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Balcão de atendimento dos Registos do Instituto dos Registos e do Notariado, no Campus de Justiça de Lisboa, com utentes à espera
Política 17 de agosto de 2026

Já pode forçar a venda de uma casa herdada? Ainda não, e o Governo tem 180 dias

A Lei n.º 49/2026 foi publicada esta segunda-feira em Diário da República. Não cria o processo de venda de imóveis em herança indivisa — autoriza o Governo a criá-lo, e conta o prazo a partir da entrada em vigor.

Foi publicada esta segunda-feira em Diário da República a Lei n.º 49/2026, o diploma que ficou conhecido por desbloquear a venda de casas presas em heranças por partilhar. Quem tenha um imóvel nessa situação e esteja à espera de agir esta semana convém saber uma coisa: não muda nada.

O que foi publicado é uma lei de autorização legislativa. Não cria o processo especial de venda. Autoriza o Governo a criá-lo, e dá-lhe 180 dias a contar da entrada em vigor para o fazer. Enquanto esse prazo correr, o mecanismo não existe.

O que é que a lei autoriza, afinal

Autoriza o Governo a aprovar dois regimes. Um é o Regime Legal do Processo Especial de Venda de Coisa Imóvel integrada em Herança Indivisa — o tal processo urgente que permite a um único herdeiro pedir a venda judicial do imóvel quando não há acordo entre todos. O outro passou praticamente despercebido: o Regime Legal da Arbitragem Sucessória determinada pelo autor da sucessão, ou seja, a possibilidade de quem faz o testamento deixar já definido que os litígios da herança se resolvem por arbitragem em vez de tribunal.

A mesma autorização permite ainda alterar o Código Civil, o Código de Processo Civil e o Regime da Procriação Medicamente Assistida.

O que já está decidido, e o que ainda não

Vale a pena distinguir. O texto aprovado no Parlamento já fixa várias balizas que o Governo terá de respeitar quando escrever o regime.

A casa de morada de família fica excluída do processo especial de venda, salvo consentimento expresso do cônjuge sobrevivo, garantia que foi alargada às uniões de facto por proposta do PSD aprovada na especialidade. As heranças em situação de insolvência também ficam fora. E o novo regime aplicar-se-á a todas as heranças abertas e não partilhadas à data em que entrar em vigor, o que é uma opção com peso — abrange casos antigos, não apenas os que se abrirem depois.

Há ainda duas figuras novas. Cria-se um testamenteiro com poderes de partilha, que centraliza numa terceira pessoa a administração, liquidação e partilha da herança, retirando aos herdeiros o impulso para partilhar. E a administração da herança e as funções de cabeça-de-casal podem passar para qualquer outra pessoa por maioria simples entre os herdeiros, exceto quando o cabeça-de-casal for o cônjuge sobrevivo. Esta última medida vinha de um projeto da Iniciativa Liberal aprovado em junho e foi acolhida na especialidade.

Uma ressalva que explica a referência à procriação medicamente assistida: o direito à partilha não pode ser exercido se houver consentimento para uma inseminação póstuma, durante os três anos seguintes à abertura da sucessão ou até ao nascimento completo e com vida, estando pendentes os procedimentos permitidos por lei.

O que continua por escrever é o essencial do dia a dia — como corre o processo, em que tribunal, com que custos, em que prazos, e o regime de elegibilidade e exercício do cargo de testamenteiro, que a versão final entrega expressamente ao Governo.

O prazo é a notícia

A votação final global passou com PSD, CDS-PP, PS, IL e JPP a favor, abstenção do Chega e do PAN e votos contra do PCP, do BE e do Livre. O Presidente da República promulgou a 7 de agosto. A publicação de hoje fecha o percurso parlamentar e abre o relógio.

Foi por isso que a aprovação em julho valeu uma notícia e o dia de hoje vale outra: o que muda não é o direito dos herdeiros, é o facto de o Governo passar a ter uma data. Autorizações legislativas caducam se não forem usadas, e quando caducam o processo recomeça no Parlamento. Vale a pena voltar aqui em fevereiro.

Por Tomás Vasconcelos

Imagem: Rakoon / Wikimedia Commons (CC0)

Luís Montenegro numa conferência de imprensa, com o painel da República Portuguesa ao fundo
Política 16 de agosto de 2026

Montenegro promete nova descida do IRS e outro bónus para os pensionistas (se as contas derem)

Na rentrée do PSD, no Algarve, o primeiro-ministro condicionou as duas medidas à folga orçamental. Anunciou também o alargamento do passe ferroviário verde e reclamou 28.300 casas entregues pelo PRR.

