A China proibiu os namorados de IA — e há milhões a fazer o luto
Novas regras na China proíbem plataformas de IA de oferecer companheiros virtuais românticos, com veto total a menores. ByteDance, Alibaba e Tencent desligaram as funções — e os utilizadores despedem-se.
Acabou o romance entre milhões de chineses e os seus namorados digitais. Entraram em vigor esta quarta-feira na China novas regras que proíbem as plataformas de inteligência artificial de oferecer companheiros virtuais com traços de relação amorosa — a primeira grande economia do mundo a cortar a direito no negócio da companhia artificial.
O que proíbem as novas regras da China?
Três coisas, no essencial: companheiros virtuais românticos deixam de poder ser oferecidos, os menores ficam totalmente vetados a este tipo de serviço, e as plataformas passam a ter de detetar estados emocionais extremos nos utilizadores e intervir em situações críticas. As gigantes não esperaram pelo prazo — ByteDance, Alibaba e Tencent suspenderam as funções de companhia virtual antes de a lei entrar em vigor.
A reação diz muito sobre a dimensão do fenómeno: nas redes sociais chinesas multiplicam-se relatos de tristeza e sensação de perda de quem mantinha relações longas com estas personagens. Para o regulador, é precisamente essa dependência emocional o problema que a lei quer travar.
E na Europa, os companheiros de IA são legais?
São — o AI Act europeu regula os sistemas de risco e a transparência, mas não proíbe companheiros virtuais; as regras em vigor estão no portal digital da Comissão Europeia. O debate, esse, já cá anda: um estudo de 2025 da Common Sense Media indicava que quase três em cada quatro adolescentes americanos já tinham usado companheiros de IA como o Character.AI ou o Replika. Portugal, que aprovou este ano uma agenda nacional para a inteligência artificial, vai ter de decidir mais cedo ou mais tarde onde traça a sua linha.
Entretanto, na China, a mensagem do Estado é clara: amor, só com humanos do outro lado. O coração, pelos vistos, também se regula.
Por Oliver Grant
Imagem: Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)