O Pentágono vai medir a testosterona dos militares com mais de 30 anos, por ordem de Hegseth
O secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, mandou incluir rastreios anuais de testosterona na avaliação de saúde dos militares a partir dos 30 anos, com terapia de substituição opcional. A medida é apresentada como aposta na 'letalidade' — e levanta dúvidas médicas.
O Pentágono decidiu que a próxima fronteira da prontidão militar se mede ao miligrama. Pete Hegseth, o secretário da Defesa norte-americano, anunciou que todos os militares com mais de 30 anos vão passar a fazer rastreios anuais aos níveis de testosterona, integrados na avaliação periódica de saúde que as forças armadas já fazem todos os anos.
O que decidiu exatamente o Pentágono?
O rastreio é obrigatório a partir dos 30 anos e entra no check-up anual dos militares; abaixo dessa idade, qualquer militar pode pedir o teste voluntariamente. Já o tratamento que possa seguir-se — incluindo a terapia de substituição de testosterona, conhecida como TRT — é opcional. Hegseth apresentou a medida como uma forma de manter as tropas na “vanguarda da letalidade” e fez questão de sublinhar que não se trata de melhoramento artificial, mas de “restaurar e otimizar capacidades naturais”. A data de arranque do programa ainda não foi anunciada; os comunicados oficiais do departamento estão em war.gov.
Porque é que a medida gera polémica?
Por três razões. Primeiro, o contexto político: a administração Trump tem promovido publicamente as terapias de testosterona, e a decisão do Pentágono encaixa nessa agenda mais ampla. Segundo, a ciência: a TRT é um tratamento clínico legítimo para défices diagnosticados, mas o seu uso alargado em homens saudáveis divide os médicos, com riscos cardiovasculares e de fertilidade ainda em debate. Terceiro, o precedente: transformar um marcador hormonal em métrica de prontidão militar é território novo, e críticos perguntam o que se segue.
Isto toca a Portugal de alguma forma?
Diretamente, não — as Forças Armadas portuguesas não têm nada semelhante em cima da mesa. Mas o que o Pentágono faz tende a ecoar pelas forças da NATO, sobretudo numa altura em que Portugal reforça o seu papel na Aliança com meios próprios, e em que os EUA mantêm uma agenda militar cada vez mais assertiva no Médio Oriente. Quando o maior exército do mundo redefine o que é um soldado “pronto”, os aliados costumam pelo menos ler o memorando.
Se a testosterona é a nova arma secreta, fica por ver. Para já, é sobretudo a mais recente frente de uma administração que gosta de medir tudo — inclusive os seus generais.
Imagem: Chief Petty Officer James Mullen / Wikimedia Commons (domínio público)