A DIGI já tem 960 mil serviços ativos em Portugal (e quase tudo veio do telemóvel)
A operadora romena fechou junho com 960 mil serviços contratados, mais 21,7% do que há um ano, e receitas de 37,2 milhões de euros. O móvel sozinho cresceu 29,8%.
A DIGI chegou a Portugal em 2022 a prometer preços que ninguém acompanhava. Quatro anos depois, o efeito nota-se nas contas: a operadora fechou o primeiro semestre de 2026 com 960 mil serviços ativos, contra 789 mil no mesmo período do ano passado. São mais 171 mil contratos em doze meses, um crescimento de 21,7%.
Dentro desse número, o telemóvel é o motor. São 545 mil serviços móveis, quase 30% acima de há um ano. A internet fixa e dados somam 186 mil clientes, um salto de 29,2%, e desses 147 mil juntaram também televisão ao pacote.
Receitas crescem mais devagar do que os clientes
As receitas da operação portuguesa ficaram em 37,2 milhões de euros no semestre, uma subida de 5,33%. A diferença entre esse número e os 21,7% de crescimento em serviços diz muito sobre o modelo: a DIGI ganha clientes com tarifas baixas, e cada cliente novo entra a pagar menos do que a média do mercado. Só no segundo trimestre foram 18,9 milhões, contra 17,3 milhões no trimestre equivalente de 2025.
À escala do grupo, Portugal continua a ser a operação mais pequena. A DIGI Communications soma 33,9 milhões de unidades geradoras de receita entre a Roménia, Espanha, Itália e Portugal, mais 14% num ano. Os números completos estão publicados na área de relações com investidores da DIGI Communications.
O que isto muda para quem já tem operador
Pouco, no imediato. O que muda é a pressão sobre os outros três. A DIGI tem investido em rede própria e em cobertura em sítios onde antes só alugava capacidade — incluindo o metro, onde a concorrência também tem estado a reforçar o 5G linha a linha. Quando um quarto operador passa o milhão de serviços, as promoções de retenção dos outros costumam ficar mais generosas.
A barreira do milhão deve cair antes do fim do ano, ao ritmo atual. Vale a pena guardar a data: é a partir daí que a DIGI deixa de ser tratada como novidade e passa a ser tratada como concorrente.
Por Oliver Grant
Imagem: DIGI