Luís Montenegro abriu a rentrée política do PSD na Festa do Pontal, em Quarteira, com um discurso de 48 minutos e duas promessas que não trazem número nem calendário. Se houver folga orçamental, disse, o Governo continua "com a política de baixa do IRS e de valorização das pensões mais baixas". A condicional é a parte importante da frase. "Já baixámos quatro vezes o IRS", recordou o primeiro-ministro, contabilizando cerca de dois mil milhões de euros…

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O gabinete de trabalho do Presidente da República, no Palácio de Belém, com a secretária onde são assinados os diplomas e as bandeiras portuguesa e europeia
Política 15 de agosto de 2026

Esta alteração à lei do parto já foi promulgada (e traz auditorias clínicas ao pacote)

O Presidente da República assinou a 13 de agosto o diploma que altera a lei dos direitos na gravidez, no parto e no puerpério e a lei dos direitos do utente. Fica o consentimento informado por escrito na lei, fica a auditoria clínica, e sai a expressão que deu nome a todo o debate.

Entre o voto no Parlamento e a lei que se aplica no bloco de partos há sempre um passo intermédio que ninguém noticia. Esse passo deu-se na quinta-feira: o Presidente da República promulgou o decreto que altera a Lei 33/2025, sobre os direitos na gravidez, no parto e no puerpério, e a Lei 15/2014, a que consolida os direitos e deveres do utente dos serviços de saúde. Segue agora para publicação em Diário da República.

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O Palácio do Itamaraty, em Brasília, com os arcos de betão refletidos no espelho de água em frente
Política 14 de agosto de 2026

O Brasil abriu o processo da Lei da Reciprocidade contra as tarifas americanas

É a primeira vez que a lei de 2025 é acionada. Abrir o processo não impõe contramedidas: obriga o Itamaraty a notificar Washington e a pedir consultas diplomáticas, e a lei só permite responder na proporção do dano.

O Governo brasileiro anunciou a 13 de agosto a abertura de uma análise formal às medidas que os Estados Unidos aplicaram às exportações brasileiras ao abrigo da Secção 301 da lei de comércio americana. É a primeira vez que Brasília usa o mecanismo da Lei da Reciprocidade Económica desde que ela existe. Convém separar duas coisas que os títulos tendem a juntar. Abrir o processo não é retaliar. É desencadear um procedimento com etapas definidas, e a…

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A fachada do Palácio de São Bento, sede da Assembleia da República, em Lisboa, com a escadaria e os leões de pedra à entrada
Política 13 de agosto de 2026

O Parlamento publica os currículos dos deputados, mas não confirma o que eles dizem

O registo biográfico da Assembleia da República é de preenchimento livre e voluntário e não serve para cumprir qualquer obrigação declarativa, ao contrário do registo de interesses. A distinção explica por que razão as habilitações declaradas por deputados já foram contestadas mais do que uma vez.

Quem quiser saber o que um deputado estudou e que cargos ocupou tem onde ir: o site da Assembleia da República publica um registo biográfico de cada um dos 230 parlamentares. Nome, naturalidade, profissão, cargos públicos e privados, condecorações, publicações. Está tudo lá, aberto, sem palavra-passe. O que não está lá é qualquer garantia de que seja verdade. A Assembleia é explícita sobre isto na sua própria página do registo biográfico. O registo não é…

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Médica dentista de bata branca, máscara e luvas a tratar uma paciente reclinada na cadeira de um consultório
Política 12 de agosto de 2026

O SNS já tem carreira de médico dentista. Só começa a contar com o próximo Orçamento

A Lei n.º 45/2026 foi publicada a 11 de agosto e cria três categorias: assistente, assessor e assessor sénior. No sector público trabalham hoje cerca de 150 médicos dentistas, a maioria a recibos verdes.

Um médico dentista que trabalhe hoje num centro de saúde português tem, quase sempre, um recibo verde na mão. Sem categoria, sem progressão, sem concurso a que se candidatar. A Lei n.º 45/2026, publicada a 11 de agosto em Diário da República, muda isso no papel: o Serviço Nacional de Saúde passa a ter uma carreira especial de médico dentista. É uma reivindicação com anos. Passou no Parlamento por unanimidade em julho e foi promulgada no início de agosto.

