Luís Neves divulga 108 faturas — e as obras afinal passam pela empresa da mulher
A lista das faturas das obras de Luís Neves em Odemira soma 23.118 euros de 13 empresas — todas emitidas à Alcampos, a empresa unipessoal da mulher do ministro. Os comprovativos de pagamento continuam por mostrar.
O caso das obras de Luís Neves ganhou números — e uma empresa nova na história. O Ministério da Administração Interna divulgou a lista de faturas das intervenções no monte da família em São Teotónio, Odemira: 108 documentos, de 13 empresas diferentes, num total de 23.118,19 euros. O detalhe que está a dar que falar é outro: as faturas foram emitidas à Alcampos Unipessoal Lda., a empresa da mulher do ministro.
O que é a Alcampos e porque importa?
É uma sociedade unipessoal criada a 16 de junho de 2023 — quando Neves ainda dirigia a Polícia Judiciária — com 500 euros de capital e atividade declarada em turismo e alojamento de curta duração em espaço rural. Na prática, foi ela a cliente das obras, incluindo da Construbarcelos, a empresa do empreiteiro amigo do ministro que também fez obras para a PJ enquanto Neves a dirigia. À Alcampos, a Construbarcelos passou duas faturas de 2.500 euros cada, em fevereiro de 2025.
As contas fecham o caso?
Ainda não. A lista mostra o que foi faturado, mas não o que foi pago: os comprovativos de pagamento continuam por apresentar, e é essa a peça que a oposição exige desde a primeira hora. Pelo meio somam-se pontas soltas — a piscina construída sem comunicação prévia à câmara de Odemira, primeiro descrita como um tanque, e a pergunta de sempre em casos destes: se está tudo em ordem, porque é que os documentos saem a conta-gotas?
O ministro mantém que as obras foram pagas a preços de mercado e que não há nada a esconder; a composição e as funções do executivo podem ser consultadas no portal do Governo. Mas num ministério que tutela as polícias, a aparência conta — e enquanto os recibos não aparecerem, o caso vai continuar a escrever-se sozinho.
Imagem: Wikimedia Commons (CC BY 3.0)