A confiança no arrendamento caiu para o valor mais baixo de sempre (50,3 pontos em 100)
O índice do idealista que mede o otimismo dos agentes imobiliários recuou nos dois mercados no terceiro trimestre. Na venda desceu de 71,6 para 67,1, o mínimo desde 2024.
Quem vive de vender e arrendar casas em Portugal está mais pessimista do que em qualquer momento dos últimos dois anos e meio. O índice trimestral que mede essa temperatura, o ISSI, colocou o arrendamento em 50,3 pontos numa escala de 0 a 100 no terceiro trimestre de 2026. É o valor mais baixo desde que o indicador existe, e a maior queda trimestral também.
Na compra e venda o quadro é menos dramático mas segue o mesmo sentido. As expectativas dos profissionais desceram de 71,6 pontos na primavera para 67,1, a queda mais acentuada até agora e o valor mais baixo desde o segundo trimestre de 2024. O inquérito do idealista aos agentes imobiliários detalha as respostas.
Convém traduzir os números, porque um índice de confiança não é uma previsão de preços. Isto é o que os mediadores esperam do próximo trimestre, e o que eles esperam é incerteza.
O que os agentes acham que vai acontecer até setembro
Na venda, 63,1 por cento contam fechar mais negócios e cerca de 65 por cento contam angariar mais casas para o mercado, o que sugere alívio na escassez de oferta. Sobre preços, mais de metade acha que ficam onde estão, mais de um terço antecipa novas subidas e 10,3 por cento aponta para descidas.
No arrendamento a coisa desarruma-se. Só 25,1 por cento espera fechar mais contratos, 28,1 por cento acha que fica igual, 22,2 por cento admite arrendar menos e quase um quarto dos inquiridos preferiu não responder. Essa quarta parte silenciosa é o dado mais eloquente do inquérito.
Porque é que o arrendamento assusta mais
Há duas razões, uma externa e uma interna. A externa é a inflação e a subida dos juros no rasto do conflito no Médio Oriente, que corta poder de compra a inquilinos e a compradores ao mesmo tempo. A interna é legislativa: o pacote fiscal da habitação já está lançado e a reforma do arrendamento, que agiliza despejos e acaba com o travão ao teto das rendas, ainda espera passagem no Parlamento.
Para um senhorio a decidir se coloca uma casa no mercado, essa espera é o problema. E é isso que explica um mercado onde a oferta para arrendar caiu 22 por cento num ano enquanto cada anúncio recebe 24 contactos. Sobre rendas, curiosamente, é onde há mais acordo: a maioria dos agentes espera estabilização, com 16,3 por cento a apontar subidas e 18,2 por cento descidas.
Infografia: Tugadaily · dados idealista/ISSI