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Gráfico de barras com as idades-limite da carta de condução em Portugal: 67 anos para autocarros e pesados CE, e os 75 propostos pela petição para os ligeiros
Política 11 de agosto de 2026

Até que idade se pode conduzir em Portugal? Uma petição quer travar aos 75

O texto entregue na Assembleia da República propõe que a carta caduque automaticamente aos 75 anos. Hoje, os ligeiros não têm idade-limite: o que existe são prazos de revalidação e provas de aptidão individuais.

A pergunta anda a circular em grupos de vizinhos e caixas de comentários desde o início do mês, e a resposta legal surpreende muita gente: em Portugal não há idade máxima para conduzir um ligeiro. O que existe é uma petição a pedir que passe a haver. Criada a 1 de abril e dirigida à Assembleia da República, propõe que a carta de condução caduque automaticamente aos 75 anos. O peticionário, Nélson Manuel de Oliveira Ferreira, sustenta que a partir dessa…

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Paulo Portas, sentado e a gesticular com as duas mãos, durante uma conversa pública
Política 11 de agosto de 2026

Esta semana de agosto em Castelo de Vide junta Paulo Portas, algoritmos e um debate sobre nuclear

A 22.ª Universidade de Verão do PSD decorre de 24 a 30 de agosto. Paulo Portas fica com a manhã de sábado, a energia nuclear vai a debate no dia 27 e Luís Montenegro encerra.

Há uma vila do Alto Alentejo com cerca de três mil habitantes que, todos os anos desde 2003, recebe durante uma semana uma boa fatia da direita portuguesa. Castelo de Vide volta a fazê-lo entre 24 e 30 de agosto, na 22.ª Universidade de Verão do PSD. O formato mantém-se: uma centena de jovens selecionados de todo o país, uma semana de aulas, jantares-conferência, workshops e uma simulação de sessão parlamentar. A iniciativa é promovida em conjunto pelo…

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Luís Montenegro cumprimenta Lula da Silva numa reunião bilateral à margem da cimeira do clima de Belém, em novembro de 2025
Política 11 de agosto de 2026

Montenegro abriu a Loja do Cidadão de Fafe e disse que o país vive um bom momento

Na inauguração oficial, o primeiro-ministro defendeu que Portugal está mais competitivo do que os seus parceiros, admitindo ao mesmo tempo as dificuldades de quem recorre ao SNS, tem filhos na escola ou enche o depósito.

Luís Montenegro passou a manhã de segunda-feira em Fafe, no distrito de Braga, para a inauguração oficial da nova Loja do Cidadão da cidade. O equipamento já tinha aberto ao público a 3 de agosto, no antigo edifício do Royal Center, e junta num só balcão serviços da Administração Pública e de entidades parceiras. A visita estava marcada na agenda oficial do primeiro-ministro para esse dia.

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O Parque da Alameda, em Lisboa, com o Instituto Superior Técnico ao fundo
Política 10 de agosto de 2026

Os candidatos com deficiência voltam a poder usar o contingente sem atestado (só que a partir de 2027/2028)

A Lei n.º 44/2026, publicada esta segunda-feira, fixa os direitos dos estudantes com necessidades educativas específicas no ensino superior, repõe a avaliação por comissão de peritos para quem não tem atestado multiúsos e altera o regime de acessibilidade de 2006.

Quem se candidata ao ensino superior com uma deficiência tem, desde este ano, de provar essa deficiência com um atestado médico de incapacidade multiúsos. Quem não tinha o documento a tempo ficava de fora do contingente prioritário, mesmo com a incapacidade documentada de outras formas. A lei publicada esta segunda-feira desfaz essa alteração. A Lei n.º 44/2026 saiu no Diário da República a 10 de agosto e aprova o regime jurídico dos estudantes com…

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Entrada das urgências do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, ao fim do dia
Política 10 de agosto de 2026

Têm alta clínica há meses e continuam na cama do hospital. A lei que os quer tirar de lá foi hoje publicada

A Lei n.º 43/2026, publicada esta segunda-feira em Diário da República, cria residências de transição até dez pessoas e respostas domiciliárias para quem tem alta médica mas não tem para onde ir. Só produz efeitos com o Orçamento do Estado para 2027.

