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Edifício do Banco de Portugal no Porto
Imobiliário 15 de julho de 2026

A garantia pública para jovens fica, diz o Governo, e o FMI que tenha paciência

O FMI e o Banco de Portugal querem travar a garantia do Estado que financia 100% da primeira casa a menores de 35 anos. O Governo recusa recuar e culpa a falta de oferta pela subida dos preços.

O Governo não vai mexer na garantia pública que permite a jovens até aos 35 anos comprar a primeira casa sem entrada — e disse-o depois de o Fundo Monetário Internacional ter defendido o fim da medida e de o Banco de Portugal ter avisado que ela está a inchar o risco dos bancos. Resumindo: dois dos maiores avisos que um governo pode receber sobre habitação, e a resposta foi não.

O que é a garantia pública da habitação?

É o Estado a pôr-se como fiador. Em vez de o jovem juntar os 10% ou 20% de entrada que o banco normalmente exige, o Estado avaliza essa fatia e o banco financia a compra até aos 100%. Escrevemos o guia passo a passo de quem quer usar a garantia pública, incluindo os prazos e os limites de preço.

Até março tinham sido celebrados cerca de 32,3 mil contratos ao abrigo do regime, num total a rondar os 6,5 mil milhões de euros. Não é uma medida de nicho: é hoje uma fatia enorme do crédito à habitação jovem em Portugal.

Porque é que o FMI quer acabar com a garantia?

O argumento do Fundo é o clássico da economia: se toda a gente de repente consegue comprar, mas continuam a existir as mesmas casas, o que sobe é o preço, não o número de proprietários. O FMI defende travar a garantia e também as isenções de IMT para jovens, por considerar que ampliaram os desequilíbrios de um mercado que já estava esticado.

O Banco de Portugal chega ao mesmo sítio por outro caminho. Um empréstimo a 100% é, por definição, um empréstimo sem almofada: se os preços caírem, a dívida fica maior do que a casa. O supervisor já sinalizou riscos para a estabilidade financeira e apertou as regras do crédito, travando a taxa de esforço ao mesmo tempo que alargou os prazos de pagamento — os avisos e os comunicados estão todos no site do Banco de Portugal.

E o que responde o Governo?

Que o problema não é a procura, é a oferta. O ministério sublinha que a garantia do Estado não substitui nem dispensa a avaliação de risco que o banco continua obrigado a fazer, e insiste que a escassez de casas é a causa determinante da subida dos preços — não o aval público. Pelo caminho, prometeu reforçar o envelope da medida em mais 750 milhões de euros.

Os dois lados têm razão em parte, e é isso que torna a discussão difícil. Portugal constrói pouco, licencia devagar e tem uma geração inteira encravada no arrendamento — a oferta é, de facto, o buraco. Mas enquanto esse buraco não se tapa, dar mais poder de compra a quem disputa as mesmas casas empurra os preços na direção que temos visto todos os meses no nosso acompanhamento dos preços da habitação.

No fim, é uma aposta política com data marcada: o Governo está a apostar que a oferta chega antes de a conta chegar.

Por Duarte Figueiredo

Imagem: Krzysztof Golik / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Prédios de habitação na Baixa de Lisboa
Imobiliário 13 de julho de 2026

Casas abaixo de 300 mil euros: só uma em cada três à venda em Portugal

Apenas uma em cada três casas à venda em Portugal custa menos de 300 mil euros, e o stock nessa faixa caiu 31% num ano. O retrato do mercado em 2026.

Quem procura casa por menos de 300 mil euros está a disputar um terço do mercado. É essa a fotografia de 2026: apenas uma em cada três casas à venda em Portugal fica abaixo dessa fasquia, e o stock nesse escalão encolheu 31% num único ano. O problema não é só o preço de cada casa, é que as casas mais acessíveis estão simplesmente a desaparecer das listas. Cerca de uma em cada três das casas atualmente à venda. A maior fatia do mercado, 44%, situa-se entre…

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Edifício dos Paços do Concelho de Lisboa, sede da Câmara Municipal
Imobiliário 12 de julho de 2026

Lisboa vende 10 terrenos municipais por mínimo de 59,2 milhões — esquerda queria 500 casas

A Câmara de Lisboa aprovou a venda em hasta pública de dez terrenos 'esquecidos há décadas'. PS e Bloco dizem que davam habitação acessível para 500 famílias.

A Câmara de Lisboa vai vender dez terrenos municipais em hasta pública por um valor mínimo global de 59,2 milhões de euros. A proposta passou esta semana com os votos da maioria PSD/CDS-PP/IL e do Chega — e com a esquerda toda contra, a fazer contas ao que ali podia nascer: habitação acessível para cerca de 500 famílias, segundo o PS. Dez parcelas espalhadas por Marvila, Beato, Penha de França, Lumiar, Belém, Campolide e São Vicente. O executivo…

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Fachadas de prédios de habitação numa rua do Porto
Imobiliário 12 de julho de 2026

Comprar casa para arrendar rende 6,2%: a rentabilidade cai, mas o risco também

A rentabilidade bruta de comprar casa para arrendar em Portugal caiu para 6,2% no segundo trimestre de 2026. Onde rende mais e porque desceu o risco.

