Preços nas alturas, mas a vender menos: o mercado da casa a arrefecer
No primeiro trimestre venderam-se cerca de 37.750 casas no continente, menos 9,4% que no trimestre anterior. O que isto diz sobre o mercado.
O mercado da habitação tem andado num paradoxo curioso: os preços continuam a bater recordes, mas vende-se cada vez menos. No primeiro trimestre de 2026 transacionaram-se à volta de 37.750 casas no continente — uma queda de 9,4% face ao trimestre anterior, confirmando o abrandamento que já se sentia desde a segunda metade de 2025.
Porque está a abrandar
A explicação não é nenhum mistério. Com a Euribor em máximos, o crédito ficou mais caro e muitos compradores ou desistem ou esperam. Ao mesmo tempo, a oferta continua escassa, sobretudo no usado, o que mantém os preços teimosamente em alta mesmo com menos negócios a fechar. É o pior dos dois mundos para quem procura casa: caro e difícil.
O que esperar
Menos transações não significa preços a cair — significa um mercado mais lento, em que quem vende pode ter de esperar mais e quem compra ganha algum poder de negociação que não tinha há um ano. Para investidores, é altura de olhar com lupa para a rentabilidade, agora que o dinheiro custa mais.
Quem está à procura faria bem em comparar, regatear e não ter pressa de mais. O mercado já não premeia quem decide num minuto.
Veja também: a habitação atinge novo preço médio máximo e as prestações sobem com a Euribor. Os dados oficiais da habitação estão no INE.
Imagem: Arne Müseler / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0 de)