Há camas de hospital em Portugal ocupadas por pessoas que já não estão doentes. Têm alta médica assinada, às vezes há semanas, às vezes há muito mais do que isso, e ficam onde estão porque não há casa adaptada, não há família disponível e não há vaga em lado nenhum. Chama-se internamento social, e a partir desta segunda-feira tem uma lei com o nome dela. O regime jurídico do programa Voltar a Casa foi publicado em Diário da República esta segunda-feira,…

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Mapa-múndi com a Turquia, a Arábia Saudita e o Paquistão assinalados a verde, os três signatários do pacto de defesa de Meca
Política 10 de agosto de 2026

A Turquia, a Arábia Saudita e o Paquistão assinaram um pacto de defesa em Meca. Atacar um passa a ser atacar os três

O acordo assinado a 7 de agosto em Meca por Mohammed bin Salman, Recep Tayyip Erdogan e Shehbaz Sharif alarga à Turquia o compromisso de defesa mútua que Riade e Islamabade tinham fechado em setembro de 2025.

Mohammed bin Salman, Recep Tayyip Erdogan e Shehbaz Sharif assinaram a 7 de agosto, em Meca, um acordo de defesa conjunta entre a Arábia Saudita, a Turquia e o Paquistão. A cláusula central não deixa margem para interpretações: um ataque armado contra qualquer um dos três passa a ser tratado como um ataque contra os três. O texto não aparece do nada. Riade e Islamabade tinham fechado um compromisso bilateral equivalente em setembro de 2025, e o que Meca…

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Campus das Ciências da Saúde da Universidade de Coimbra, visto do arruamento de acesso
Política 8 de agosto de 2026

A acessibilidade dos alunos com necessidades especiais passou a estar escrita na Lei de Bases

A Lei n.º 41/2026, publicada a 7 de agosto, altera a Lei de Bases do Sistema Educativo de 1986 e estende a garantia de acessibilidade a todos os níveis de ensino, incluindo o superior e a entrada no mercado de trabalho.

Saiu no Diário da República na sexta-feira e passa quase despercebido no meio do verão, mas mexe na lei mais estruturante que o ensino português tem. A Lei n.º 41/2026 altera a Lei de Bases do Sistema Educativo para assegurar, em todos os níveis de ensino, a acessibilidade dos estudantes com necessidades educativas especiais. A Lei de Bases é de 1986. Quarenta anos depois, continua a ser o texto a que tudo o resto no sistema educativo tem de obedecer —…

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A entrada do Parlamento da República do Uganda, em Kampala, com o letreiro do edifício sobre o portão
Política 8 de agosto de 2026

Já são seis os países que prometeram tropas para Gaza. O Uganda foi o último a votar

O Parlamento ugandês aprovou na quinta-feira o envio das forças armadas do país para a força internacional de estabilização em Gaza. Juntam-se a Marrocos, Cazaquistão, Kosovo, Indonésia e Albânia.

A força internacional de estabilização para Gaza ganhou mais um país. O Parlamento do Uganda aprovou na quinta-feira o envio das UPDF, as forças de defesa ugandesas, numa moção apresentada pelo ministro da Defesa, Kiryowa Kiwanuka, e votada em plenário sob a presidência do vice-presidente da câmara, Thomas Tayebwa. É a primeira vez que Kampala assume publicamente que está disponível para participar. Segundo o noticiado, Donald Trump terá contactado o…

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Edifício da Direção Nacional da Polícia Judiciária, em Lisboa
Política 7 de agosto de 2026

Rita Alarcão Júdice mandou auditar por dentro a Polícia Judiciária

A auditoria interna ordenada pela ministra da Justiça incide sobre o funcionamento da PJ no mandato de Luís Neves, hoje ministro da Administração Interna. O Chega responde que uma averiguação do Governo não substitui o inquérito parlamentar que já requereu.

O Ministério da Justiça, liderado por Rita Alarcão Júdice, mandou abrir uma auditoria interna à Polícia Judiciária. Está em causa o funcionamento da polícia durante o mandato de Luís Neves como diretor nacional, cargo que ocupou entre 2018 e este ano, antes de passar a ministro da Administração Interna. O Chega respondeu que a decisão chega tarde e mal. Para o partido, Luís Montenegro perdeu o controlo da situação, e uma auditoria conduzida pelo próprio…

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