O Algarve ficou com 35% do dinheiro do turismo em julho. Grande Lisboa foi a única região a perder
Os proveitos totais somaram 923,7 milhões de euros, mais 4,9% do que há um ano. Subiram em todas as regiões menos numa: na Grande Lisboa caíram 2%, e o rendimento por quarto disponível recuou 7,3%.
O alojamento turístico português faturou 923,7 milhões de euros em julho, mais 4,9% do que no mesmo mês do ano passado. Os dados saíram esta segunda-feira e trazem um detalhe que raramente chega aos títulos: o dinheiro subiu em todas as regiões do país, com uma exceção.
Na Grande Lisboa, os proveitos totais caíram 2%.
É uma descida pequena em percentagem e grande em significado, porque a Grande Lisboa é a segunda região que mais recebe — 21,2% de tudo o que o alojamento faturou no mês. Fizemos as contas às quotas publicadas pelo INE e ao total do mês: dá cerca de 196 milhões de euros para a Grande Lisboa, contra 323 milhões no Algarve, que sozinho leva 35% do bolo. O Norte fica pelos 130 milhões.
Onde é que o dinheiro cresceu mais
No Alentejo, e não por pouco. Os proveitos totais subiram lá 19,8%, seguidos da Península de Setúbal, com 10,9%. São regiões que partem de uma base muito menor do que a algarvia, mas a direção repete-se há meses.
O indicador que melhor mostra a diferença chama-se RevPAR — o rendimento médio por quarto disponível, ocupado ou não. Em julho ficou nos 104,3 euros para o conjunto do país, mais 1,8%. No Algarve foram 151,4 euros, na Madeira 127,1 e nos Açores 122,6. O Alentejo foi quem mais subiu, 14,6%. E a Grande Lisboa foi a única a descer: menos 7,3%.
O que aconteceu ao mercado americano
Boa parte da resposta está do outro lado do Atlântico. As dormidas de hóspedes vindos dos Estados Unidos caíram 3,1% em julho, apenas a segunda quebra desde a pandemia — a anterior tinha sido em fevereiro de 2025, e nessa havia a desculpa do calendário do Carnaval. Foram menos 19,3 mil dormidas americanas, e a Grande Lisboa explica quase toda a diferença: menos 16,9 mil, uma quebra de 6%. No Norte passou-se o contrário, com mais 10,7 mil.
O resto dos mercados portou-se bem. O britânico continua a ser o maior, com 18,4% das dormidas de estrangeiros e um crescimento de 3%. A Alemanha subiu 5,3% depois de um junho negativo, e a Polónia foi quem mais cresceu, 10,8%. O francês foi o que mais desceu, 5,9%.
No total, julho trouxe 9,6 milhões de dormidas, mais 2,1%, e 3,4 milhões de hóspedes, mais 1%. Compare esses números com os 4,9% dos proveitos e tem o retrato do ano: o país recebe pouco mais gente do que há doze meses e cobra-lhe bastante mais. O preço médio por quarto ocupado foi de 154,9 euros, mais 3,2%.
Já tínhamos escrito sobre o mercado que segurou o turismo em junho, e julho confirma a mesma história por outro caminho. E no balanço do verão notámos que o dinheiro passou a contar mais do que as camas — em julho contou mais em quase todo o lado, menos na capital.
Os números são do Instituto Nacional de Estatística, que publica esta leitura mensal do setor.
Por Beatriz Mota
Gráfico: Tugadaily · contas nossas a partir das quotas regionais do INE