EUA e Irão: o cessar-fogo que ninguém consegue garantir
Com ataques de parte a parte, a diplomacia tenta segurar um cessar-fogo frágil. Egito e Qatar insistem nas negociações; os países do Golfo condenam a escalada.
Há cessar-fogos que existem mais no papel do que no terreno, e o entendimento entre os Estados Unidos e o Irão parece ser desses. Depois de uma noite de ataques cruzados no Golfo, a grande pergunta política é simples: ainda há acordo para salvar?
Existe um memorando, com catorze pontos, que devia pôr fim às hostilidades. Mas Washington acusa Teerão de o violar repetidamente, e a Guarda Revolucionária iraniana devolve a acusação, dizendo que foram os americanos a quebrar o combinado. Quando os dois lados dizem que o outro começou, o entendimento fica por um fio.
Os vizinhos no meio
A escalada deixa nervosos os países do Golfo, que não pediram para entrar nesta. Os Emirados Árabes Unidos condenaram com firmeza os ataques iranianos a Bahrain e ao Kuwait, vendo-os como uma ameaça à segurança de toda a região. Egito e Qatar, por seu lado, preferem a via do diálogo e voltaram a apelar para que as negociações entre Washington e Teerão não morram.
Para a Europa, e para Portugal, o tema é seguido de perto por uma razão muito concreta: a estabilidade do Golfo mexe com a energia e com os preços. Uma crise prolongada ali sente-se nas bombas de combustível cá.
Por agora, fica a diplomacia a jogar contra o relógio, com a região a torcer para que a razão fale mais alto do que os mísseis.
Veja também: Irão dispara contra bases dos EUA no Golfo. Acompanhe pela ONU Notícias.
Imagem: Wikimedia Commons