Montenegro aguentou o Estado da Nação entre exames e faturas — e Ventura quis logo uma moção de confiança
No debate do Estado da Nação de 16 de julho, Montenegro criticou o oportunismo político, admitiu perturbações nos exames e garantiu confiança plena em Luís Neves. Ventura desafiou-o a pedir uma moção de confiança.
Montenegro chegou ao último grande debate antes das férias parlamentares com dois incêndios acesos — os exames nacionais e as faturas do seu ministro — e saiu sem apagar nenhum, mas também sem se queimar mais. O debate do Estado da Nação desta quinta-feira foi exatamente o braço de ferro que se esperava, depois de uma semana inteira a aquecer.
O primeiro-ministro abriu a sessão com críticas ao oportunismo político da oposição e uma defesa do rumo do Governo. Sobre a falha na correção digital das provas, que adiou as notas para sexta-feira, admitiu perturbações mas insistiu na transparência do processo. E quando o tema resvalou para as 108 faturas de Luís Neves, a resposta saiu sem hesitar: confiança plena no ministro da Administração Interna — e em todo o Governo, já agora.
O que pediu Ventura a Montenegro?
Uma moção de confiança, nada menos. O líder do Chega estranhou que o primeiro-ministro tenha chegado ao debate sem uma palavra sobre o que preocupa o país, acusou o Executivo de decomposição acelerada e desafiou-o a testar se o Parlamento ainda confia no Governo — com direito a comparação com os discursos de António Costa. Do lado do PS, o tom foi de balanço negativo: o país está pior na saúde, na educação e na habitação, resumiu a bancada socialista, que marcou o dia com um baralho de cartas satírico sobre a governação da AD.
E o Governo sai enfraquecido do debate?
Nos números, não: a coligação fechou a sessão legislativa com 49 das 70 propostas de lei aprovadas, e nenhuma moção foi de facto apresentada. Na prática, o desgaste fica adiado para setembro — as notas dos exames saem sexta-feira e o caso das faturas continua em aberto. A gravação íntegra do debate está no portal da Assembleia da República.
O verão político começa assim: sem sangue no hemiciclo, mas com dois dossiês à espera na secretária de setembro.
Imagem: RickMorais / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)