Comprar casa para arrendar em Portugal rendeu 6,2% brutos no segundo trimestre de 2026 — menos do que os 6,9% de há um ano e bem abaixo dos 7,2% de 2024. A conta é simples de explicar: os preços de compra continuam a subir muito mais depressa do que as rendas, e cada euro investido em tijolo compra hoje menos renda do que comprava. A média nacional está nos 6,2% brutos ao ano, mas o mapa é tudo menos uniforme. Lisboa é, paradoxalmente, o pior negócio do…

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Selo do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA
Imobiliário 11 de julho de 2026

EUA aprovam maior lei de habitação em décadas — sem a assinatura de Trump

O ROAD to Housing Act entrou em vigor nos EUA sem assinatura presidencial: 40 medidas, incluindo travão à compra de casas por grandes senhorios corporativos.

A lei de habitação mais ambiciosa das últimas décadas nos Estados Unidos entrou em vigor de forma pouco comum: sem a assinatura do presidente. O 21st Century ROAD to Housing Act tornou-se lei à meia-noite de 11 de julho porque Donald Trump deixou passar o prazo de dez dias sem vetar nem assinar — em protesto, disse, por o Senado não ter aprovado a sua lei de identificação de eleitores. A lei bipartidária junta mais de 40 medidas, da construção de casas…

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Telhados e prédios de habitação de Lisboa vistos do MAAT
Imobiliário 11 de julho de 2026

Fim do controlo de rendas nos novos contratos: o que muda para inquilinos e senhorios

A reforma do arrendamento aprovada em Conselho de Ministros antecipa o fim do limite às rendas nos novos contratos, acelera despejos para dois meses de incumprimento e define a transição das rendas antigas. Eis o que muda.

O fim do controlo de rendas nos novos contratos de arrendamento vai ser antecipado em três anos: é a mudança mais sonante da reforma aprovada em Conselho de Ministros a 9 de julho, que mexe ao mesmo tempo nos contratos novos, nas rendas antigas e nos despejos. Em resumo: nos novos contratos, senhorio e inquilino passam a acordar livremente o valor da renda. O travão que limitava as rendas iniciais de novos contratos tinha calendário para desaparecer; o…

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Gráfico Tugadaily: preço mediano das casas por metro quadrado em junho de 2026
Imobiliário 11 de julho de 2026

Preços das casas em Portugal: o acompanhamento

Acompanhamento contínuo do mercado da habitação em Portugal — índice de preços do INE, avaliação bancária, rendas e acessibilidade. Atualizado a cada novo dado.

Reunimos aqui, num só sítio, a evolução do mercado da habitação em Portugal. Em vez de um artigo por cada dado novo, atualizamos esta página com o essencial: o índice de preços do INE, a avaliação bancária, as rendas e a acessibilidade para quem compra ou arrenda. Os dados oficiais estão no INE. Sinal amarelo do lado da oferta: o INE contou apenas 6.586 projetos de construção e reabilitação licenciados até abril, menos 7% do que no mesmo período de 2025,…

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Vista de Santiago do Cacém, concelho de Vila Nova de Santo André
Imobiliário 10 de julho de 2026

Alentejo: 339 casas turísticas nascem em Santo André com construção industrializada

A dstgroup vai construir 339 unidades turísticas em Vila Nova de Santo André, num projeto de 52 milhões de euros com construção industrializada até 2028.

O litoral alentejano vai ganhar 339 casas turísticas de uma assentada — e nenhuma delas será construída à moda antiga. O empreendimento, em Vila Nova de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém, foi adjudicado à dstgroup por um investidor internacional e será executado em construção industrializada, através da Zethaus, a marca do grupo de Braga dedicada a este modelo. Cerca de 52 milhões de euros, 339 unidades e capacidade para alojar aproximadamente…

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Obra do Grupo Casais, imagem oficial do grupo
Imobiliário 10 de julho de 2026

Construção industrializada: Casais e espanhola ACR criam a CREE Iberia

O Grupo Casais e a construtora espanhola ACR criaram a CREE Iberia para acelerar a construção industrializada e sustentável em Portugal e Espanha.

Construir mais depressa, com menos desperdício e menos carbono: é esta a promessa da CREE Iberia, a empresa que o Grupo Casais, de Braga, acaba de criar a meias com a construtora espanhola ACR. A nova sociedade, detida a 50% por cada grupo, fica com a licença exclusiva do sistema construtivo híbrido CREE Buildings para a Península Ibérica. Levar a construção industrializada — módulos e componentes fabricados fora da obra, montados depois no terreno — a…

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Chaves de casa sobre documentos de contrato de crédito
Imobiliário 10 de julho de 2026

Crédito habitação: casas entre 250 e 500 mil euros já dominam as operações intermediadas

Mais de metade do crédito habitação em Portugal passa por intermediários e 57,2% das operações são para casas de 250 a 500 mil euros. O processo demora 31 a 60 dias na maioria dos casos.

