Pacote laboral cai por terra: o Chega juntou-se à esquerda
A reforma da lei laboral do Governo foi chumbada na Assembleia. Só PSD, CDS e IL votaram a favor — e o Governo diz que não desiste.
Houve uma reviravolta na sexta-feira que vale a pena explicar com calma. A proposta do Governo para rever a lei laboral — aquilo a que se chamou o “pacote laboral” — foi chumbada na Assembleia da República. E o desfecho teve um protagonista improvável: o Chega, que durante dias deu sinais de que ia viabilizar o documento, acabou por votar contra.
Resultado: a favor ficaram apenas o PSD, o CDS e a Iniciativa Liberal. Contra alinharam a esquerda toda — PS, Livre, PCP, Bloco, PAN e JPP — e o Chega. É uma daquelas votações em que partidos que raramente concordam em alguma coisa se encontraram do mesmo lado, cada um pelas suas razões.
O que travou o acordo
O Governo cedeu em muita coisa nas negociações, mas não em dois pontos sensíveis: as regras do outsourcing ligado a despedimentos e a idade da reforma. Foi precisamente aí que o entendimento com André Ventura encalhou. Sem acordo nesses temas, a proposta não passou.
Luís Montenegro reagiu a dizer que o Governo “não vai desistir” de tornar o país mais competitivo e produtivo. Traduzindo: o tema vai voltar. Para quem trabalha, fica a incerteza do costume — as regras do mercado de trabalho continuam, por agora, como estavam.
Imagem ilustrativa · Foto: Czapp Árpád / Pexels