Portugal vai ter um fundo soberano: o que Montenegro anunciou
No fecho do congresso do PSD, o primeiro-ministro listou oito prioridades para as próximas semanas — com destaque para um fundo soberano que pode entrar no capital de empresas estratégicas.
Se houve um titular a sair do congresso do PSD este fim de semana, foi este: Portugal vai ter um fundo soberano.
No discurso de encerramento, no domingo em Anadia, Luís Montenegro anunciou a criação de um Fundo Soberano de Portugal, a funcionar junto do IGCP (a agência que gere a dívida pública). A ideia é dar ao Estado uma ferramenta para entrar — ou reforçar a sua posição — no capital de empresas de setores tidos como estratégicos: energia, banca, comunicações, até infraestruturas aeroportuárias, caso os concessionários atuais falhem o que prometeram.
Não é só o fundo
O fundo foi a estrela, mas veio acompanhado. Montenegro apresentou oito áreas prioritárias para as próximas semanas, incluindo uma reforma da justiça administrativa e fiscal, mexidas no regime do arrendamento, e novos investimentos na ferrovia e na inteligência artificial. Pelo meio, repetiu a promessa que tem martelado desde o chumbo da reforma laboral: “no dia em que tiver de cortar pensões, demito-me.”
Por que é que isto importa
Um fundo soberano que junta participações do Estado e pode comprar mais não é um detalhe técnico — é uma mudança na forma como Lisboa pensa o seu papel na economia. As críticas virão (oposição já fala em “imobilismo” ao contrário), e o diabo, como sempre, estará na letra miudinha que ainda não conhecemos. Por agora, fica a intenção. Nas próximas semanas saberemos quanto dela vira lei.
Imagem ilustrativa · Foto: Baptiste / Pexels