Quem compra casa em Portugal já pede mais crédito através de intermediários do que diretamente ao balcão do banco — e o retrato do que esses intermediários andam a financiar diz muito sobre o mercado. Segundo um estudo do setor divulgado esta semana, 57,2% das operações intermediadas dizem respeito a imóveis entre os 250.001 e os 500 mil euros. A casa dos 150 mil euros, essa, é cada vez mais uma memória. Na maioria dos casos, entre um e dois meses: 55,3%…

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Estaleiro de construção de uma casa (imagem ilustrativa)
Imobiliário 9 de julho de 2026

Restituição do IVA na autoconstrução: como pedir a partir de julho de 2026

Quem constrói casa própria e permanente pode pedir a restituição parcial do IVA das empreitadas, e as regularizações arrancam em julho de 2026. O que precisa de saber para não perder dinheiro.

A resposta curta: quem constrói casa para habitação própria e permanente passou a poder pedir a restituição parcial do IVA suportado nas empreitadas — e as regularizações relativas às operações abrangidas podem ser feitas a partir de julho de 2026, ou seja, já. A novidade consta do Decreto-Lei n.º 97/2026, de 20 de maio, o mesmo diploma que baixou o IVA das obras elegíveis para 6% — regime que já explicámos em detalhe quando entrou em vigor.

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Igreja do Bonfim, no Porto
Imobiliário 8 de julho de 2026

Bonfim: Porto leva a consulta pública operação de reabilitação de 683 milhões

A Câmara do Porto aprovou por unanimidade levar a consulta pública a Operação de Reabilitação Urbana do Bonfim: 683 milhões de euros, nove projetos estruturantes e 41 ações até 2036.

O Bonfim, a freguesia que nos últimos anos passou de discreta a disputadíssima, vai ser palco da maior aposta de reabilitação urbana do Porto: uma Operação de Reabilitação Urbana (ORU) de 683 milhões de euros, que o executivo municipal aprovou por unanimidade na terça-feira levar a consulta pública. O Programa Estratégico de Reabilitação Urbana prevê nove projetos estruturantes, desdobrados em 41 ações concretas, a executar em dez anos — entre 2027 e…

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Rua de Santa Catarina, no Porto
Imobiliário 8 de julho de 2026

Renda acessível no Porto: Porto Vivo põe mais 159 casas no mercado até dezembro

A Porto Vivo vai colocar mais 159 casas de renda acessível no mercado até dezembro, somando às 429 já contratadas. No final de 2026, a empresa municipal gerirá 588 habitações abaixo do preço de mercado.

Quem procura casa para arrendar no Porto sem hipotecar o ordenado tem mais uma porta a bater: a Porto Vivo, a sociedade de reabilitação urbana do município, vai colocar mais 159 casas de renda acessível no mercado até dezembro. Somadas às 429 habitações que já têm contratos ativos, a empresa municipal fechará 2026 a gerir 588 casas com rendas abaixo dos valores de mercado. As candidaturas fazem-se online, na plataforma renovada da Porto Vivo, que ganhou…

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Prédio de apartamentos com varandas no Porto
Imobiliário 7 de julho de 2026

Porta 65-Jovem 2026: quanto dá o apoio à renda e quem pode pedir

Guia do Porta 65-Jovem em 2026: idades, escalões, limites de rendimento e quanto o Estado paga da renda a jovens dos 18 aos 35 anos.

O Porta 65-Jovem pode cobrir até cerca de metade da renda no primeiro ano a quem tem entre 18 e 35 anos e arrenda casa para morar — e, desde 2024, já nem é preciso ter o contrato assinado para se candidatar. Com as rendas a pesarem cada vez mais no ordenado, é um dos apoios mais procurados do país, e em 2026 o Governo voltou a reforçar a verba para dar resposta à procura. Podem candidatar-se jovens dos 18 aos 35 anos (inclusive) à data da candidatura. No…

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Fachada da estação de Porto-Campanhã, freguesia onde nasce o projeto
Imobiliário 6 de julho de 2026

Renda acessível no Porto: 331 casas em Campanhã desde 536 euros por mês

O maior projeto build to rent do país nasce em Campanhã: 331 casas de renda acessível da Câmara do Porto, Sonae Sierra e Solive, com T0 desde 536,76 euros.

O maior projeto de arrendamento acessível em desenvolvimento no país vai nascer em Campanhã, no Porto. Chama-se Cartes Living, junta a Câmara do Porto (através da Porto Vivo, SRU) à Sonae Sierra e à Solive, e promete 331 casas com rendas controladas — um T0 desde 536,76 euros por mês, a valores de 2026. A tabela para 2026 vai dos 536,76 euros por um T0 até aos 971,28 euros por um T3, com atualizações anuais dentro dos limites da lei. As casas ficam…

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