugueses estão em contacto com Madrid.
É o segundo grande desastre na alta velocidade espanhola este ano, depois de Adamuz, em Córdoba, a 18 de janeiro. Vários partidos suspenderam a campanha eleitoral e o Governo cancelou a agenda do dia. As informações de serviço sobre a linha estão a ser atualizadas pela Adif, o gestor da rede ferroviária espanhola, e a Renfe mantém a linha de apoio às famílias.
Por Marta Carneiro
Mapa: Tugadaily, com contornos Natural Earth (domínio público)